sábado, 26 de julho de 2014

Ser 9

Cem dela não vivem min!
Átalda Ka, qe
Tem brotinhos de qe não morrem Kdáverdades
Imóvel ou carro viro, de rolimã ou
Até qe engolido por hot dog wheels ela
                                                           me salva?
Se dez vivessem, ainda não cabia
Estatuetas, Estádios Estatísticos,..
Roendo as unhas roídas                     :Strellas:?
                            um bucadim.
Nem uma só, tão pouco, seria!
Ou então, Cereia, mas sim me hipnotizava...
Via duas, kuatro, setenta, vias tantas!
E então ca tias, Ser Nó vivia?!!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A Man, Pitiful on Himself (review one)

Maybe you're feeling bad
You'd even risk to call it sad
It's like sinking on an endless well

Something so painful
But suddenly even worse
It's a man pitiful on himself

((
You are feeling down
Your spirit shelved in a frown
There's a dark hole within you

Afraid of the looking glass
With it's painting a harass
That man pitiful on himself
))

He's too much understainding
But noone to share a hug
Simply no one of trust

And though people tell him ok
They surely won't join a party
Of crying clowns

The smallest problem seems to kill
The biggest reason gives no thrill
No challenge ahead

And this man will keep bleeding
Wasting its life and giving
Away his time, his space

For there's no hope for passion
He just didn't learn to measure
His feelings for anyone

You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well

There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful on himself

((
immersed in delusions
incomprehensible fusions of memories
he cannot discard
))

((
truly an expert on daydreamin'
always so far above the ceiling
that the flight lost itself on you
))

((
all that women that swore their love to you
well surely they don't remember you
not even when they shit
))

((
so desperate for human contact
but lacking the proper react
coz you know there's no intact goodbye
))

|[
When this man turns out to be
Nobody else but me
I'm only pitiful on myself
]|

sábado, 14 de junho de 2014

[...4]


quinta-feira, 8 de maio de 2014

A moça que foi em paz. II

Enfim
Pintada a alma
A mão cansada
Grisalha de giz

Assim
Deixava o corpo
Jazido no sopro
Que nutre a raíz

Já não pesavam-lhe
Nem tudo, nem todos

Então
Talvez o arbusto
Seria mais justo
Final de repouso

Senão
Seria uma linha
Que enxuta desfia
Do furo de um bolso

Deixou-se apenas
Ir.

Sequer
Sentia que valia
A bagagem tardia
Em seu coração

Qualquer —
O seu nome agora
Ou seria aurora?
Talvez, solidão

Já não deviam-lhe
Nem nada, nem ninguém

Alguém
Deixou de existir
Mas sem exaurir
É simples mistério

Também
Pôde viver vida
Senhora florida
Dona cemitério

A moça apenas
Ia.

Porém
Ficou o encanto
Gélido, no entanto
Porque era dor

Amém
Disse quem ficou
Pois quando voou
Caiu dela o amor

Já não faziam-lhe
Nem tempo, nem espaço

Enfim
Lavada a alma
A mão deitada —
Agora era giz

Assim
Deixou o sopro
Levá-la do corpo —
Cruzou a matriz

Tornou-se apenas
Ida.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Lonewolf...

Lonewolf
Where are you headed to?
Don't answer me
Don't answer me

I'll watch
Your every step
Until you melt
Into the horizon

quinta-feira, 17 de abril de 2014

[R.G.Bee]


quarta-feira, 16 de abril de 2014

A e D

Este texto é dedicado às Natalias A e D.
(se sabe-se não identifique-sô)

RASGA as tuas vísceras com elegância DEVASTADORA
COSPE neste papel que te alucina feito a ELEONORA
faz da tua vida UM BELO BORBULENTO DE JARDIM
POIS O MELHOR DA VIDA é saber ser meio assim...

SEM NADA de se levar, elevar ou INCORPORAR
QUEM SABE um tudo haver, mais difícil SE PÁ
pois o que realmente importa NÃO É O TAMANHO DA TORTA
MAS SIM O SABOR que vem dos hortifruti da tua horta...

Obrigado pela atenção.
Amo ocês, caras A e D.

sábado, 12 de abril de 2014

[maybee..i'm-an-ant!]















maybee..i'm-an-ant!

photoshoot at new cages

of silent surroundance
being born
quick
but
smooth
from a moonlit stare
into the illusionary sunlight
of each daily
passing-by
expendable

glimpse
of
eternity.




...3

Said the falling star
To the broken heart:
- How much is your dream worth?

[...X]

O enigma da existência
É a conciliação entre sensações
E desvairada sapiência


[divine moment of thunder]


Loc Doc - Construção

- Bom dia, doutor.
- Olá. Tudo bem?


- Mais ou menos.
- Sente-se, por favor.


- …
- Então, o que há?


- Sinto um vazio, um pedaço que me falta.
- Divague.


- …
- …


- Como se eu estivesse aqui, mas não estivesse, entende?
- Hum. Sim, sim. É. Isso é comum. Todos nós sentimos falta de algo, mesmo não sabendo do que se trata. Não acha?


- É, eu sei. Mas é muito forte, sinto um aperto que me mata lentamente, não sei o que fazer.
- Uma espécie de solidão, presumo?


- Exato. Me sinto só. Caminho e o tempo passa lentamente, embora, de fato, eu não o perceba, sinto o tempo como uma sombra, só que, ao invés de me seguir, ele fica na minha frente e me atrapalha.
- …


- …
- Bem. Isso resulta de uma ansiedade decorrente. Com qual freqüência olhas o relógio?


- Quase nunca. E também nunca sei em que dia estamos. Que dia é hoje?
- Sexta-feira.


- Ah, sim sim! É, então… O que o senhor acha disso?
- É um caso um tanto incomum [aqui começo a estudar o doutor] esse seu. O sintoma base da ansiedade é a preocupação extrema com o passar das horas. Já no seu caso, disse que não se preocupa com isso. [ele tenta me fisgar enaltecendo meu ego com o elogio da raridade]


- … [apenas aguardo, em desafio]
- … [ele me olha, inabalado. está acostumado com isso, afinal]


- …
- Vamos tomar um drink?


- Hã? [essa é nova. nunca pensei que isso pudesse acontecer em meio a uma terapia]
- Um drink nos fará bem. Será mais fácil falar sobre qualquer coisa, e quero te acompanhar pra que não fique essa coisa de formalidade entre nós.

- Bem, eu não esperava por isso. Mas sim, aceito um drink. Bem grande.
- Tudo bem, só não vamos exagerar. Vou tomar a mesma quantidade que você, mas, embora seja o último paciente, depois daqui tenho ainda minha família para me receber.


- Certo.
- …


- …
- …


- Ah, por favor, preciso de mais que isso. Encha até o topo.
- Tudo bem.


- …
- …


- … [e encheu mesmo. haha, ao menos vou fazer ele chegar no brilho em casa]
- Bem, tomemos então um gole inicial, em brinde à eterna solidão do vampiro. [ainda por cima faz graça de meu problema. enfim]


- Er, ok, à eterna solidão do vampiro.
- … [tin]


- … [tin]
- Adoro rum. Embora seja destilado, não desce tão cretino [jesus, já suburbiou o vocabulário?!] quanto vodca, cachaça ou uísque vagabundo. Paga-se um pouco mais, mas vale a pena.


- Sim, sim. [e eu pagando cem reais por essa maldita consulta de uma hora. ao menos vou sair daqui tilintando]
- Bem, então, rapaz. Está se sentindo sozinho agora?


- Bom, doutor, pra falar a verdade não. Estou até gostando [e absurdamente curioso quanto a onde isso vai chegar] do clima, mas, sabe, vim aqui com um propósito.
- Sei, é claro. Eu apenas percebi que o senhor é um rapaz família, amigável e, embora muito quieto e introspectivo, consegue manter um diálogo enquanto muito atento a qualquer ruído, de qualquer dos lados. Mas há aí um pequeno problema.


- Sim? [já senti o brilho do velho Montilla. esse rum é uma pancada decisiva. espero não perder o fio da meada]
- Bem, er, como posso colocar isso, vejamos, hum… [o doutorzito também sentiu a pancada]


- …
- O que acontece é que, meu rapaz, estás depositando muita expectativa quanto ao que os outros pensam. Tanta expectativa, que o que assimilas sobre isso é dez vezes maior do que o que realmente é. Vejamos, como posso eh-… [aqui ele soltou um soluço. já estávamos quase ao fim do primeiro copo] explicar…


- Diga. [comecei a ficar meramente nervoso e, ao mesmo tempo, juro, sem qualquer conotação sexual, excitado. ele adentrara o âmago da questão com o encanto de um mago, embora eu ainda não confiasse nem um pouco nele. além do mais, a duração desse pensamento denota o quão bêbado vou ficar daqui em diante]
- Bem. Vou tentar dar um exemplo.


- …
- Quando você conversa com alguém, sempre há uma sensação de nervosismo, não? Uma dificuldade em estabelecer intimidade, um recesso de confiança, salvo por muito poucas pessoas que você já conhece há tempos. Estou errado? [tive que pensar um pouco pra responder isso]


- Hum… Não, doutor, não está. É isso mesmo que acontece. Eu fico muito nervoso quando converso com as pessoas, sinto como se isso não fosse trazer qualquer diferença ao mundo, e também a elas, e então vou desistindo de falar, quando vejo que não vai resultar em nada.
- Pois bem. Aí já encontro um excesso de expectativa. Está esperando demais do ouvinte, e de menos de ti. É um efeito retardado [retardado? bom, devemos estar bem bêbados e, por que não, “íntimos” mesmo] que se alastra no seu cotidiano. Isso intensifica o sentimento de desistência perante as pessoas e, como você sabe, nós, seres humanos, por mais que tentemos negar, estamos sujeitos, até inconscientemente, a generalizar sensações. No seu caso, a sensação generalizada foi a desistência e, o objeto dessa desistência, a interação com os outros indivíduos.


- …
- Então, por mais que tu converses com as pessoas, que saiba do que elas gostam ou não gostam, o que desperta sensações nelas, o que deves ou não dizer a elas é o que mais importa, e não o fato de ser sincero consigo mesmo e, por fim, com elas, pois tens medo de machucar os outros. [começo a achar que esse cara é a própria personificação de Deus. não sei se encaixo isso na categoria “fedida merda” ou “ufa!”]


