quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Muié fina


Ocê qué qui eu seja teu iscravo
Mas eu tenho uns cravo
Qui ocê num qué catá

Ocê qué qui eu num fique di olho
Mas os meus piolho
Ocê num qué pentiá

Tá achando qui a vida é mole
E só cum rocombóle
É qui ocê qué mi criá

Custumada cum ovo maltino
Meu risotto fino
Ocê nunca vai gostá

Trêis hora no banho e eu nada falo
Meus pêlo do ralo
Ocê qué qui eu vá juntá

Meu trabaio é das seis às vinte
Inda cê qué requinte
E bota cara qué comprá

Eu rezo a Deus qui ocê tome jeito
Qui mi dê respeito
O intão não dá pra confiá

Mas ontem soube que eu tenho guampa
Vaca, sua anta
Eu vô tê qui ti matá


E vô imbora na minha carroça
Te dexá na roça
Enterrada a mofá

LASCA!

O Corvocida - Parte 2


Chapéu de palha que nunca usei; Cinco cabos de vassoura, quatro pro tronco e um pros braços, amarrados por cadarços de tênis que eu guardava há anos, com a sábia certeza de que, um dia, serviriam pra alguma coisa; Uma camiseta, meu xodó, que eu usava (e nunca lavava) pra limpar a porra das minhas punhetas, quando estava no clima de fazer a coisa na cama mesmo; Uns duzentos e cinquenta dentes de alho, que descasquei um a um pensando carinhosamente como se estivesse descascando, na verdade, a cabeça de cada um daqueles queridos corvos, alho por alho, dente por dente (cheguei até a mastigar um ou dois, pensando nas cabecinhas fazendo crack crack, com seus cérebros se tornando meus chicletinhos); Alguns dos meus menos estimados (entre quebrados, feios e mofados) bonequinhos de madeira. Uma regata listrada de verde e vermelho, a qual usei durante os poucos eventos festivos que fui em minha vida, inclusive no casamento do meu irmão com sua prima (que me chupava porque, segundo ela, gostava do "suquinho"); Cerdas de vassoura; Um lençol rasgado; Uma lâmpada.

Pras pernas, amarrei dois cabos de vassoura, paralelamente, depois amarrei um na transversal, pra fazer os braços e, pra me divertir um bocado, quebrei os outros dois cabos batendo contra o peito da perna, viraram quatro, então, amarrei os quatro queném fiz com os das pernas, pra fazer o pescoço. Prendi tudo. Cravei aquela porra na terra, bem fundo, e chutei algumas vezes. Ficou intacto, beleza. Sobrou um pouco de cadarço, então usei pra amarrar as cerdas da vassoura nas pontas do cabo transversal. Fiz, assim, as mãos. Peguei com muito cuidado minha camiseta (tinha um cheiro pútrido  mais tenebroso que a tenebrosidade) e estendi ela no chão. Joguei os dentes de alho todos ali. Tive que voltar em casa pra pegar um prendedor e duas sacolas, porque fiquei com nojo, de verdade. Voltei ao milharal. Forrei minhas mãos com as sacolas, respirei fundo, botei o prendedor no nariz e comecei a prender o alho dentro da camiseta, de forma a parecer uma cabeça humana. Era quase impossível. Eu podia sentir o cheiro de porra apodrecida misturado com o do alho. Aquilo cheirava pior que a bota mais chulepenta do diabo, e se eu respirava pela boca, sentia um gosto pérfido e ácido, desumano. Poderia afastar um vampiro pra nunca mais voltar ao país. Quase vomitei toda a feijoada do almoço, mas consegui dar um nó maneiro e pendurar aquilo nos cabos de cima. Ainda com o prendedor no nariz, peguei a regata style e preguei no cabo transversal. Lembrei da prima, bons tempos.

Fazia anos desde a última chupada que ela me dera. Ia até o fundo da garganta e depois voltava, mas o melhor era quando ela se afogava. E eu fazia questão de nunca avisar quando tava vindo, sempre pegava ela de surpresa, e ela se engasgava, tossia e depois ficava toda envergonhada, sorrindo queném uma boboca. Aí eu pedia pra ela escovar os dentes, por causa do marido, mas ela sempre ficava mais um pouco com a gelatina na boca. Dizia que era quentinho e mágico, olha que anjinho. Bons tempos mesmo. É uma pena que meu irmão tenha estourado sua barriga com a punheteira cano duplo, logo depois dela contar que o filho "talvez" não fosse dele. Confesso que ele abusava um bocado da coca, mas enfim.

A obra de arte estava quase pronta, agora só faltava um toque de requinte campestre. Peguei o lençol rasgado e fiz uma capa maneira. Pendurei na parte de trás do cabo transversal, e vualá! Ou talvez não. Ainda faltava a lâmpada. Peguei as pilhas e coloquei na base, depois pus a lâmpada bem no centro de todos os cabos, pra dar um destaque enorme. Tirei o prendedor do nariz e as sacolas e, é claro, me afastei pra dar uma boa olhadela naquele novo companheiro que criei.

Decidi chamá-lo Rudolph, em homenagem à rena número um. Fui tomado de uma súbita felicidade, e já não mais me sentia tão só. Aquilo me despertava regozijo tanto quanto o fazia Wilson para o naufragado. Minhas esperanças refloriram dentro deste seco e despudorado coração. Os novos sabugos levariam mais um bom tempo pra crescer no milharal, mas cresceriam, já que, agora, Rudolph estaria lá para eles, assim como Deus está para todos nós. Era tanta alegria, que joguei minhas mãos para o alto e o saudei:

- SEUS FEDORENTOS FILHOS DA PUTA, VEJAM, VEJAM AQUI!!! TEMAM, POIS ESTE É O FILHO DE SANTA CLAUS E PAPAI TOBIAS!!
ESTE É RUDOLPH!!! HAAAAAHAHAHAHAHAH

Por fim, pendurei os bonequinhos de madeira no seu grande e magnífico chapéu de palha. A deformidade de ambos sossegou meu coração, se amariam tanto quanto eu amei criá-los.
Estava pronto, meu espantalho.