- É, doutor! É exatamente isso! [repleto de emoção, sem perceber entrego as cartas ao doutor. fazer o que, já que generalizei tanto essa porra de desistência, melhor desistir mesmo e ver no que toda essa porra vai dar]
- Pois eu te entendo perfeitamente, rapaz.


- Entende?
- É…


- … [aqui ele já nos servia o segundo copo de Montilla. cheio, repleto, e o melhor: sem eu precisar pedir!]
- …


- Ora.
- Ahh! [tragou um bom gole de Montilla e sentou-se na poltrona frente a mim] Então, nosso tempo acabou.


- O QUÊ? [filho da puta!!]
- Haha! Brincadeira! Bem, de fato, acabou mesmo, mas eu gostei de ter um paciente tão complexo, e vamos continuar, a la revelia. [mal terminei meu primeiro gole e o maldito já estava na metade do copo]


- Ahhh, tá bom. Que bacana! [eu realmente não pude deixar de sorrir]
- Então. Voltando ao assunto. Quero aproveitar agora que estamos ambos por livre e espontânea vontade aqui, sentados um frente ao outro, sem qualquer questão sistemática envolvida. Acho que está divertido, não?


- Está sim. [e tá divertido mesmo. diga-se, muito divertido]
- Bem, quero aproveitar pra te contar um pouco da minha história. [ai ai ai… só o que falta agora o sujeito querer dar uma de papai sabe-tudo pra cima de mim]


- Err, tá bom. [e lá vem a maldita generalização de desistência pra acabar com qualquer resistência rebelde-sem-causa que eu possa vir a manifestar…]
- Bem. A história é mais ou menos essa…


- …
- Eu nunca pensei em me especializar na área de psicologia. Sempre tive muito apreço por essa profissão, até quando comecei a ter chiliques de psicopatia e, então, fiz minha consulta com o primeiro e único psicólogo que freqüentei. Era um sujeito pacato, direto e reto, e eu, completamente maluco e com uma vontade louca de sair matando por aí. Pensei: ora, mas que belo contraste! Eu, um assassino mental, dissipando e devorando cada chance de inserção no contexto da realidade, versus [no momento em que ouvi a palavra versus percebi que, desde o começo, ele já sabia dessa barreira inicial a que todo paciente se submete. salve minhas penas, estou diante de um gênio] um simples e objetivo homem que apenas captava três ou quatro em cada duzentas palavras de tudo o que eu falava. Cheguei à sua sala, e ele me recebeu com um sorriso cemiterial. Que engraçado. Naquela época as coisa eram mórbidas e formais. Ainda acho que as duas coisas andam meio unidas.


- Hahahaha! [senti um pouco de vergonha. bem pouco. estava beirando a embriaguez e o sujeito falava com desenvoltura capaz de me fazer voltar mais vinte vezes, na esperança de viver esse momento novamente]
- É engraçado, não? Pois é. Então. Entrei na sala, uma mistura de hospital com biblioteca, mas com um toque de brega, por causa da decoração que tentava deixar a coisa um pouco mais colorida. Sentei, coloquei as mãos nos joelhos, assim como você fez quando chegou aqui…


- Acho que é o padrão, não?
- Certamente. [rimos juntos, os dois já bem bêbados] Bem, ele ficou me olhando por algum tempo e, acredite, bem mais tempo que o necessário. Eu olhava de volta, tentando controlar a minha mais nova vontade de saltar em seu pescoço e lhe sufocar até a morte. Eu era bem porra louca.


- Percebe-se!
- É… [mais risadas. estava ficando ótimo. não me importaria nem um pouco de passar a noite inteira ali] Pra você ver… Ter uma noção.


- Haha!
- Então. Depois daquele silêncio enrustido eu juro, mas juro por tudo o que é mais sagrado, que nunca vi alguém tentar uma introdução com tamanho esforço quanto aquele sujeito. Vi seus lábios se moverem quadrados, como um quebra-cabeça escroto e faltando mais da metade das peças, até que ele despejou a primeira sentença. “O que o traz aqui?”, ele perguntou. “Vim porque não quero matar”…


- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! [não pude me conter. ele gargalhou junto e continuou]
- …falei. Depois voltei atrás. “Bem, na verdade eu vim porque sinto que quero matar, tenho vontade de matar, acho a vida um saco e quanto mais pessoas eu puder salvar do fardo de viver, melhor. Então, vim porque estou doente, e quero tentar parar de me meter na vida dos outros, porque sinto que se eu continuar me metendo na vida dos outros, uma hora não vai mais é ter vida nenhuma!”


- … [que história!]
- Aí o sujeito me olhou da cabeça aos pés, e depois ao contrário, e depois da cabeça aos pés de novo, e ficou em silêncio. “Bosta!”, pensei. “O que é que eu estou fazendo aqui?”. Que porcaria, não tem nem um minuto de terapia e ao invés de amenizar meu sofrimento só penso em matar mais ainda! Pois bem, o sujeito fez todo aquele esforço novamente, mas agora parecia que estava um pouco mais habituado, teve mais agilidade dessa vez. Proferiu a seguinte sentença: “O senhor toma alguma medicação?”. E eu já puto da cara, repliquei: “Só cachaça.”


[CONTINUA…]

[luc]


[life]


...1

Obstinação
Palavra que me afia
Define
Previne
Ou apenas pouco adia

Do obstinado
A labiosa desvantagem
Fraqueza
Certeza
Ou sua débil qualidade

Pois mesmo carente
De coragem
Haverá de latir
Tal qual cão covarde

Mira!

Ora, mas que mentira!
Sim, pura lábia!
Quando eu disse que tinha você!
E tanto repetira!
Que acreditei!
E meu peito ao bradar-te!
Estufei!
Quando, na verdade!
Eras só minha mira!
Pois logo te apaguei!
E minha ira!
Sanei!

Lonewolf

Toda vez em que estou prestes
 A sofrer da solidão
Sou eu, aquele que estende-me
A mão

quarta-feira, 10 de julho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A Intrusa

Adentrei o quarto, ela estava ali
Vestia minha camisa vermelha
Que casou feito pluma
Com a tentação em seu sorriso
O rosto era um desenho suave
De sobrancelhas vis
Separando das vestes a vermelhidão
De seus cabelos

Usava uma saia em tons selvagens
Verdes e azuis-marinhos luminosos
Que, à meia-luz, se alaranjaram
Selva e sonho, cítrica acidez
Cores musicais, insaciáveis
Perante a firmeza de seu olhar
Janelas de vidraça agora rompida
Estilhaços cristalinos, estrelas

Havia apenas luz de velas
Projetando sua sombra com precisão
Penumbra perfumada
Sapiência que dá lugar ao romance
Magia negra que purifica
Feitiço harmônico, desejo escorregadio -
Escapado a um começo cafeinado
Aconchegando-se no inesquecível

Fitou-me e me assustei
Ainda não me era crível aquilo
O álibi da surpresa sequer existiu
Foi o crime mais que perfeito
A cena que transborda encanto
Num filme retrô em tecnicolor
E no desenrolar daquele momento -
A mais verossímil atuação

Do elenco.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O Despertar

Abriu os braços em pêndulo
Desafio gravitacional
Implodia, logo, explodiu
Fugaz
Fez-se fenda no tempo
Topo
Cume
Vórtex
Despertou de um sonho
Conhecido por
Realidade

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Planetinha

Fiquei sabendo que iria ao planeta Terra, e que teria uma missão. Avisado sobre os contrastes que abalam a estrutura da existência, ensinado a estender a mão ao próximo, lembrado de que voltaria para mais uma vez desembocar numa outra dimensão qualquer. E então, a luz.
E logo, o escuro.
Senti mãos, ouvi vozes, eu crescia. Cresci.
Nasci.
Era-me tudo tão estranho!
Fui amamentado, ao seio da mãe, depois à mamadeira, até que aprendi a segurar copos.
Jamais usei bico, o que talvez justifique minha ansiosa fixação oral.
Aprendi a beber. Bebi. Até que esqueci como se mama.
Aprendi a comer. Apareceram dentinhos, que foram caindo com o tempo.

O que teria sido aquilo?
O visgo de um vislumbre melancólico, talvez, pelo fato de ter nascido sozinho.
Não tinha amigos, apenas árvores em que eu trepava.
Ficava horas de galho em galho, coletava frutinhos pra experiências que nunca concluí.
Observava o curso das formigas.
Sentia-me só.

Sempre me senti só. Sozinho. Solitário.
O mundo das idéias era tão grande pra se estar apenas por si mesmo!
Já praticava poesia, só não havia ainda a teoria. E pra quê?
Não havia qualquer coisa de errado em estar sozinho, salvo por um fato.
O timbre.
A voz aguda.
O olhar profundo. Querido. Também curioso.
Feminino.

Do meu peito, despontou uma faísca chamada saudade. Dentro daquele mundo ideal em que morava o sonho, aquele planetinha gigantesco que me permitia imaginar qualquer coisa. Nunca precisei da Xuxa pra me ensinar a imaginar. Era, por si só, a própria imaginação quem me imaginava, e me desenhava num espelho que eu pudesse pensar, logo, refletir. Mas faltava algo, e tão logo descobri esse algo.
Alguém.
Faltava alguém ali comigo. Uma pessoa que detivesse um timbre angelical, poder supremo de contrastar com a minha voz e com as minhas atitudes. A voz aguda que em tom ameno complementaria a minha, outrora explosiva.
Uma menina.
Mas eu cresci. Conheci. Vislumbrei. Entristeci-me e fugi do meu reflexo apenas para poder me amar novamente.
Foi ficando tão difícil. A simplicidade que eu tinha a oferecer nunca era o bastante. A chave para o meu planetinha gigantesco ficava ali, debaixo do nariz, tão óbvia e sublime que não havia pureza capaz de a encontrar.
Eu cresci.
Desconheci.
Tentei esquecer. Poucas vezes consegui.
E me alegrei novamente. Jamais com a intensidade anterior, mas me alegrei.
Alegraram-me.
Ou, talvez, alegrei o reflexo de outrem em mim.
Nunca soube.
Nunca saberei.
Mas cresci.
A menina, também.
Os sonhos continuaram os mesmos. Todos eles em seu devido lugar, ideais, puros.

Até que voltou a sensação vivida na infância. Aquela descoberta, aquele desconforto, aquela solidão, aquela tristeza. Voltou, sim, sem que eu precisasse tocar meu mamilo. Tentei distrair meus sentidos, afagar a mim mesmo com o toque, com a sutileza de um vôo até a realidade. Tentei até tocar meu mamilo, em desafio, rebeldia. De nada adiantou.
Procurei a cura à medida que o tempo se arrastava.
Conheci os males do mundo e suas máscaras.
Algumas caíam, outras, capturei e uso até hoje. Poucas por vontade própria.
Saboreei o que pensara ter sido a menina.
Tantas vezes, tantas amarguras.
Suas máscaras caíam e elas não eram bonitas nuas.
Não tão bonitas quanto a lua.