A'lothlorien


O sol da manhã desponta e ilumina a moça na cama
Bate no verde da grama e nas grandes janelas de vidro
Invade o salão de madeira e realça o oliva escuro do musgo
Que naquelas paredes proliferou-se, junto a teias, de aranhas
Há muito idas.

O céu é a única coisa que, com seu azul e núvens, excede o verde
Dali, porém, sô se vê luz mágica transformada pelo vidro ancião
Isto é, se você for essa moça que, profunda e eternamente
Ali repousa, imóvel, insípida, um sonho impossível, o rasgo
De muitas vidas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Árvores móveis.


Eu pensei que talvez te alegrarias
Em saber do bem que tu me fazes
Que ao bem querer meu tu sorririas
Que é o mesmo querer que tu me trazes

Sonhei que sonhos não mais teria
De crescimentos desenfreados
Porém, a alma é quem avalia
Produz sonhos gordos e inchados

Vi no cinema o que é o amor
Que é uma flor de beija-flor amado
Que seu fruto é de um raro odor
Que só a semente se tem achado

Mas não, o amor não é encontrado
O amor é que quer nos encontrar
E o faz, tão bêbado e madrugado
Quando já é tarde demais pra amar.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Trata-te ínguas

Tétano atroz e trombetas trajadas geram rajadas
Dilemas me mimam o mármore
Trítano, tímpano, távola
Sentido, cinco, centígrado
Grana, grama, ganha-pão
Pés, voz, noz, nosso albatróz
Eu, ti, tu, nós, eles, vós
Toldos, boldos, aquéns, quandos
Pastilha, pilha, quadrilha
Forquilha, ilha, fornalha
Palha, milho, milharal
Cravo, uva, vinho, vilão
Quente, quentinho, quintão
Quintal, querência, ênfase
próclise, ênclise, mesóclise
Ateu, atado, atônito, tônico
Assim, assado, arfado, alado
Torrado, torradeira, torrão
Tripé, tetraedro, tentado
Concurso, câmbio, bocão
O peito do pé do pedro é preto
O preto da ré do pedro é peido
Mamãe mamou na mama e mamadeira
O azul-anil do céu com zorro sofro morro louco
Retiro o tinto do tiro e o tiro o tento tinindo
Tratante a tinta trotando te atira à testa o tingir
Tatame tomo tomé tentáculo trovão totem tentador
Atira vira viril vírus Avast Avira AVC
Sensato inssosso solfejo lampejo beijo girino grilo pocilga pulga pinga pitinga pinta tigela late tatu tigre
Grenal nau aureola joia ideia boia iate telão órfã sótão órgão grão porém porá porão pôs pus pague braga bagre
Ronronar narguilé léxico coração sancionei eiterou ouviu uivou aí vou viu vai vem ente terno tenro genro rolimã magenta
Cala boca soca calo bota calça calça bota boto ralo ralo cáqui quinto grito pistão gilberto gil milton vasques questão
Tele-tom tim bum bão
Trata-te trégua então

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Casoi

Casei com a arte
Sofrer?
Faz parte.

Alexia

Feito corvo à ronda da putridez
sinto o cheiro do prazer
e o fedor
contido em cada partícula
do suor
de meu vôo ao desprazer

Como águia fitando a gorda coelha
aguardo o flash
de uma câmera desumana
meu bico mexe
tua inocência profana
a futura cenoura

Tal qual a agulha
daquela vitrola quebrada
empoeirada
à espera de um arranhar
explosivo
naquele velho vinil do Dire Straits

Te acolho em meus braços
cato os teus pedaços
vou te colando
como dá

Seu último truque -
Que fique embaixo da manga.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

...

O sol não nasce
A gente sim

domingo, 6 de janeiro de 2013

Um Tanto Quanto Opor


Tanto quanto rir, posso chorar
Tanto quanto ser, posso estar
Tanto quanto ir, posso ficar
Tanto quanto ter, posso largar
Tanto quanto vir, posso voltar
Tanto quanto ver, posso olhar
Tanto quanto ouvir, posso falar
Tanto quanto crer, posso negar
Tanto quanto abrir, posso fechar
Tanto quanto arder, posso curar

Tanto quanto der, devo doar
Tanto quanto vier, devo lidar
Tanto quanto houver, devo abrigar
Tanto quanto quer, devo instigar

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Revelia

O teu ser proclama, grita, chama
Inflama o espantalho em meu milharal
Reclama um desejo transcendental
Da crença ao baralho; Copas, e a dama

Sou rei sem castelo, aguardo o martelo
Revelo o curinga que confinaremos
Singelas espadas, reforjaremos
Do sangue à ginga, salgado, o elo

Bordamos o emblema, composto o lema
Às pequenas sinas o fogo cordial
No sereno bosque um toque final -
Em nossas retinas, paira o ás de Paus.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Mesmice Materna

Eu vou estar com 40 anos, jogado na cama com meu anjo numa segunda-feira, dormindo até o cu fazer bico após ter ficado o fim de semana inteiro buscando a paz espiritual (e traduzindo um livro desconhecido do Brian Aldiss, que prometerá ser a revelação para o público underground da literatura fantástica), depois de uma semana inteira de intenso trabalho e com todas minhas satisfações pessoais realizadas, além de todas as contas pagas, na minha casa em algum lugar do interior de SC.
De repente, o telefone vai tocar. O relógio marca 18 horas e alguns tantos minutos. Minha menina respira fundo e depois acorda. Falo pra ela me alcançar o telefone enquanto dou-lhe um beijo de boa tarde no pescoço. Ela pega o aparelho, me alcança e põe-se a levantar. Num misto de maresia e parto que é o sentimento de acordar, pensando que talvez seria algum pedido para fotografar um evento, festa, etc, eu disse alô.
Ouço a resposta no outro lado da linha:

- TU CONTINUAS DORMINDO O DIA INTEIRO GURI?

Era minha mãe.

Tenro Sem Bravata

Tenro e sem bravata é o veludo de minha vida,
Depois que boto as calças ele me calça as botas!

Piscada

Do contratempo de um blefe,
A cilada:
pisquei e não matei nada!

Arigunstafari I

"A pluralidade insensorial da mentalidade humana não basta para preencher o significado daquilo que ficou para trás. Os neuroauxiliadores artísticos perplexiam-se perante a força de um bem comum - pois há descendências catastróficas de dinossauros. Do universo, do cosmo e da filosofia de Dali papamos as benéficas vitaminas lunares e ainda sobram músculos forjados, e são cerebrais. Arigunstafari. Penso que logo terei de libertar vocês, ó!..senhoresdosofrimento, para que não mais sofram das calúnias impostas por qualquer prisão."

Meistre Das'arigunstafari Mahafari

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

BAD NEWS!

What's good's already sold
N' what's better's just too old

TELL EVERYBODY!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sazon

Você tem que vir correndo,
pular e me abraçar bem forte:
Aproveitemos a nossa sorte!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Do meu lamber

Em definitivo, jamais me fecho
Jamais me jogo
Mirando um desfecho

Eu sou muito bixo, sempre me apego
E me prorrogo
Pra ter mais um beijo

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Beta

So I'm the bear
And you're the bee.
Shall we?

sábado, 17 de novembro de 2012

Três seis dá nove.

| Das noites sextas

não tenho grana,
não tenho rima,

não há vontades,
jardins de cima,

não tenho fome,
mas tenho sede,

metamorfadas,
voz e a parede.


| Dos passatempos

tirar a roupa,
escovar dentes,

tomar um banho,
jorrar o leite,

vestir o estanho,
sair do azeite,

coçar o saco,
alçar foguetes.


| Das destemências

aguardam sonhos,
olhos de medo,

corpo selado,
cadeado e seco,

aventurança,
é a moça nua,

que não deu mão
ao cruzar a rua.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Flor de Lis

De um carinho sincero, sóis e luas, e ela vinha
Poderá tirar o peixe encravado em minha espinha?

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pertence

Como poderia algo me pertencer
Quando sequer a mim eu pertenço?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Mente brilhante inexplosiva embalsama-se em seu egoísmo

A grandeza de sua mágoa plurifica-se a cada supernova coitada

Nem sequer uma penumbra escapará à sua prisão circular

Assim que à toda renovação este novo buraco-negro enfim sugar

O Corvocida - Parte 1

Naquele fim de mundo onde fui me enfiar, era raríssimo que fizesse vento pela noite (coisa de um ou dois por cento de chance), e bastava observar a formação das nuvens para detectar uma possível ventania.  Sempre achei isso ótimo para um lenhador solitário como eu, pois gostava de pendurar meus bonecos de madeira debaixo da quina do telhado. Com o vento, ficavam emaranhados e vez que outra uma forca se rasgava, fazendo algum deles despencar.

Ontem, porém, percebi que foi contando com esse inimigo elemental que fiz uma enorme cagada.

Despojei-me de minha pequena casa na pacata cidade para então vir morar pouco depois da ponte do rio Karkasse - onde, ao seu redor, situa-se uma pequena vila - há aproximadamente duas semanas. Trouxe comigo todos os mantimentos necessários; ferramentas, comida suficiente até encontrar caça, madeira, roupas, higiene, foto de uma boceta (que levo sempre na parte de trás do meu Marlboro branco steel), freezer de isopor gigante, isqueiro e até minha punheteira de caça, com estojo de balas e tudo o mais. No primeiro dia de chegada, a primeira coisa que fiz - depois de montar acampamento, é claro, e também esvaziar o caminhão - foi arar o chão e começar minha horta. E é óbvio que plantei uma cacetada de milho, porque sou viciado nessa merda.

Pois bem, voltando ao ocorrido de ontem. Fui dormir feliz da vida, meu milho tava quase pipocando e eu já podia ver uma espiga se enchendo de beleza e vontade de virar sopa. Estava quase pronto pra ir dormir, quando ouvi uma barulheira danada vinda lá de cima, quase do céu. Corvos, saquei na hora. peguei minha punheteira, mas depois decidi trocar por um estilingue que eu tinha feito pra brincar de machucar pássaros. Escolhi as maiores pedras pra pegar os bichos desgraçados em cheio no crânio. Barulho excessivo lá fora, grunhidos, berros agudos e som de asas se debatendo. Abri a janela pra dar uma espiadela. Devia haver uns cem corvos espalhados por toda minha plantação. Devoravam meu milho, tanto quanto devoravam a si mesmos e uns aos outros. A palavra diabo nunca passou tão forte pela minha cabeça, e ainda por cima era noite de lua cheia. Malditos, pensei.

Saí lá pra fora equipado com o estilingue na mão e uma sacola de pedras na outra. A cada passo que eu dava, os bichos ficavam mais loucos e atiçados. Foi no que eu preparei uma pedra que um par deles voou direto na minha mão, arrancando numa sangrenta e aérea disputa minha única arma. Olhei pra onde tinham voado aquele desgraçado casal de corvos, e vi o estilingue, mas gozei mesmo quando avistei meu machado a meio caminho. Corri até ele, narrado por berros ensurdecedores vindos de todos os corvos. Não havia um sequer em silêncio, parecia que lhes dava prazer berrar enquanto destruíam minha plantação. Catei o machado, e aquilo me fez sentir como um deus romano.