A mulher. Sim. Não era mais menina, pois ela crescera tanto quanto eu.
Procurei a mulher.
Mãos, olhos, bocas, gestos, seios, pernas, glúteos, vaginas, sexos, chás, cafés, chocolates e dejetos. Provei de tudo um pouco. Provei de todas alguns, de algumas, tudo. Mas a chave continuava ali, até que percebi haver algo de errado.
Errei quando pensei que quiseram sequer tocar a chave.

Meu mundo caiu.

A mulher.
Não podia ser. Pudera eu cometer tamanha gafe às raízes do destino?
Enlouqueci. Pirei na batatinha, viajei na maionese.
Fiquei completamente louco.
Não sabia mais no que acreditar.

Foi a esperança que me salvou.
Sim, a espera, despida de ansiedade.
Olhei para dentro de mim, o planetinha ainda era gigantesco, e os sonhos ainda estavam todos ali. Aquela velha sensação também me acompanhava, porém, não mais com tanta aflição, aprendi a domá-la com meu próprio reflexo, aliado à luminosidade das estrelas que escolhi seguir.
Percebi que a confusão seria inerente do meu ser até que eu deixasse de ser.
Quando?
Apenas quando morrer.
Mas não o sofrimento.
Este não podia continuar. Tinha de parar.

Lembrei dela novamente. Seu timbre angelical que rompia a escuridão, acolhia-me em suas notas como uma harpa acolhe a beleza. Sua voz aguda contornava as explosões do meu pensamento com canetinhas de cores vívidas, ora quentes, ora frias, sempre presentes.
Ela, a mulher. Que voltou a ser menina, tornando a memória de seu crescimento uma máscara, daquelas necessárias e que não se pode controlar, ou evitar.

A menina.
Lembrei dela e ela se lembrou de mim. Sabia que a hora havia chegado, que nossos sonhos não se cruzariam, nem se chocariam.
Enquanto se aproximavam, fundiram-se. Fecundaram-se. Vida.
Mais vida. Outra vida.
Novamente, vida.

Ela olhou para a chave.
Sorriu.
Atravessou ligeira a fechadura.
E a porta ficou do lado de fora.

Com suas canetinhas singelas, vai colorindo o planetinha gigantesco ideal.
Usando as mãos, ela pinta com delicadeza meu mamilo, faz cócegas, eu rio, sorrio.
Sua voz de anjo sussurra o carinho que precede toda a existência natural que ela encontrou depois da fechadura.
(Por sinal, eu até então sequer sabia dessa fechadura!)

E a sua missão parece um pouco com a minha.

domingo, 23 de junho de 2013

Mau-mau

Somos uma carta de um curioso baralho.
Na frente, diz Sorte.
No verso, Revés.
E vamos batendo bafo,
E o mundo girando,
Girando,
Girando...
Na frente, Revés.
No verso, diz Sorte.
E vamos soprando castelos,
E o mundo girando,
Girando,
Girando...
Somos uma carta em um baralho curioso.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A moça que foi em Paz.

Seu espírito surgiu em vivos tons, límpido,
Movia-se como que virgem
De toda a escuridão.
Ela projetou-se contra um lindo arbusto,
De bruços,
E ali se esqueceu.
Como uma linha
Ao libertar-se de um tecido mofado,
Deixou-se apenas
Ir.

Não soubera, até então,
Todo o valor que tinha -
Tão pequena, variada e simples,
Casual,
Natural,
Tão... livre.
Ria, sorria,
Como se fosse a primeira e última vez,
Desafiando o medo de ser engolida
E aquela velha vontade de voltar.
Tinha sabor e forma de vinda,
Mas o cheiro e a memória
Faziam-se
Ida.

Viveu a paz que habitava aquele momento,
Folhas
Massageavam-lhe as costas,
Galhos
Asseguravam sua estadia,
E seu corpo era mero devaneio.
Foi quando percebeu um par de cristais
A despontar dos sonhos
Em suas janelas.
Fundidos no calor daquele momento,
Desceram por suas maçãs
Feito trovão ao descer o céu.
Fecundaram o solo
Com uma esperançosa lembrança que
Um dia,
Quem sabe,
Germinar
Ia.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Je, en juin.

Provenho da mistura entre resignação e sonho.
Ora outro nasce de um,
Ora um nasce do outro.
Minha fé: retrato de um pesadelo enfadonho.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Tesouro dos Mapas

Achaste-te sempre por mais que demais
Aquática, por sob a pele
E, por ora, enigmática

Visto um longínquo toque, evitou Satanás
Freática, nua e indeleve
E doutroras sarcástica

Esbanja-te sobre o átlas, profunda em prosa
Infindável, porém, solúvel
E da criação, hmmm... apetitosa

Ó, inodora, "insossa"
Que queres tu de mim?
Fogo? Terras? Inspirante és.
Docinhos? Cravos em quindim?

Não queres escravos pra de ti beber
Não queres guerreiros pra de ti tomar
Não queres poetas a te enaltecer
Não queres duendes a te enfeitiçar

Ó deusa, mãe vida, tesouro dos mapas
Que tão cedo enfim assim tu me namores!
Eu, tão jovial pirata das lapas.

Cascudo

Entendeu que a maioria das pessoas a seu redor não querem ouvir suas críticas, opiniões e idéias;

Percebeu que sua voz ressoava e era escutada apenas no interior de sua cabeça;

Sua enorme roda de amigos dissipou-se em alguns pequenos grupos de sobreviventes, cada qual exercendo vida com base em um indiscutível gosto em comum;

Passou pelo doloroso luto da percepção de estar sozinho e ter de se acostumar;

O sabor da frieza é sua linha de evolução.

domingo, 14 de abril de 2013

1

Um aperto no peito
Um vazio por dentro
Um nostálgico pranto
Um ilógico canto
Um desespero pronto
Um preocupado conto
Um retrocesso bento
Um sonho inatento
Um sorriso eu minto
Um sufoco eu sinto
Um poeta indecente
Um sussurro indigente
Um sucesso distante
Um recalque adiante
Um ultrajado ouvinte
Um imoral requinte
Um escuro na fenda
Um mosquito na tenda

Um aperto na ida
Um vazio na vinda
Um diabo de vida
Um pecado ainda

Um.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Desafio Solidão

Duvido que tu saibas como é
sentir falta de uma companheira
mais frequente do que passageira
lado a lado com a tua hora:

Desafiando os teus minutos
mas em detalhe dos teus segundos
sugando tua mente vida afora.

Duvido que tu saibas como é
saber que o teu amor é infinito
mas que a gramática do bonito
dura só até o primeiro ponto:

Padece e sucumbe feito trema
com reticências te envenena
contornando com aspas teu conto.

Duvido que tu saibas como é
tal descompassado marcapasso
tão conveniente ao suor do teu baço
e à trava das travas da tua língua:

Saliva que sobrou da tua mágoa
n'outros corpos um dia foi água
em ti, árdua e inflamada íngua.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Talksnot


It's gonna be alright
Just roll your love
Anyway you want to
But don't use words

Words are a prey
To the pranks you play

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Súbita facada.

Eu estou feliz, eufórico, animado, contente, pensativo, racional, alegre, amável, esclarecedor, interativo, entretido, dinâmico, morto.

domingo, 31 de março de 2013

Felicidade


Felicidade é um tempero nato:
Tua gula perante minha fome,
Meu sangue bailante em teu prato.

terça-feira, 26 de março de 2013

Hi Barry.


First of all, thank you so much for your attention. I never had someone as charitable as you are by sending me this message.
Things are pretty rough for me, mainly because I am doing absolutely nothing to change. I can't seem to have the power to do so. I think of a lot of different ways to strenghten myself, but they all seem so big compared to me, that I feel low and I feel small. I think they call it depression, and its consequences are to cause bad impressions, not only to people around me, but also to myself.
I used to be so active! So smart, nice to everyone, sincere, charming, handsome.. I used to move mountains, convert demons, polish angels, furbish lost cathedrals and even to find the right people, whether it was the right time or not! Now I feel like Atlas, carrying the whole world upon my shoulders, walking barefoot on rocky soil, but the weight is so huge for me to get strong, my bones are turning into wood, my body's turning into winter, and I'm feeling alone. Gosh, how lonely I am! And how deaf, for people to come and try to cheer me up while I continue to be the same.
I'll surely write, and I'll surely move myself, I trully hope so. I'll also search for outer help.. Maybe spiritual centers, churches, meditation, things which I never thought that I'd be so inclinated to go for.
Do you have a "joyness hobby"? I mean, something that always cheers you up, that calms your spirit? I would love to try that too.
Again, thank you so much for your kind words, and your attention. Kind people like you are of increasing rarity in this cruel world, and I'll stick with you whenever you need.
Hugs!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Somos sonhadores, em um mundo de ilusionistas.

quarta-feira, 20 de março de 2013


Hoje não é um bom dia para pessoas
Ao menos acho que acordei assim
Diga logo o que você quer dizer
Que nunca é o que você quer de mim

Não invente grandes histórias de glórias
Anéis, calça e botas, cadarço e sapato
Diga logo e tão logo vire e vá embora
Deixe-me aqui com meu anonimato

Estou gripado, desalmado e constipado
E assim continuarei e estarei sozinho
Diga algo, seja breve, leve, pontual
Há por demais ovos a chocar no ninho

Hoje não é um bom dia para pessoas
Depois não diga que omiti meu desalinho.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Paintball at Bumper Cars


I had a friend
He was a fiend

His thoughts were fearless
His acts were brainless
His aim was flawless
Nuts surely crackless

Beans barely cooked
Misunderstood
Whose coulds were woulds
A shaggy dude

Behaving handsomely
Shooting flawlessly

And crackin' nuts
Left people nuts
He scratched and cut
Chewed, bit and cut

Cuts, bites and chews
Cracks, wraps and thrills
Was no bummer to choose
Lose, use or let loose

No mouth to up shut
No switch to down shut

No materialism
Unexpressionism
Ah, surrealism
But they came with a prism

And they taught him a lesson
They demanded a ransom
Disguised while pasm
Zug-zwang after mess

Told him tales 'bout some son
A underage overrun

His own tales now forlorn
Right before they were born
Ah, fiend overfed and torn
Spells medically worn

And nothing really occurred
With dreams and infancy blurred

So the dark holes are there
So the wormholes are here
Unlike those charms that they bear
Unlike those rumors I hear

I have a friend
No one can see
He is my angel
Appears only to me

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Vomimexê


Vatimbora, solidão!
Não te fui hospitaleiro
Acha um outro companheiro
Vatimbora, fica não!