Fui de encontro aos que estavam na plantação, girando o machado no ar e vez que outra atropelando uma cabeça de corvo perdido no chão. Quando me aproximei da plantação, onde os malditos, para meu desprazer, estavam concentrados em massa, pude sentir um fedor indiscritível, uma mistura de chorume com galinha podre. Fui até aquela espiga por quem me apaixonara perdidamente, aquela que estava prestes a desabrochar, e vi um maldito e gordo corvo terminando de devorá-la. Aquilo pra mim foi demais, foi a gota d'água! Puxei meu machado e fiz-me arco, soltando toda a força que pude colocar no corpo inteiro naquela machadada, mas quando acertei o chão, vi que o maldito corvo já havia se misturado na multidão, e tudo o que cortei foi a espiga, antes linda, agora, feia e devorada por um intruso fedorento.

Depois disso, não lembro muito o que aconteceu, mas sei que giramos, eu e o machado, em meio aos corvos, até que o fedor deles me desligou lá no meio. Acordei com um globo de sangue seco ocupando o lugar da unha do meu dedão direito da mão, no meio da minha plantação que agora fedia tanto quanto eu e os corvos covardes. Vingança, pensei, e voltei pra dentro de casa, e foi aí que fiz a maior merda que podia ter feito pra aguardar a próxima noite: um espantalho.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"Sonar"

Meu viver oscila e é feito morcego
dorme se afogando
e acorda queimando
Sonar é o mistério que me tira o medo
num rumo bem-vindo
de regresso ungido

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Tempo Rei

Que tantos mares velejei;
Que sou verso no que bem sei;
Que cem mil núpcias terei;
Mas só o tempo é rei.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

É

O quebra-mundo vai girando
E as cabeças vão se encaixando

Cumã

a) Reincidente
b) Centro das atenções
c) Mar de gente
d) Borda das intenções
e) Desbundante

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mínimas Máximas V

Nos tempos de hoje, quem faz ao vivo é Globo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uivo

Os ventos mudaram
uivaram de longe,
puseram respeito,
chacoalharam o monge
que habita meu peito

Eu sinto a maré
chegando mais forte
invadindo a rua

Temo em subir
pois caí da lua.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Essa coisa de felicidade...

Essa coisa de felicidade
Isso aí é tudo bobagem
Mas a coisa é que quando acontece
O caminhão entra e sai da garagem

Não não - não se preocupe comigo
E assim não me abala o futuro
Mais insuportável o alfabeto
Cada vez que ensopo meu pão duro

Estar devendo à sociedade
É um fardo que me descobriu
Da harpa me jogaram no útero
Me mandaram à puta que pariu!

E eu tenho ficado mais velho
Bem-vindos, pêlos do nariz
Posso até cortar suas finanças
Mas jamais chegarei na matriz

Confesso que até os dezoito
Foi bacana viver nesse bundo
Daí em diante, porém
Daria tudo por um dom vagamundo

Essa coisa de felicidade...
Fez o cachorro enterrar o osso
Enquanto a gente desenterra a idade.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Hoped


The greater the road, the higher the load
Till I find the princess that'll kiss the toad

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pitiful of Myself

You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well

There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful of himself

With no one to understand him
No one to share a hug
Simply no one to trust

No one to tell him why
No one to join him when
He cries

Smallest problems seem to kill
Biggest reasons give no thrill
No challenge at all

And this man will keep living
Surviving and giving
Away his time, his space

For there's no hope for passion
He just won't stop to measure
His feelings for anyone

You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well

There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful of himself

When this man turns out to be
No one else but me
I'm only pitiful of myself

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Hoje

Virado e em movimento;

Com sacrifício, ganho tempo;
Com vontade, construo e cresço;
Com um anjo, tanto faz o endereço;

Movimentado e me virando.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Vidilipendiado

No segundo andar da varanda
Entreguei-me ao piano
E seu vilipêndio
As lindas notas do chopão
Brasaram ao furor de meu incêndio

Recostei-me em meu divã de sonho
Rebusquei a pureza feito índio
E na desmacaquês dos segundos
Soou o suor de meu miocárdio
Bradou o sino cemiterial
Coeso tão quanto infernal

Noturno feito este recital
O fim de mais uma obra
Madrigal

Poesia às escuras (literalmente) ouvindo um nocturno aleatório de Chopin

E sou assim..

Um ser imaturo
Com capacidade de dominar o mundo
E vontades de ser músico e constituir família
Numa preguiça que provoca gozo ao ser superada

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pensei em escrever
O quê? Ah, qualquer coisa...
Acordei quinze pras oito
Com papel higiênico limpei o salão
Fui ao banheiro e fiz xixi sentado
Andei um pouco pela casa
Dei vazão às minhas memórias
Vou trabalhar em Caxias do Sul de novo
Em duas semanas me toco pra lá
Deletei o meu livroface
Me sinto mais livre
Mas acho que ainda demora minha prontidão
Pra bloquear maus instintos
Eu sempre fui é muito bicho
Arrependido depois de levar o tapa
Hoje está um dia lindo
Sinto falta de escutar música
E sentado aqui nessa cama lembrei
Que um sonho quente com ela sonhei.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Arrancou meus olhos
e jogou
no
vaso
Eu sempre quis
olhar as nuvens
do
avião
Deu descarga
mas eles não
foram
embora
Eu nem dinheiro teria
pra voar
de
pavão

Banho aléns.

E me questiono aonde pertenço, e cato os cabelos do ralo, fecho a ducha, seco o corpo e estou arrumado, mesmo pelado.
Você pode facilmente lavar seu corpo, mas dificilmente lavará sua mente.

Ponho minhas roupas e saio do banheiro, estendo a toalha, fico pensando no demente rumo que tragou as coisas da galáxia. Uma realidade perplexa para aqueles que não tiveram, na sua raíz, amor familiar.

Estou pronto pra outra partida de xadrez, brincar com a lógica é que me soa bem.
Tento retomar o início do meu tumor cerebral. O que houve; como ou por que fiquei assim, tão simples por fora, vendavalesco por dentro. Cérebro inchando.

No ocorrer de cada xeque aplicado, o medo de explodir. Você sabe que não agradará a todos. Não quero tratar meus amigos como simples visitas, e vice-versa.

Mate. Vontade de tomar um chimarrão mais sóbrio que o peixe mais profundo do oceano atlântico. Pegar um pôr-do-sol no Gasômetro e sentir. Apenas sentir. Não à necessidade de qualquer vida substancial.

Eu sigo.
Vá em frente, nem que antes tenha de ir pros lados ou pra trás, ou fingir de morto!
Quem sabe um dia, aproveitar os múltiplos orgasmos da sabedoria em seu sumo.
Um dia, lavar a alma para o resto dos demais.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Escrita covarde.

Você é cruel.
Seu silêncio corta o estômago.
Você me deixa sem palavras.
Conhece bem o meu medo de te perder.
Me ameaça e me coloca na parede.
Você,
que é a maior das esperanças,
faz o homem chorar sem razão,
faz ele ficar sem saída,
pra te dar o prazer do desprazer,

sabe-se

porque.

Você sabe ser fria,
você sabe me ter e quer me conter,
você não é digna de vingança,
por ser uma mestre da aliança
entre a dor e o prazer.

Você me ama e me fere,
me diz que vai embora
se eu errar.

Você,
que alegria trouxe,
em si mesma se perdeu,
e às bocas da dor
se concedeu,

sabe-se

porque.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Hoje

É muita pressão.
Haja paixão.

GLaSkaTChAkaS

Embuzinamento de pensamento; líquido de pus de peito; escorrimento de larvas pelo ralo; ódio de amor de necessidade; almirante ao mirar ao mar; blasfêmia fêmea plastofóbica; suor de masturbação resignada; osso de esboço no fundo do poço; cartola portadora de merda; ansiedade cleptomaníaca de felicidade; esterco antes da produção; beijo de vômito mútuo; cura pela dor de cura; meritocracia por indicação não hierárquica; poeira de tozóides mortos sem esperma; big brother banheiro; creme de espelho de elevador; pulo voluntário da vida à certeza assassina; zug-zwang passivo; reis pedófilos progenitores; mendigo sem bebida; apenas partida; eterna derrota; oito e oitenta; tiro e coma; coceira nas costas; suco de bunda em plena segunda; solidão.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mas eu não sei.

Eu não sei se vos preciso. Muitos sei que me precisam.
Muitos vi que me degustam. Poucos sentem minhas fugas.

Pequena questão.

COMO?
Como ei de encontrar meu rumo sem mandar-vos todos à MERDA?
TODOS.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mínimas Máximas IV

Nos tempos de hoje, quem faz ao vivo é louco.

Dilema da Vontade

A vontade me quer, eu sei, mas pareço nunca estar à vontade.

domingo, 23 de outubro de 2011

Hoje

Só queria dizer que não estou nem um pouco inspirado.
A inspiração é como uma pluma que desce sem se preocupar com seu destino. Logo, está ali, pronta a ser observada, seus porquês e por ondes, todos eles apaziguados pela vontade de ir além. Paradoxo.
Não me sinto à vontade pra dizer qualquer coisa. É porque tudo o que eu disser vai soar como um sopro contra o vento, e eis que desde então motivos para este não hão.
Posso garantir a minha futura sobriedade, mas quem garante me garantir o sossego de sequer aproveitar minhas palavras? Se eu não quero mais ficar, é direito meu divagar, mas nunca dever, nunca dever deveres demais por aí. Só o que cai do céu é a chuva. O raio deste dispara.
Cheguei a um ponto em que tudo o que eu faço me parece da mais inútil futilidade, redundante como a própria redundância, tanto desta como das demais, passadas, presentes e futuras com as quais eu tive o privilégio de desprivilegiar as tais.
Pensar dói. Como um tumor que sabe estar ali, porém nada fez e nada faz para denunciar sua estadia, tanto sabe ele o quanto é importante para si próprio estar em dia com a fadiga do precursor de um dia vagabundo como qualquer outro.
Minha obcessão por mim mesmo fez-me garantir a não confiança de enfrentar o não enfrentável, sobrepujando meu ódio com um quanto de vontade de ir embora, muito mais que a de ficar. Minhas palavras não dizem nada, tão somente o fazem e o farão, para todos e para sempre, sempre.
Há uma fila no céu e outra no inferno. As duas são tão lindas, longínquas, raras, mas tão comuns, vagas, gastas, vastas no tudo que há de multidão no mundo. Peste, ser humano, peste eterna proliferante você mesmo.
Dentro de toda a lógica que cansei de rezar, uma infinidade de caminhos que por já mapear demais resolvi não traçar. Trajetos infindos de um sono pesado, pois quando acordado o trajeto é estar, e quando sumido, faz-se odiar. Lógicos roupões, ao Sol, a secar.
Hoje, canto a emoção que será o amanhã. Com o ar de vitória que conquistei ontem. Vitória sobre o ar que restará até não mais haver amanhã. Ar que me instiga a não mais existir. Canto com vitória do ar que eu quero expelir.
Dividendos a esta terra, só aqueles que souberam me fazer vomitar pedirão. E jogarão tristes as sementes no chão, porque não houve metáfora que se pudesse aproveitar, saído de minha grande boca só o blasfeme borbulhar.
Adeus a deus, adeus ao ar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Você, pássaro meu que vem voando de mansinho.
Calma, tranquila, pra esse inferno de dante.
Você nem sabe aonde está se metendo.
É tudo bizarro demais nisso aqui.
Outro mundo, outra vida, outra gama de sentimentos.
Você vem pra renovar a minha capacidade de sentir.
E pra partilhar comigo todos os sonhos de um outro plano.
Porque, sinceramente, tenho medo de que não me gostes.
Há muito já parei de exprimir qualquer coisa.