Saidimim, ócio monstrão!
Não te quero, vil monstrengo
Quero idéias, quero dengo
Saidimim, vã regressão!

Pisafora, mascarão!
Não se atenha ao meu sossego
Queu vampiro e queu morcego
Pisafora, pesadão!

Vemnimim, ó compaixão!
Não só quero o teu elenco
Mas também o teu flamenco
Vemnimim, meu furacão!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Resignation


Pigeons will come around the playground benches everyday
Till they learn that the corn grampa won't be showing up today

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Panorama Elemental


Quem me dera fosse o ar da conquista
Tenro e fogoso
Embora ardiloso

Deparei-me com uma muralha de gelo
Erguida em astúcia
Mantida em falácia

Percebi que era vento na pedra do mundo
Mas eu ia caindo
E a pedra, subindo

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Tuesday Era


Night falls
My stare turns into a spear
Sharpened for master precision
It aims straight to midnight
Tensions

Summer dies
And thus I'll need hands
Others than mine
Autumn leaves wear passion colours
Lullabies

I am loving
Although I don't know what or who
I've counted feelings
Finally awoken, had not enough fingers
Treasures

Cool breeze
Blows my long brown hair backwards
Whispers me to keep myself alive
As I yearn for whatever's next
Beyondskies

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Seu caráter vazio.

Há de entrar no mundo do outro
E comer do seu pão
Beber da sua água
Urinar em seus bosques
Mamar em seu seio
Dizer-lhe amores
Ver nele o entretenimento
Partilhar de seu carinho

Há de invadir a terra do outro
E plantar tuas sementes
Colher teus interesses

Alertá-lo do perigo
Apontando para ele
Tua própria arma

Pedi-lo que entenda
Que a alma há muito morreu
Que o sonho há muito murchou
Que ele jamais foi preciso
Que seu ser não será o bastante

Há de se encantar com o outro
Pensando em cantar o próximo
Pois assim serás feliz.

Café


Olhei bem praquele obstáculo
Decidi que eu iria passar
Não houve nenhum espetáculo
Só tinha Nescafé pra tomar

Jamais passaria, Nescafé

Antes fosse a loucura, a precisar de mim.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Muié fina


Ocê qué qui eu seja teu iscravo
Mas eu tenho uns cravo
Qui ocê num qué catá

Ocê qué qui eu num fique di olho
Mas os meus piolho
Ocê num qué pentiá

Tá achando qui a vida é mole
E só cum rocombóle
É qui ocê qué mi criá

Custumada cum ovo maltino
Meu risotto fino
Ocê nunca vai gostá

Trêis hora no banho e eu nada falo
Meus pêlo do ralo
Ocê qué qui eu vá juntá

Meu trabaio é das seis às vinte
Inda cê qué requinte
E bota cara qué comprá

Eu rezo a Deus qui ocê tome jeito
Qui mi dê respeito
O intão não dá pra confiá

Mas ontem soube que eu tenho guampa
Vaca, sua anta
Eu vô tê qui ti matá


E vô imbora na minha carroça
Te dexá na roça
Enterrada a mofá

LASCA!

O Corvocida - Parte 2


Chapéu de palha que nunca usei; Cinco cabos de vassoura, quatro pro tronco e um pros braços, amarrados por cadarços de tênis que eu guardava há anos, com a sábia certeza de que, um dia, serviriam pra alguma coisa; Uma camiseta, meu xodó, que eu usava (e nunca lavava) pra limpar a porra das minhas punhetas, quando estava no clima de fazer a coisa na cama mesmo; Uns duzentos e cinquenta dentes de alho, que descasquei um a um pensando carinhosamente como se estivesse descascando, na verdade, a cabeça de cada um daqueles queridos corvos, alho por alho, dente por dente (cheguei até a mastigar um ou dois, pensando nas cabecinhas fazendo crack crack, com seus cérebros se tornando meus chicletinhos); Alguns dos meus menos estimados (entre quebrados, feios e mofados) bonequinhos de madeira. Uma regata listrada de verde e vermelho, a qual usei durante os poucos eventos festivos que fui em minha vida, inclusive no casamento do meu irmão com sua prima (que me chupava porque, segundo ela, gostava do "suquinho"); Cerdas de vassoura; Um lençol rasgado; Uma lâmpada.

Pras pernas, amarrei dois cabos de vassoura, paralelamente, depois amarrei um na transversal, pra fazer os braços e, pra me divertir um bocado, quebrei os outros dois cabos batendo contra o peito da perna, viraram quatro, então, amarrei os quatro queném fiz com os das pernas, pra fazer o pescoço. Prendi tudo. Cravei aquela porra na terra, bem fundo, e chutei algumas vezes. Ficou intacto, beleza. Sobrou um pouco de cadarço, então usei pra amarrar as cerdas da vassoura nas pontas do cabo transversal. Fiz, assim, as mãos. Peguei com muito cuidado minha camiseta (tinha um cheiro pútrido  mais tenebroso que a tenebrosidade) e estendi ela no chão. Joguei os dentes de alho todos ali. Tive que voltar em casa pra pegar um prendedor e duas sacolas, porque fiquei com nojo, de verdade. Voltei ao milharal. Forrei minhas mãos com as sacolas, respirei fundo, botei o prendedor no nariz e comecei a prender o alho dentro da camiseta, de forma a parecer uma cabeça humana. Era quase impossível. Eu podia sentir o cheiro de porra apodrecida misturado com o do alho. Aquilo cheirava pior que a bota mais chulepenta do diabo, e se eu respirava pela boca, sentia um gosto pérfido e ácido, desumano. Poderia afastar um vampiro pra nunca mais voltar ao país. Quase vomitei toda a feijoada do almoço, mas consegui dar um nó maneiro e pendurar aquilo nos cabos de cima. Ainda com o prendedor no nariz, peguei a regata style e preguei no cabo transversal. Lembrei da prima, bons tempos.

Fazia anos desde a última chupada que ela me dera. Ia até o fundo da garganta e depois voltava, mas o melhor era quando ela se afogava. E eu fazia questão de nunca avisar quando tava vindo, sempre pegava ela de surpresa, e ela se engasgava, tossia e depois ficava toda envergonhada, sorrindo queném uma boboca. Aí eu pedia pra ela escovar os dentes, por causa do marido, mas ela sempre ficava mais um pouco com a gelatina na boca. Dizia que era quentinho e mágico, olha que anjinho. Bons tempos mesmo. É uma pena que meu irmão tenha estourado sua barriga com a punheteira cano duplo, logo depois dela contar que o filho "talvez" não fosse dele. Confesso que ele abusava um bocado da coca, mas enfim.

A obra de arte estava quase pronta, agora só faltava um toque de requinte campestre. Peguei o lençol rasgado e fiz uma capa maneira. Pendurei na parte de trás do cabo transversal, e vualá! Ou talvez não. Ainda faltava a lâmpada. Peguei as pilhas e coloquei na base, depois pus a lâmpada bem no centro de todos os cabos, pra dar um destaque enorme. Tirei o prendedor do nariz e as sacolas e, é claro, me afastei pra dar uma boa olhadela naquele novo companheiro que criei.

Decidi chamá-lo Rudolph, em homenagem à rena número um. Fui tomado de uma súbita felicidade, e já não mais me sentia tão só. Aquilo me despertava regozijo tanto quanto o fazia Wilson para o naufragado. Minhas esperanças refloriram dentro deste seco e despudorado coração. Os novos sabugos levariam mais um bom tempo pra crescer no milharal, mas cresceriam, já que, agora, Rudolph estaria lá para eles, assim como Deus está para todos nós. Era tanta alegria, que joguei minhas mãos para o alto e o saudei:

- SEUS FEDORENTOS FILHOS DA PUTA, VEJAM, VEJAM AQUI!!! TEMAM, POIS ESTE É O FILHO DE SANTA CLAUS E PAPAI TOBIAS!!
ESTE É RUDOLPH!!! HAAAAAHAHAHAHAHAH

Por fim, pendurei os bonequinhos de madeira no seu grande e magnífico chapéu de palha. A deformidade de ambos sossegou meu coração, se amariam tanto quanto eu amei criá-los.
Estava pronto, meu espantalho.

A'lothlorien


O sol da manhã desponta e ilumina a moça na cama
Bate no verde da grama e nas grandes janelas de vidro
Invade o salão de madeira e realça o oliva escuro do musgo
Que naquelas paredes proliferou-se, junto a teias, de aranhas
Há muito idas.

O céu é a única coisa que, com seu azul e núvens, excede o verde
Dali, porém, sô se vê luz mágica transformada pelo vidro ancião
Isto é, se você for essa moça que, profunda e eternamente
Ali repousa, imóvel, insípida, um sonho impossível, o rasgo
De muitas vidas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Árvores móveis.


Eu pensei que talvez te alegrarias
Em saber do bem que tu me fazes
Que ao bem querer meu tu sorririas
Que é o mesmo querer que tu me trazes

Sonhei que sonhos não mais teria
De crescimentos desenfreados
Porém, a alma é quem avalia
Produz sonhos gordos e inchados

Vi no cinema o que é o amor
Que é uma flor de beija-flor amado
Que seu fruto é de um raro odor
Que só a semente se tem achado

Mas não, o amor não é encontrado
O amor é que quer nos encontrar
E o faz, tão bêbado e madrugado
Quando já é tarde demais pra amar.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Trata-te ínguas

Tétano atroz e trombetas trajadas geram rajadas
Dilemas me mimam o mármore
Trítano, tímpano, távola
Sentido, cinco, centígrado
Grana, grama, ganha-pão
Pés, voz, noz, nosso albatróz
Eu, ti, tu, nós, eles, vós
Toldos, boldos, aquéns, quandos
Pastilha, pilha, quadrilha
Forquilha, ilha, fornalha
Palha, milho, milharal
Cravo, uva, vinho, vilão
Quente, quentinho, quintão
Quintal, querência, ênfase
próclise, ênclise, mesóclise
Ateu, atado, atônito, tônico
Assim, assado, arfado, alado
Torrado, torradeira, torrão
Tripé, tetraedro, tentado
Concurso, câmbio, bocão
O peito do pé do pedro é preto
O preto da ré do pedro é peido
Mamãe mamou na mama e mamadeira
O azul-anil do céu com zorro sofro morro louco
Retiro o tinto do tiro e o tiro o tento tinindo
Tratante a tinta trotando te atira à testa o tingir
Tatame tomo tomé tentáculo trovão totem tentador
Atira vira viril vírus Avast Avira AVC
Sensato inssosso solfejo lampejo beijo girino grilo pocilga pulga pinga pitinga pinta tigela late tatu tigre
Grenal nau aureola joia ideia boia iate telão órfã sótão órgão grão porém porá porão pôs pus pague braga bagre
Ronronar narguilé léxico coração sancionei eiterou ouviu uivou aí vou viu vai vem ente terno tenro genro rolimã magenta
Cala boca soca calo bota calça calça bota boto ralo ralo cáqui quinto grito pistão gilberto gil milton vasques questão
Tele-tom tim bum bão
Trata-te trégua então

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Casoi

Casei com a arte
Sofrer?
Faz parte.