A vontade de se jogar do morro é passageira.
A vontade de voar sem retorno é infindável.

Tenha isso em mente, e me faça muito feliz.
Assim de longe já o faz né, imagine só aqui.
Acho que és a mais intensa época de minha cuca.
E também um grande desejo de revelar, coisar.

E quando você chegar, vai ser só alegria.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Doçura ♥

Tão longe, mas tão perto que se a pode esperar
Terra amarga, 'água doce que me promete inundar

Sopra o vento na janela
Me fala coisas de amor
Mês passado tinha cheiro
Mês que vem terá sabor

Vida doce, desamarga por inteiro a laranja
Tão perto, de longe colhe, planta, nasce e se esbanja.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Television

It already led you to your next hundred shoppings, right after you turned it off.

domingo, 11 de setembro de 2011

Há algumas horas fui filmado, mas não fui rendido.
Tem boa gente como eu que sabe que não sou bandido.

Entrevista

E se tudo não passar de uma mera coincidência?
- Vou correr com ela mundo afora e que se danem as conseqüências.

Qual a sensação da longa espera por um sonho?
- Quando nova, é linda. Enquanto passa o tempo, começa a arder, mas é uma ardência boa, na boca da alma, atiçando o fogo espiritual que traz a pressa do amor.

Você disse que, às vezes, parece loucura...
- Sim, realmente, e são muitas as vezes. Mas eu ando bem maluco ultimamente e, cá entre nós, não faz diferença ser normal. ;D

E quanto ao passado?
- O que tem?

Te faz ter medo?
- Um pouco, mas o humor possibilita feitos matavilhosos, de pavor à gozo, e estou disposto a cultivar toda a gama de possíveis sentimentos. Medo é só um dos sete pecados. (risos)

Se você pudesse adquirir uma aspiração musical, através de qual fonte seria?
- Bem, tenho escutado muito uma música em especial chamada Lizard, do King Crimson. Mas se você diz "encarnar" um personagem musical com o coração, fico entre Fred Mercury e James Brown. Mas estamos no século XXI e, como disse um grande amigo meu (desconheço se por sua própria autoria), é o paradoxo da nossa geração: "Se todas as portas estão abertas, não há nenhum caminho". Quanto a instrumentos, deliro a me imaginar ao flanco de um saxofone, ou, quem sabe, uma maravilhosa Lira, encantando com uma melodia ensolarada.

Você desistiu do violão? Não se imagina na guitarra?
- Não desisti, apenas tenho um violão empenado e que desafina o mizão quando se tenta afinar a mizinha. Ainda quero resolver meu problema dos mindinhos e aprender a derramar um fraseado bacana direto da cabeça pras cordas, mas sem qualquer ânsia por enquanto. Não me imagino na guitarra. De fato, acho que tenho uma queda é pelo baixo, apesar de não ter ou nunca ter realmente praticado algo nele. Sempre imagino o baixo muito antes da maioria dos outros elementos em uma música.

Quais suas aspirações para o futuro? O que você acha que vai acontecer?
- Eu bem que queria saber. Até joguei Tarot esses tempos, e meu destino musical está tranqüilo e seguro, salvo um pequeno cuidado com o diabo e a morte que, vamos combinar, também curtem música de montão. (risos) Quanto a demais realizações futuras, não há o que saber, mas pode-se dizer que eu vou relaxar e curtir ao lado de minha querida alma gêmea e depois lá se sabe o que vai rolar.

Você se considera um músico? De uma forma séria?
- Não não não não não, de forma alguma. Eu não vou levar a música a sério. Nunca levei, nunca levarei. Eu sou um músico, sabe? (risos)

Você acredita que exista o conflito Família X Música?
- Não sei do que você está falando. Minha família está para mim como eu estou para minha família. A música não tem a ver com eles, salvo por exceções de influências musicais, muitas por parte de pai e algumas por parte de mãe. Acho que se minha família quizesse ordenar ou apenas cultivar minha horta musical, eu não possuiria o talento de um cantor solitário e sairia cantando as merdas que tem por aí. Isso, ainda, se qualquer tentativa desse certo. Sou a veia artística da família, e falo por mim, apenas, pois sou uma espécie de descarrego genético de acumulado talento, modéstia à parte.

O que você mais odeia em uma pessoa?
- Tem dois sujeitos que me fazem ter vontade de cortar línguas e pescoços por aí. O primeiro é o falastrão, aquele cara que muito fala e pouco faz, apenas quando caem na sua gandaia. E tem gente que se sai muito bem nesse papel, vou te dizer. Alguns são "líderes", digamos assim, de suas emburrecidas nações entorpecidas. Odeio esse tipo de gente e sempre vou odiar. Em segundo, o sujeito bundão, que se ofende porque você estava meio alto e se esqueceu de responder a pergunta imbecil dele, ou por que você não gostou da música que ele colocou, então ele fica olhando pra baixo e te faz sentir culpado. Sou um cara calmo e até respeitoso demais, não consigo encarar a sagaz bundolência que é olhar pra uma cara de bunda e ser bem sincero na chinelada.

Você acredita em amor à primeira vista?
- Acredito em energias equivalentes, em sexo bom, em belezas e proezas incomuns e principalmente na tranqüilidade em conjunto. Com dois itens ou mais, pode rolar um amor bem bacana, e pode ser à primeira, segunda ou até décima vista. De que importa afinal?

Você disse que acredita em perfeição. Explique.
- É a rebeldia que levarei comigo ao túmulo, ou ao vaso. Quando você é criança, te puxam da perfeição e te ensinam o medo. Você ouve berros, apanha, tira dos palavrões que evocou da raiva de seus pais a inspiração pra levar adiante a cultura do ódio. Acredito na perfeição e vou continuar acreditando. Não é algo que pode ser definido em palavras, é simplesmente estar de acordo consigo mesmo e com o mundo ao seu redor. Ainda chego lá.