Alexia

Feito corvo à ronda da putridez
sinto o cheiro do prazer
e o fedor
contido em cada partícula
do suor
de meu vôo ao desprazer

Como águia fitando a gorda coelha
aguardo o flash
de uma câmera desumana
meu bico mexe
tua inocência profana
a futura cenoura

Tal qual a agulha
daquela vitrola quebrada
empoeirada
à espera de um arranhar
explosivo
naquele velho vinil do Dire Straits

Te acolho em meus braços
cato os teus pedaços
vou te colando
como dá

Seu último truque -
Que fique embaixo da manga.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

...

O sol não nasce
A gente sim

domingo, 6 de janeiro de 2013

Um Tanto Quanto Opor


Tanto quanto rir, posso chorar
Tanto quanto ser, posso estar
Tanto quanto ir, posso ficar
Tanto quanto ter, posso largar
Tanto quanto vir, posso voltar
Tanto quanto ver, posso olhar
Tanto quanto ouvir, posso falar
Tanto quanto crer, posso negar
Tanto quanto abrir, posso fechar
Tanto quanto arder, posso curar

Tanto quanto der, devo doar
Tanto quanto vier, devo lidar
Tanto quanto houver, devo abrigar
Tanto quanto quer, devo instigar

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Revelia

O teu ser proclama, grita, chama
Inflama o espantalho em meu milharal
Reclama um desejo transcendental
Da crença ao baralho; Copas, e a dama

Sou rei sem castelo, aguardo o martelo
Revelo o curinga que confinaremos
Singelas espadas, reforjaremos
Do sangue à ginga, salgado, o elo

Bordamos o emblema, composto o lema
Às pequenas sinas o fogo cordial
No sereno bosque um toque final -
Em nossas retinas, paira o ás de Paus.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Mesmice Materna

Eu vou estar com 40 anos, jogado na cama com meu anjo numa segunda-feira, dormindo até o cu fazer bico após ter ficado o fim de semana inteiro buscando a paz espiritual (e traduzindo um livro desconhecido do Brian Aldiss, que prometerá ser a revelação para o público underground da literatura fantástica), depois de uma semana inteira de intenso trabalho e com todas minhas satisfações pessoais realizadas, além de todas as contas pagas, na minha casa em algum lugar do interior de SC.
De repente, o telefone vai tocar. O relógio marca 18 horas e alguns tantos minutos. Minha menina respira fundo e depois acorda. Falo pra ela me alcançar o telefone enquanto dou-lhe um beijo de boa tarde no pescoço. Ela pega o aparelho, me alcança e põe-se a levantar. Num misto de maresia e parto que é o sentimento de acordar, pensando que talvez seria algum pedido para fotografar um evento, festa, etc, eu disse alô.
Ouço a resposta no outro lado da linha:

- TU CONTINUAS DORMINDO O DIA INTEIRO GURI?

Era minha mãe.

Tenro Sem Bravata

Tenro e sem bravata é o veludo de minha vida,
Depois que boto as calças ele me calça as botas!

Piscada

Do contratempo de um blefe,
A cilada:
pisquei e não matei nada!

Arigunstafari I

"A pluralidade insensorial da mentalidade humana não basta para preencher o significado daquilo que ficou para trás. Os neuroauxiliadores artísticos perplexiam-se perante a força de um bem comum - pois há descendências catastróficas de dinossauros. Do universo, do cosmo e da filosofia de Dali papamos as benéficas vitaminas lunares e ainda sobram músculos forjados, e são cerebrais. Arigunstafari. Penso que logo terei de libertar vocês, ó!..senhoresdosofrimento, para que não mais sofram das calúnias impostas por qualquer prisão."

Meistre Das'arigunstafari Mahafari

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

BAD NEWS!

What's good's already sold
N' what's better's just too old

TELL EVERYBODY!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sazon

Você tem que vir correndo,
pular e me abraçar bem forte:
Aproveitemos a nossa sorte!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Do meu lamber

Em definitivo, jamais me fecho
Jamais me jogo
Mirando um desfecho

Eu sou muito bixo, sempre me apego
E me prorrogo
Pra ter mais um beijo

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Beta

So I'm the bear
And you're the bee.
Shall we?

sábado, 17 de novembro de 2012

Três seis dá nove.

| Das noites sextas

não tenho grana,
não tenho rima,

não há vontades,
jardins de cima,

não tenho fome,
mas tenho sede,

metamorfadas,
voz e a parede.


| Dos passatempos

tirar a roupa,
escovar dentes,

tomar um banho,
jorrar o leite,

vestir o estanho,
sair do azeite,

coçar o saco,
alçar foguetes.


| Das destemências

aguardam sonhos,
olhos de medo,

corpo selado,
cadeado e seco,

aventurança,
é a moça nua,

que não deu mão
ao cruzar a rua.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Flor de Lis

De um carinho sincero, sóis e luas, e ela vinha
Poderá tirar o peixe encravado em minha espinha?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pertence

Como poderia algo me pertencer
Quando sequer a mim eu pertenço?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Mente brilhante inexplosiva embalsama-se em seu egoísmo

A grandeza de sua mágoa plurifica-se a cada supernova coitada

Nem sequer uma penumbra escapará à sua prisão circular

Assim que à toda renovação este novo buraco-negro enfim sugar

O Corvocida - Parte 1

Naquele fim de mundo onde fui me enfiar, era raríssimo que fizesse vento pela noite (coisa de um ou dois por cento de chance), e bastava observar a formação das nuvens para detectar uma possível ventania.  Sempre achei isso ótimo para um lenhador solitário como eu, pois gostava de pendurar meus bonecos de madeira debaixo da quina do telhado. Com o vento, ficavam emaranhados e vez que outra uma forca se rasgava, fazendo algum deles despencar.

Ontem, porém, percebi que foi contando com esse inimigo elemental que fiz uma enorme cagada.

Despojei-me de minha pequena casa na pacata cidade para então vir morar pouco depois da ponte do rio Karkasse - onde, ao seu redor, situa-se uma pequena vila - há aproximadamente duas semanas. Trouxe comigo todos os mantimentos necessários; ferramentas, comida suficiente até encontrar caça, madeira, roupas, higiene, foto de uma boceta (que levo sempre na parte de trás do meu Marlboro branco steel), freezer de isopor gigante, isqueiro e até minha punheteira de caça, com estojo de balas e tudo o mais. No primeiro dia de chegada, a primeira coisa que fiz - depois de montar acampamento, é claro, e também esvaziar o caminhão - foi arar o chão e começar minha horta. E é óbvio que plantei uma cacetada de milho, porque sou viciado nessa merda.

Pois bem, voltando ao ocorrido de ontem. Fui dormir feliz da vida, meu milho tava quase pipocando e eu já podia ver uma espiga se enchendo de beleza e vontade de virar sopa. Estava quase pronto pra ir dormir, quando ouvi uma barulheira danada vinda lá de cima, quase do céu. Corvos, saquei na hora. peguei minha punheteira, mas depois decidi trocar por um estilingue que eu tinha feito pra brincar de machucar pássaros. Escolhi as maiores pedras pra pegar os bichos desgraçados em cheio no crânio. Barulho excessivo lá fora, grunhidos, berros agudos e som de asas se debatendo. Abri a janela pra dar uma espiadela. Devia haver uns cem corvos espalhados por toda minha plantação. Devoravam meu milho, tanto quanto devoravam a si mesmos e uns aos outros. A palavra diabo nunca passou tão forte pela minha cabeça, e ainda por cima era noite de lua cheia. Malditos, pensei.

Saí lá pra fora equipado com o estilingue na mão e uma sacola de pedras na outra. A cada passo que eu dava, os bichos ficavam mais loucos e atiçados. Foi no que eu preparei uma pedra que um par deles voou direto na minha mão, arrancando numa sangrenta e aérea disputa minha única arma. Olhei pra onde tinham voado aquele desgraçado casal de corvos, e vi o estilingue, mas gozei mesmo quando avistei meu machado a meio caminho. Corri até ele, narrado por berros ensurdecedores vindos de todos os corvos. Não havia um sequer em silêncio, parecia que lhes dava prazer berrar enquanto destruíam minha plantação. Catei o machado, e aquilo me fez sentir como um deus romano.

Fui de encontro aos que estavam na plantação, girando o machado no ar e vez que outra atropelando uma cabeça de corvo perdido no chão. Quando me aproximei da plantação, onde os malditos, para meu desprazer, estavam concentrados em massa, pude sentir um fedor indiscritível, uma mistura de chorume com galinha podre. Fui até aquela espiga por quem me apaixonara perdidamente, aquela que estava prestes a desabrochar, e vi um maldito e gordo corvo terminando de devorá-la. Aquilo pra mim foi demais, foi a gota d'água! Puxei meu machado e fiz-me arco, soltando toda a força que pude colocar no corpo inteiro naquela machadada, mas quando acertei o chão, vi que o maldito corvo já havia se misturado na multidão, e tudo o que cortei foi a espiga, antes linda, agora, feia e devorada por um intruso fedorento.

Depois disso, não lembro muito o que aconteceu, mas sei que giramos, eu e o machado, em meio aos corvos, até que o fedor deles me desligou lá no meio. Acordei com um globo de sangue seco ocupando o lugar da unha do meu dedão direito da mão, no meio da minha plantação que agora fedia tanto quanto eu e os corvos covardes. Vingança, pensei, e voltei pra dentro de casa, e foi aí que fiz a maior merda que podia ter feito pra aguardar a próxima noite: um espantalho.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"Sonar"

Meu viver oscila e é feito morcego
dorme se afogando
e acorda queimando
Sonar é o mistério que me tira o medo
num rumo bem-vindo
de regresso ungido

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Tempo Rei

Que tantos mares velejei;
Que sou verso no que bem sei;
Que cem mil núpcias terei;
Mas só o tempo é rei.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

É

O quebra-mundo vai girando
E as cabeças vão se encaixando

Cumã

a) Reincidente
b) Centro das atenções
c) Mar de gente
d) Borda das intenções
e) Desbundante

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mínimas Máximas V

Nos tempos de hoje, quem faz ao vivo é Globo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uivo

Os ventos mudaram
uivaram de longe,
puseram respeito,
chacoalharam o monge
que habita meu peito

Eu sinto a maré
chegando mais forte
invadindo a rua

Temo em subir
pois caí da lua.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Essa coisa de felicidade...

Essa coisa de felicidade
Isso aí é tudo bobagem
Mas a coisa é que quando acontece
O caminhão entra e sai da garagem

Não não - não se preocupe comigo
E assim não me abala o futuro
Mais insuportável o alfabeto
Cada vez que ensopo meu pão duro

Estar devendo à sociedade
É um fardo que me descobriu
Da harpa me jogaram no útero
Me mandaram à puta que pariu!

E eu tenho ficado mais velho
Bem-vindos, pêlos do nariz
Posso até cortar suas finanças
Mas jamais chegarei na matriz

Confesso que até os dezoito
Foi bacana viver nesse bundo
Daí em diante, porém
Daria tudo por um dom vagamundo

Essa coisa de felicidade...
Fez o cachorro enterrar o osso
Enquanto a gente desenterra a idade.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Hoped


The greater the road, the higher the load
Till I find the princess that'll kiss the toad

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pitiful of Myself

You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well

There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful of himself

With no one to understand him
No one to share a hug
Simply no one to trust

No one to tell him why
No one to join him when
He cries

Smallest problems seem to kill
Biggest reasons give no thrill
No challenge at all

And this man will keep living
Surviving and giving
Away his time, his space

For there's no hope for passion
He just won't stop to measure
His feelings for anyone

You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well

There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful of himself

When this man turns out to be
No one else but me
I'm only pitiful of myself

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Hoje

Virado e em movimento;

Com sacrifício, ganho tempo;
Com vontade, construo e cresço;
Com um anjo, tanto faz o endereço;

Movimentado e me virando.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Vidilipendiado

No segundo andar da varanda
Entreguei-me ao piano
E seu vilipêndio
As lindas notas do chopão
Brasaram ao furor de meu incêndio

Recostei-me em meu divã de sonho
Rebusquei a pureza feito índio
E na desmacaquês dos segundos
Soou o suor de meu miocárdio
Bradou o sino cemiterial
Coeso tão quanto infernal

Noturno feito este recital
O fim de mais uma obra
Madrigal

Poesia às escuras (literalmente) ouvindo um nocturno aleatório de Chopin

E sou assim..

Um ser imaturo
Com capacidade de dominar o mundo
E vontades de ser músico e constituir família
Numa preguiça que provoca gozo ao ser superada

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pensei em escrever
O quê? Ah, qualquer coisa...
Acordei quinze pras oito
Com papel higiênico limpei o salão
Fui ao banheiro e fiz xixi sentado
Andei um pouco pela casa
Dei vazão às minhas memórias
Vou trabalhar em Caxias do Sul de novo
Em duas semanas me toco pra lá
Deletei o meu livroface
Me sinto mais livre
Mas acho que ainda demora minha prontidão
Pra bloquear maus instintos
Eu sempre fui é muito bicho
Arrependido depois de levar o tapa
Hoje está um dia lindo
Sinto falta de escutar música
E sentado aqui nessa cama lembrei
Que um sonho quente com ela sonhei.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Arrancou meus olhos
e jogou
no
vaso
Eu sempre quis
olhar as nuvens
do
avião
Deu descarga
mas eles não
foram
embora
Eu nem dinheiro teria
pra voar
de
pavão

Banho aléns.

E me questiono aonde pertenço, e cato os cabelos do ralo, fecho a ducha, seco o corpo e estou arrumado, mesmo pelado.
Você pode facilmente lavar seu corpo, mas dificilmente lavará sua mente.

Ponho minhas roupas e saio do banheiro, estendo a toalha, fico pensando no demente rumo que tragou as coisas da galáxia. Uma realidade perplexa para aqueles que não tiveram, na sua raíz, amor familiar.

Estou pronto pra outra partida de xadrez, brincar com a lógica é que me soa bem.
Tento retomar o início do meu tumor cerebral. O que houve; como ou por que fiquei assim, tão simples por fora, vendavalesco por dentro. Cérebro inchando.

No ocorrer de cada xeque aplicado, o medo de explodir. Você sabe que não agradará a todos. Não quero tratar meus amigos como simples visitas, e vice-versa.

Mate. Vontade de tomar um chimarrão mais sóbrio que o peixe mais profundo do oceano atlântico. Pegar um pôr-do-sol no Gasômetro e sentir. Apenas sentir. Não à necessidade de qualquer vida substancial.

Eu sigo.
Vá em frente, nem que antes tenha de ir pros lados ou pra trás, ou fingir de morto!
Quem sabe um dia, aproveitar os múltiplos orgasmos da sabedoria em seu sumo.
Um dia, lavar a alma para o resto dos demais.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Escrita covarde.

Você é cruel.
Seu silêncio corta o estômago.
Você me deixa sem palavras.
Conhece bem o meu medo de te perder.
Me ameaça e me coloca na parede.
Você,
que é a maior das esperanças,
faz o homem chorar sem razão,
faz ele ficar sem saída,
pra te dar o prazer do desprazer,

sabe-se

porque.

Você sabe ser fria,
você sabe me ter e quer me conter,
você não é digna de vingança,
por ser uma mestre da aliança
entre a dor e o prazer.

Você me ama e me fere,
me diz que vai embora
se eu errar.

Você,
que alegria trouxe,
em si mesma se perdeu,
e às bocas da dor
se concedeu,

sabe-se

porque.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Hoje

É muita pressão.
Haja paixão.

GLaSkaTChAkaS

Embuzinamento de pensamento; líquido de pus de peito; escorrimento de larvas pelo ralo; ódio de amor de necessidade; almirante ao mirar ao mar; blasfêmia fêmea plastofóbica; suor de masturbação resignada; osso de esboço no fundo do poço; cartola portadora de merda; ansiedade cleptomaníaca de felicidade; esterco antes da produção; beijo de vômito mútuo; cura pela dor de cura; meritocracia por indicação não hierárquica; poeira de tozóides mortos sem esperma; big brother banheiro; creme de espelho de elevador; pulo voluntário da vida à certeza assassina; zug-zwang passivo; reis pedófilos progenitores; mendigo sem bebida; apenas partida; eterna derrota; oito e oitenta; tiro e coma; coceira nas costas; suco de bunda em plena segunda; solidão.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mas eu não sei.

Eu não sei se vos preciso. Muitos sei que me precisam.
Muitos vi que me degustam. Poucos sentem minhas fugas.

Pequena questão.

COMO?
Como ei de encontrar meu rumo sem mandar-vos todos à MERDA?
TODOS.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mínimas Máximas IV

Nos tempos de hoje, quem faz ao vivo é louco.

Dilema da Vontade

A vontade me quer, eu sei, mas pareço nunca estar à vontade.

domingo, 23 de outubro de 2011

Hoje

Só queria dizer que não estou nem um pouco inspirado.
A inspiração é como uma pluma que desce sem se preocupar com seu destino. Logo, está ali, pronta a ser observada, seus porquês e por ondes, todos eles apaziguados pela vontade de ir além. Paradoxo.
Não me sinto à vontade pra dizer qualquer coisa. É porque tudo o que eu disser vai soar como um sopro contra o vento, e eis que desde então motivos para este não hão.
Posso garantir a minha futura sobriedade, mas quem garante me garantir o sossego de sequer aproveitar minhas palavras? Se eu não quero mais ficar, é direito meu divagar, mas nunca dever, nunca dever deveres demais por aí. Só o que cai do céu é a chuva. O raio deste dispara.
Cheguei a um ponto em que tudo o que eu faço me parece da mais inútil futilidade, redundante como a própria redundância, tanto desta como das demais, passadas, presentes e futuras com as quais eu tive o privilégio de desprivilegiar as tais.
Pensar dói. Como um tumor que sabe estar ali, porém nada fez e nada faz para denunciar sua estadia, tanto sabe ele o quanto é importante para si próprio estar em dia com a fadiga do precursor de um dia vagabundo como qualquer outro.
Minha obcessão por mim mesmo fez-me garantir a não confiança de enfrentar o não enfrentável, sobrepujando meu ódio com um quanto de vontade de ir embora, muito mais que a de ficar. Minhas palavras não dizem nada, tão somente o fazem e o farão, para todos e para sempre, sempre.
Há uma fila no céu e outra no inferno. As duas são tão lindas, longínquas, raras, mas tão comuns, vagas, gastas, vastas no tudo que há de multidão no mundo. Peste, ser humano, peste eterna proliferante você mesmo.
Dentro de toda a lógica que cansei de rezar, uma infinidade de caminhos que por já mapear demais resolvi não traçar. Trajetos infindos de um sono pesado, pois quando acordado o trajeto é estar, e quando sumido, faz-se odiar. Lógicos roupões, ao Sol, a secar.
Hoje, canto a emoção que será o amanhã. Com o ar de vitória que conquistei ontem. Vitória sobre o ar que restará até não mais haver amanhã. Ar que me instiga a não mais existir. Canto com vitória do ar que eu quero expelir.
Dividendos a esta terra, só aqueles que souberam me fazer vomitar pedirão. E jogarão tristes as sementes no chão, porque não houve metáfora que se pudesse aproveitar, saído de minha grande boca só o blasfeme borbulhar.
Adeus a deus, adeus ao ar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Você, pássaro meu que vem voando de mansinho.
Calma, tranquila, pra esse inferno de dante.
Você nem sabe aonde está se metendo.
É tudo bizarro demais nisso aqui.
Outro mundo, outra vida, outra gama de sentimentos.
Você vem pra renovar a minha capacidade de sentir.
E pra partilhar comigo todos os sonhos de um outro plano.
Porque, sinceramente, tenho medo de que não me gostes.
Há muito já parei de exprimir qualquer coisa.