Uma frase para encerrar a entrevista; um momento que você vive atualmente.
"De companheiros, eu preciso, e vivos - não companheiros mortos e cadáveres que levo comigo aonde quero." Friedrich Wilhelm Nietzsche

sábado, 10 de setembro de 2011

Eu não vou levar a música a sério. Nunca levei, nunca levarei. Eu sou um músico, sabe?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

- Aí vão os nomes: Dylan, Ernesto e Boca.
- E como fica a sua situação? Não espera que eu passe a mão na sua cabeça apenas pelo fato de ter-vo concedido autoridade líder.
Pensei por alguns segundos, cabisbaixo. Não é bom olhar os coordenadores diretamente a seus olhos, isto é, quando se está pensando. Devoram expressões faciais e logo estão a devorar o cérebro. Quanto à missão, não foram erros tão graves, porém, impediram um desfecho perfeito, objeto desejável por qualquer mercenário.
- Eu fui o organizador da incursão, assumo, mas esta foi apenas caso secundário. O principal objetivo foi verificar potenciais para qualquer alvo posterior e mais sério. Quis aproveitar a oportunidade, pelo senhor concedida, para iniciar meu arsenal de contatos. Espero não ter sido audacioso demais.
- De forma alguma. Começo, inclusive, a reconhecer-vo uma faísca de genuinidade. Mas detalhe, agora, os aguabaixos.
-Certo.
Respirei breve porém profundamente. Resumi:
- Boca sucumbiu à persuasão do anfitrião logo de cara. Ernesto saiu de fininho durante a pressão da oratória. Por fim, Dylan é um sujeito muito violento. Não soube engolir o orgulho e quase esbofeteou um segurança durante a saída.
- Por qual razão?
- Nossa deixa procedeu forçadamente. Os seguranças nos guiavam com leves empurrões, cuja satisfação não havia. Dylan estourou e quase jogou seu punho na cara do grandão. Por sorte, eu estava do seu lado esquerdo, e ele é canhoto. Fiquei atento ao denso humor do compatrício e segurei-lhe o braço na hora exata.
O coordenador Roger fechou seus olhos e computou algo complexo, penso que calculava a diferença entre o que eu já havia dito e o que acabara de informar. Fiquei admirando a sua capacidade mental, sem perder, é claro, meu olhar responsável e presente. Passados alguns segundos, levantou pálpebras e indagou firme:
- Qual o seu grau de responsabilidade em cada falha?
Tomei ar de inocência com seriedade. Sempre me saí muito bem concluindo dessa forma. Apesar de ter certa intimidade com Roger, também funcionava.
- Bem, quanto a Boca, realmente não houve algum. Treinei sua oratória durante três sessões de seis horas cada, uma por dia. Em todas, a introdução se fazia por ressaltar a sua importância na missão, cavando fundo para dizimar sua covardia. Penso que o calor da hora tenha feito-lhe perder um bocado de iniciativa, já que o receptor soltou um blefe moral logo de cara.
Fiz uma breve pausa, a qual Roger logo reconheceu como natural.
- Prossiga.
- Ernesto mostrou-se um bocado preguiçoso durante o treinamento. Os demais recrutas chegavam sempre no horário, e alguns até faziam hora-extra sempre que eu estava disponível. Mas Ernesto...
- O senhor deveria ter acionado o processo extintor.
- Sim, perdão. Eu solicitei a permissão para adicioná-lo à lista, porém o Carrasco disse estar ocupado demais e, creio eu, inventou uma burocracia qualquer como desculpa. Além do mais, decidi não tomar soluções extremas sem a sua autorização, coordenador Roger. Tentei resolver a questão por mim mesmo, mas falhei ao treinar Ernesto. Me perdoe.
- Falarei com o Carrasco sobre o assunto, e também falarei com Boca.
Pestanejei, seguido por uma levíssima pausa de Roger. Ele prosseguiu:
- Acredito que um pouco de contra-violência lhes faça retomar a razão. O senhor está dispensado, Luna II. Apesar deste pequeno erro, vou creditá-lo como líder para a próxima missão, devido a seu grande talento para com o treinamento dos demais. Retorne ao seu escritório e redija o relatório completo para o Mor. Em prol de minha confiança, concederei-vo minha assinatura sem revisar.
- Obrigado coordenador Roger.
Acenei-lhe com a cabeça e saí do quarto. Roger sacou na hora que o Boca foi apenas um curinga, mas preferiu não mencionar a questão comigo, talvez o fizesse posteriormente.
Enquanto voltava para o meu escritório, olhava apercebido para as paredes. Em tons de carmesim, harmonizavam com os grandes lustres horizontais, tão confortante era a luz alaranjada que deles emanava. Não havia, neste belo e curto percurso, forma alguma de evitar as pesadas reflexões sobre tudo que ocorrera nos últimos dez anos. O mundo girou, virou, mudou para um relógio.

Sinceridade?

Não precisa papel pra limpar as merdas que faço.

sábado, 4 de junho de 2011

You've been so worried all over the Sun...
...suddenly forgot you're also a star.

Mínimas Máximas III

Publicidade: Eleitor do Século.

Mínimas Máximas II

Keep spittin' till ya spitafuckin' DYAMOND!

Mínimas Máximas I

Você é o que você usa.
Larguei bebida,
cigarro e lasanha.
Mais fácil seria
Fugir da cegonha!

Latir...

...ainda que me falte coragem.
(concluiu o cão covarde)

Dia de Trabalho I

Os viralatas todos doentes de raiva.
Os moradores e seus cães: comuns.
O panfleteiro desmorado e mordido.
Indesejos; feridos.
Zoopsicopatia.
Ontem eu pensei.
Hoje, compro.
Amanhã eu escrevo...

terça-feira, 10 de maio de 2011

[Oldboy]


Ria e o mundo rirá com você.
Chore e irá chorar sozinho.

terça-feira, 22 de março de 2011

Assimetria, Biografia

De um pequeno bebê, nasceu um alegre menino.
Possuía todas árvores sem quaisquer preocupações.
Alegria, sua arte. Vida, seu mezanino.
Parentada, sorridente sem pedir suas razões.