A vontade de se jogar do morro é passageira.
A vontade de voar sem retorno é infindável.

Tenha isso em mente, e me faça muito feliz.
Assim de longe já o faz né, imagine só aqui.
Acho que és a mais intensa época de minha cuca.
E também um grande desejo de revelar, coisar.

E quando você chegar, vai ser só alegria.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Doçura ♥

Tão longe, mas tão perto que se a pode esperar
Terra amarga, 'água doce que me promete inundar

Sopra o vento na janela
Me fala coisas de amor
Mês passado tinha cheiro
Mês que vem terá sabor

Vida doce, desamarga por inteiro a laranja
Tão perto, de longe colhe, planta, nasce e se esbanja.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Television

It already led you to your next hundred shoppings, right after you turned it off.

domingo, 11 de setembro de 2011

Há algumas horas fui filmado, mas não fui rendido.
Tem boa gente como eu que sabe que não sou bandido.

Entrevista

E se tudo não passar de uma mera coincidência?
- Vou correr com ela mundo afora e que se danem as conseqüências.

Qual a sensação da longa espera por um sonho?
- Quando nova, é linda. Enquanto passa o tempo, começa a arder, mas é uma ardência boa, na boca da alma, atiçando o fogo espiritual que traz a pressa do amor.

Você disse que, às vezes, parece loucura...
- Sim, realmente, e são muitas as vezes. Mas eu ando bem maluco ultimamente e, cá entre nós, não faz diferença ser normal. ;D

E quanto ao passado?
- O que tem?

Te faz ter medo?
- Um pouco, mas o humor possibilita feitos matavilhosos, de pavor à gozo, e estou disposto a cultivar toda a gama de possíveis sentimentos. Medo é só um dos sete pecados. (risos)

Se você pudesse adquirir uma aspiração musical, através de qual fonte seria?
- Bem, tenho escutado muito uma música em especial chamada Lizard, do King Crimson. Mas se você diz "encarnar" um personagem musical com o coração, fico entre Fred Mercury e James Brown. Mas estamos no século XXI e, como disse um grande amigo meu (desconheço se por sua própria autoria), é o paradoxo da nossa geração: "Se todas as portas estão abertas, não há nenhum caminho". Quanto a instrumentos, deliro a me imaginar ao flanco de um saxofone, ou, quem sabe, uma maravilhosa Lira, encantando com uma melodia ensolarada.

Você desistiu do violão? Não se imagina na guitarra?
- Não desisti, apenas tenho um violão empenado e que desafina o mizão quando se tenta afinar a mizinha. Ainda quero resolver meu problema dos mindinhos e aprender a derramar um fraseado bacana direto da cabeça pras cordas, mas sem qualquer ânsia por enquanto. Não me imagino na guitarra. De fato, acho que tenho uma queda é pelo baixo, apesar de não ter ou nunca ter realmente praticado algo nele. Sempre imagino o baixo muito antes da maioria dos outros elementos em uma música.

Quais suas aspirações para o futuro? O que você acha que vai acontecer?
- Eu bem que queria saber. Até joguei Tarot esses tempos, e meu destino musical está tranqüilo e seguro, salvo um pequeno cuidado com o diabo e a morte que, vamos combinar, também curtem música de montão. (risos) Quanto a demais realizações futuras, não há o que saber, mas pode-se dizer que eu vou relaxar e curtir ao lado de minha querida alma gêmea e depois lá se sabe o que vai rolar.

Você se considera um músico? De uma forma séria?
- Não não não não não, de forma alguma. Eu não vou levar a música a sério. Nunca levei, nunca levarei. Eu sou um músico, sabe? (risos)

Você acredita que exista o conflito Família X Música?
- Não sei do que você está falando. Minha família está para mim como eu estou para minha família. A música não tem a ver com eles, salvo por exceções de influências musicais, muitas por parte de pai e algumas por parte de mãe. Acho que se minha família quizesse ordenar ou apenas cultivar minha horta musical, eu não possuiria o talento de um cantor solitário e sairia cantando as merdas que tem por aí. Isso, ainda, se qualquer tentativa desse certo. Sou a veia artística da família, e falo por mim, apenas, pois sou uma espécie de descarrego genético de acumulado talento, modéstia à parte.

O que você mais odeia em uma pessoa?
- Tem dois sujeitos que me fazem ter vontade de cortar línguas e pescoços por aí. O primeiro é o falastrão, aquele cara que muito fala e pouco faz, apenas quando caem na sua gandaia. E tem gente que se sai muito bem nesse papel, vou te dizer. Alguns são "líderes", digamos assim, de suas emburrecidas nações entorpecidas. Odeio esse tipo de gente e sempre vou odiar. Em segundo, o sujeito bundão, que se ofende porque você estava meio alto e se esqueceu de responder a pergunta imbecil dele, ou por que você não gostou da música que ele colocou, então ele fica olhando pra baixo e te faz sentir culpado. Sou um cara calmo e até respeitoso demais, não consigo encarar a sagaz bundolência que é olhar pra uma cara de bunda e ser bem sincero na chinelada.

Você acredita em amor à primeira vista?
- Acredito em energias equivalentes, em sexo bom, em belezas e proezas incomuns e principalmente na tranqüilidade em conjunto. Com dois itens ou mais, pode rolar um amor bem bacana, e pode ser à primeira, segunda ou até décima vista. De que importa afinal?

Você disse que acredita em perfeição. Explique.
- É a rebeldia que levarei comigo ao túmulo, ou ao vaso. Quando você é criança, te puxam da perfeição e te ensinam o medo. Você ouve berros, apanha, tira dos palavrões que evocou da raiva de seus pais a inspiração pra levar adiante a cultura do ódio. Acredito na perfeição e vou continuar acreditando. Não é algo que pode ser definido em palavras, é simplesmente estar de acordo consigo mesmo e com o mundo ao seu redor. Ainda chego lá.

Uma frase para encerrar a entrevista; um momento que você vive atualmente.
"De companheiros, eu preciso, e vivos - não companheiros mortos e cadáveres que levo comigo aonde quero." Friedrich Wilhelm Nietzsche

sábado, 10 de setembro de 2011

Eu não vou levar a música a sério. Nunca levei, nunca levarei. Eu sou um músico, sabe?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

- Aí vão os nomes: Dylan, Ernesto e Boca.
- E como fica a sua situação? Não espera que eu passe a mão na sua cabeça apenas pelo fato de ter-vo concedido autoridade líder.
Pensei por alguns segundos, cabisbaixo. Não é bom olhar os coordenadores diretamente a seus olhos, isto é, quando se está pensando. Devoram expressões faciais e logo estão a devorar o cérebro. Quanto à missão, não foram erros tão graves, porém, impediram um desfecho perfeito, objeto desejável por qualquer mercenário.
- Eu fui o organizador da incursão, assumo, mas esta foi apenas caso secundário. O principal objetivo foi verificar potenciais para qualquer alvo posterior e mais sério. Quis aproveitar a oportunidade, pelo senhor concedida, para iniciar meu arsenal de contatos. Espero não ter sido audacioso demais.
- De forma alguma. Começo, inclusive, a reconhecer-vo uma faísca de genuinidade. Mas detalhe, agora, os aguabaixos.
-Certo.
Respirei breve porém profundamente. Resumi:
- Boca sucumbiu à persuasão do anfitrião logo de cara. Ernesto saiu de fininho durante a pressão da oratória. Por fim, Dylan é um sujeito muito violento. Não soube engolir o orgulho e quase esbofeteou um segurança durante a saída.
- Por qual razão?
- Nossa deixa procedeu forçadamente. Os seguranças nos guiavam com leves empurrões, cuja satisfação não havia. Dylan estourou e quase jogou seu punho na cara do grandão. Por sorte, eu estava do seu lado esquerdo, e ele é canhoto. Fiquei atento ao denso humor do compatrício e segurei-lhe o braço na hora exata.
O coordenador Roger fechou seus olhos e computou algo complexo, penso que calculava a diferença entre o que eu já havia dito e o que acabara de informar. Fiquei admirando a sua capacidade mental, sem perder, é claro, meu olhar responsável e presente. Passados alguns segundos, levantou pálpebras e indagou firme:
- Qual o seu grau de responsabilidade em cada falha?
Tomei ar de inocência com seriedade. Sempre me saí muito bem concluindo dessa forma. Apesar de ter certa intimidade com Roger, também funcionava.
- Bem, quanto a Boca, realmente não houve algum. Treinei sua oratória durante três sessões de seis horas cada, uma por dia. Em todas, a introdução se fazia por ressaltar a sua importância na missão, cavando fundo para dizimar sua covardia. Penso que o calor da hora tenha feito-lhe perder um bocado de iniciativa, já que o receptor soltou um blefe moral logo de cara.
Fiz uma breve pausa, a qual Roger logo reconheceu como natural.
- Prossiga.
- Ernesto mostrou-se um bocado preguiçoso durante o treinamento. Os demais recrutas chegavam sempre no horário, e alguns até faziam hora-extra sempre que eu estava disponível. Mas Ernesto...
- O senhor deveria ter acionado o processo extintor.
- Sim, perdão. Eu solicitei a permissão para adicioná-lo à lista, porém o Carrasco disse estar ocupado demais e, creio eu, inventou uma burocracia qualquer como desculpa. Além do mais, decidi não tomar soluções extremas sem a sua autorização, coordenador Roger. Tentei resolver a questão por mim mesmo, mas falhei ao treinar Ernesto. Me perdoe.
- Falarei com o Carrasco sobre o assunto, e também falarei com Boca.
Pestanejei, seguido por uma levíssima pausa de Roger. Ele prosseguiu:
- Acredito que um pouco de contra-violência lhes faça retomar a razão. O senhor está dispensado, Luna II. Apesar deste pequeno erro, vou creditá-lo como líder para a próxima missão, devido a seu grande talento para com o treinamento dos demais. Retorne ao seu escritório e redija o relatório completo para o Mor. Em prol de minha confiança, concederei-vo minha assinatura sem revisar.
- Obrigado coordenador Roger.
Acenei-lhe com a cabeça e saí do quarto. Roger sacou na hora que o Boca foi apenas um curinga, mas preferiu não mencionar a questão comigo, talvez o fizesse posteriormente.
Enquanto voltava para o meu escritório, olhava apercebido para as paredes. Em tons de carmesim, harmonizavam com os grandes lustres horizontais, tão confortante era a luz alaranjada que deles emanava. Não havia, neste belo e curto percurso, forma alguma de evitar as pesadas reflexões sobre tudo que ocorrera nos últimos dez anos. O mundo girou, virou, mudou para um relógio.

Sinceridade?

Não precisa papel pra limpar as merdas que faço.

sábado, 4 de junho de 2011

You've been so worried all over the Sun...
...suddenly forgot you're also a star.

Mínimas Máximas III

Publicidade: Eleitor do Século.

Mínimas Máximas II

Keep spittin' till ya spitafuckin' DYAMOND!

Mínimas Máximas I

Você é o que você usa.
Larguei bebida,
cigarro e lasanha.
Mais fácil seria
Fugir da cegonha!

Latir...

...ainda que me falte coragem.
(concluiu o cão covarde)

Dia de Trabalho I

Os viralatas todos doentes de raiva.
Os moradores e seus cães: comuns.
O panfleteiro desmorado e mordido.
Indesejos; feridos.
Zoopsicopatia.
Ontem eu pensei.
Hoje, compro.
Amanhã eu escrevo...

terça-feira, 10 de maio de 2011

[Oldboy]


Ria e o mundo rirá com você.
Chore e irá chorar sozinho.

terça-feira, 22 de março de 2011

Assimetria, Biografia

De um pequeno bebê, nasceu um alegre menino.
Possuía todas árvores sem quaisquer preocupações.
Alegria, sua arte. Vida, seu mezanino.
Parentada, sorridente sem pedir suas razões.

Tornou-se um quase crescido, mas não assumira:
os motivos dos outros não batiam com os seus.
Sua espontaneidade há longos anos sumira,
iludido, o garoto este fato acolheu.

Depois, quase homem, ele logo desenvolvera
aptidão perceptiva para com tudo o que é seu.
O mundo, de tão pequeno, drenou-se em sua peneira.
E o então quase homem o universo rendeu.

Capturadas as órbitas, estrelas e aléns,
em sua loucura, residiam os fatos.
Tanto fazia para ele, Deus ou seus poréns.
Sua glória não merecia mundanos artefatos.

O homem, por fim crescido, porém, nunca apaziguado,
desafiou o seu espírito com reles juras mentais.
Sentiu que é impossível realmente ser amado,
Enfezou-se no conflito entre os seus ideais.

Pisou na humanidade, porém nesta se encontrava.
Amou a poesia, vida, morte e ressurreição.
Cobiçou sucesso humano enquanto a arte ele amava
e, contra sua vontade, aspirou à perfeição.

Isento de lábia, de métrica e de futuro.
Não luta, não aceita, jamais é derrotado.
Cabeça para o céu, pernas amando o muro,
Joga com a idéia de por si ser saciado.

Na busca por soluções a seus delírios ideais,
o homem vê suas coisas: belos perjúrios triviais.

Poesia provavelmente datada de dezembro/janeiro.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Status: Ausente

Sem internet.
Com amor e alegria.
Caxias.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Vácuo

Perdi o interesse pela leitura. Não quero mais escutar música, nem assistir TV, muito menos ir ao cinema. As pessoas não me despertam novidades, tampouco o vice-versa. Há meses não sei o que é ficar ao Sol, e pela noite eu vigio uma tela e o alfabeto distribuído em teclas, sem qualquer esperança. Crítica, cultura, vontade, criatividade - todas palavras extintas por meu ócio absoluto. A minha percepção dos fatos está alterada, de forma a criar bloqueios reativos para cada faísca de cura. Há anos não derramo uma lágrima, há décadas não te olho nos olhos com firmeza. Sinto-me livre dentro de meu quarto e preso por meu cérebro.
Perdi o interesse pela esperança. Não quero mais escutar as mesmas coisas de sempre. Não quero trabalhar, nem estudar, muito menos acordar. Minha pele está cheia de feiuras, meus dedos estão quase mortos, meu pé, entretanto, não cessa sua intermitência nervosa.
Passei duas horas pensando no dia em que alguém cortaria minhas cordas vocais com uma faca, removendo a minha capacidade de cantar até o dia de minha morte, e aceitei o fato. Motivo de entretenimento - ter justificativas para ser louco. As pessoas são tão frias que conseguem fingir perfeitamente seus calores. Os pilares sociais desabam sobre mim, ao que eu vejo meus vícios como os únicos amigos. É nesse troca-troca de interesses que eu vejo a tolice suprema da humanidade. A necessidade do indivíduo de abdicar-se da sua condição auto-suficiente para tornar-se escravo de um grupo liderado por um ou outros indivíduos cujos quais possuem esta mesma condição mais íntegra me faz ter a jovial fantasia de homicídio.
A grande razão existencial do século é ver quem prova ser o mais problemático sem se expor à dignidade da pena alheia.
Nada que cinco ou seis horas de sono não resolvam.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Illogical Brainstorm

Trespasser ant, slides in a bubble shade.
Such a wonderful guitar I came to play.
Coffee attempts, brown adjectiveness.
Thru any of this, that colours I blame.

I have the right to judge you! Hahah...
And the will to crush those fucking ants.
Trespasser sins, get into some kind of revealing.
Even though, some kind of conspiracy is always there.

There's a man with an axe in his hands,
and while his wife collects the remaining clothes,
he aims to the already cut off tree and fires on.
I always thought nonsense as a way of life,
but there's something strange about your feelings.
Guess we'll have to fix these little details:
they are running outta the fire range...

Hey! Green river! I see little waves.
For it is your dream to become a lake.
And the lake's nightmare of drying
- before it turns into an ocean.
Need not the help of the Sun, the Oceans.
But they aren't that weak masses of nothing anymore.
Where some disagreed world chose to turn into a something.
And the river costs the lakes a movement.
And the lands are all full of gore.
No time for trying an underestimating force,
we're already gone.

And this, and some of that, boom, lady!
It's ready!
Get your stuff, waitress! We're moving to the sea!
It won't be long before it fulfills the universe.
Our universe - mother earth.
She laughs at us while we lose the wing.
Roger that. I guess it's goodbye.
So long I hear the old grandma calling me.

Stomach, stomach.
Needed to a good sleepy night.
And I'll push the wall in an inner-tight,
self-confident way.
So that I don't need to pass the red cheeks feeling
of unnacomplishing the unnatural play.

Yeah, it doesn't make any sense.
I'm funny. And you're horny.
As long as you're tired of your eyes.
As long as you're working your goodbyes.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Síntese da Metamorfose Estática

O que era engraçado se tornou previsível,
o que é previsível se torna desprezível,
o que será desprezível se tornará ultrapassado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Foder Contigo

Foder contigo é uma delícia
Tomar de gute a tua malícia
Mijar no fogo da tua carência
Foder contigo: cheirosa decência!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

[...]

De canto, descanso...

Sou funcionário escrachado
O crachá, resguardado
Eu, ensolarado

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Screams out of Hellwhere

do you know where he hell is babylon???
do you dream endless herbs and freedom???
can't you see... it's nobody's fault but yours!!!
it's nobody's fault but ours!!!

The captains ran out of ammo
Their toes lost the will to harm
Our image, too, must be there
for there is no other fault but a flight

The colonels drink beer no more
For whiskey is a tool of honor
Our drinks, they serve to procrastinate
A flight thru the faults gone untold

do you know where the fuck is the honor???
do you live long life shows for seconds long???
can't you feel... it's hellbody's fault but blood!!!
it's nobody's fault... but us!!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Big Bang, Paranoia, God, People

If, only once, all the clocks around the world could match in perfect rhythm,
God would be omnipresent.
If, only once, all the living hearts could wear the very same feeling,
God would be omnipotent.

If, anytime, hours and measures could mean nothing,
There would be free will just like there is eternity.
If, anyhow, these few words could ever be true,
People would have no more pleas for this universe.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Enigma da Teia

A aranha nasceu e cresceu
Sua teia, a aranha criou
A mosca, tão só e incompleta
Na teia da aranha pousou

A aranha viveu e morreu
Sua teia, a aranha deixou
A mosca, tão só e incompleta
Na teia da aranha ficou

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Espírito Alívio

Minha carta na manga é meu futuro amor. Que seja uma dama de coração!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lembrança-Minuto-Mitologia

E o cheiro desta viela,
d'outras vidas tão fantástica e bela,
insere a saudade da infância
feito uma lança ao penetrar a fera.

[feito uma onça ao fugir da cela.]

para: Ânsia

És sádico! Covarde... És um espanador depilado!
Apresento a ti o real valor de tua fama:
Teu medo.

Não temam a mim: temam às minhas evidências verbais.

Pensando em Charles Manson: Mente psicoindagadora. O Deus da confiança. Será o único jeito de obter a tão sonhada absoluta persuasão - uma mente sem limites morais? Perder-se (ou revés) em sua própria certeza, quebrar miragens com sangue, vestir medalhas acordoadas por devoção e respeito a um único líder? E então, a paranóia: seríamos nós os escravos do genótipo revolucionário?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Se me mostras um gosto teu e sinceramente digo-te que a este me desgosta, te ofendes porque és fraco.
Se julgas a imagem antes mesmo de conhecer o conteúdo, te ofendo: és um ignorante.
Se conheces o conteúdo e não és capaz de apreciá-lo porque este foge da tua natureza, és limitado.

Quando xingas o outro dizendo que por ele fostes infringido, ouvidos meus receber-te-ão assim como àquele que causou-te tal infração.
Vês um acidente na rua e logo vais fotografando, comentas com teus comparsas, rindo-te, entonando tua voz. Chegas em casa, vês telejornal e, na presença de um outro acidente, choras. És um hipócrita.

Na televisão, os gordos deuses populares logo incentivam a morte como única solução para aqueles que uma vida sem jóias receberam. Após cumprirem sua missão, estes mesmos deuses chegam em seus lares, enfartam-se com tua raiva, enriquecem tua limitação e põem-se a dormir, certos de que tu nunca incentivarás a morte de quaisquer deuses. Sonham que estão rindo de ti, pois em seus sonhos tu não passas de um jumento.

Recebes a banana de casca podre e não a descascas, logo, tu enfias tudo dentro da tua pequena boca. Quase vomitas ao engoli-la, teu organismo não digere. Ao cagar a banana, estás feliz novamente e finges que nada aconteceu. Vês, então, um outro a comer a mesma banana podre. Tu olhas para ele e afunda-te em gargalhadas por dentro, ao ver sofrimento alheio compatível com o teu.

Não entendes uma palavra do que digo. Infeliz, não me trazes uma novidade sequer.