Tornou-se um quase crescido, mas não assumira:
os motivos dos outros não batiam com os seus.
Sua espontaneidade há longos anos sumira,
iludido, o garoto este fato acolheu.

Depois, quase homem, ele logo desenvolvera
aptidão perceptiva para com tudo o que é seu.
O mundo, de tão pequeno, drenou-se em sua peneira.
E o então quase homem o universo rendeu.

Capturadas as órbitas, estrelas e aléns,
em sua loucura, residiam os fatos.
Tanto fazia para ele, Deus ou seus poréns.
Sua glória não merecia mundanos artefatos.

O homem, por fim crescido, porém, nunca apaziguado,
desafiou o seu espírito com reles juras mentais.
Sentiu que é impossível realmente ser amado,
Enfezou-se no conflito entre os seus ideais.

Pisou na humanidade, porém nesta se encontrava.
Amou a poesia, vida, morte e ressurreição.
Cobiçou sucesso humano enquanto a arte ele amava
e, contra sua vontade, aspirou à perfeição.

Isento de lábia, de métrica e de futuro.
Não luta, não aceita, jamais é derrotado.
Cabeça para o céu, pernas amando o muro,
Joga com a idéia de por si ser saciado.

Na busca por soluções a seus delírios ideais,
o homem vê suas coisas: belos perjúrios triviais.

Poesia provavelmente datada de dezembro/janeiro.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Status: Ausente

Sem internet.
Com amor e alegria.
Caxias.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Vácuo

Perdi o interesse pela leitura. Não quero mais escutar música, nem assistir TV, muito menos ir ao cinema. As pessoas não me despertam novidades, tampouco o vice-versa. Há meses não sei o que é ficar ao Sol, e pela noite eu vigio uma tela e o alfabeto distribuído em teclas, sem qualquer esperança. Crítica, cultura, vontade, criatividade - todas palavras extintas por meu ócio absoluto. A minha percepção dos fatos está alterada, de forma a criar bloqueios reativos para cada faísca de cura. Há anos não derramo uma lágrima, há décadas não te olho nos olhos com firmeza. Sinto-me livre dentro de meu quarto e preso por meu cérebro.
Perdi o interesse pela esperança. Não quero mais escutar as mesmas coisas de sempre. Não quero trabalhar, nem estudar, muito menos acordar. Minha pele está cheia de feiuras, meus dedos estão quase mortos, meu pé, entretanto, não cessa sua intermitência nervosa.
Passei duas horas pensando no dia em que alguém cortaria minhas cordas vocais com uma faca, removendo a minha capacidade de cantar até o dia de minha morte, e aceitei o fato. Motivo de entretenimento - ter justificativas para ser louco. As pessoas são tão frias que conseguem fingir perfeitamente seus calores. Os pilares sociais desabam sobre mim, ao que eu vejo meus vícios como os únicos amigos. É nesse troca-troca de interesses que eu vejo a tolice suprema da humanidade. A necessidade do indivíduo de abdicar-se da sua condição auto-suficiente para tornar-se escravo de um grupo liderado por um ou outros indivíduos cujos quais possuem esta mesma condição mais íntegra me faz ter a jovial fantasia de homicídio.
A grande razão existencial do século é ver quem prova ser o mais problemático sem se expor à dignidade da pena alheia.
Nada que cinco ou seis horas de sono não resolvam.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Illogical Brainstorm

Trespasser ant, slides in a bubble shade.
Such a wonderful guitar I came to play.
Coffee attempts, brown adjectiveness.
Thru any of this, that colours I blame.

I have the right to judge you! Hahah...
And the will to crush those fucking ants.
Trespasser sins, get into some kind of revealing.
Even though, some kind of conspiracy is always there.

There's a man with an axe in his hands,
and while his wife collects the remaining clothes,
he aims to the already cut off tree and fires on.
I always thought nonsense as a way of life,
but there's something strange about your feelings.
Guess we'll have to fix these little details:
they are running outta the fire range...

Hey! Green river! I see little waves.
For it is your dream to become a lake.
And the lake's nightmare of drying
- before it turns into an ocean.
Need not the help of the Sun, the Oceans.
But they aren't that weak masses of nothing anymore.
Where some disagreed world chose to turn into a something.
And the river costs the lakes a movement.
And the lands are all full of gore.
No time for trying an underestimating force,
we're already gone.

And this, and some of that, boom, lady!
It's ready!
Get your stuff, waitress! We're moving to the sea!
It won't be long before it fulfills the universe.
Our universe - mother earth.
She laughs at us while we lose the wing.
Roger that. I guess it's goodbye.
So long I hear the old grandma calling me.

Stomach, stomach.
Needed to a good sleepy night.
And I'll push the wall in an inner-tight,
self-confident way.
So that I don't need to pass the red cheeks feeling
of unnacomplishing the unnatural play.

Yeah, it doesn't make any sense.
I'm funny. And you're horny.
As long as you're tired of your eyes.
As long as you're working your goodbyes.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Síntese da Metamorfose Estática

O que era engraçado se tornou previsível,
o que é previsível se torna desprezível,
o que será desprezível se tornará ultrapassado.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Foder Contigo

Foder contigo é uma delícia
Tomar de gute a tua malícia
Mijar no fogo da tua carência
Foder contigo: cheirosa decência!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

[...]

De canto, descanso...

Sou funcionário escrachado
O crachá, resguardado
Eu, ensolarado

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Screams out of Hellwhere

do you know where he hell is babylon???
do you dream endless herbs and freedom???
can't you see... it's nobody's fault but yours!!!
it's nobody's fault but ours!!!

The captains ran out of ammo
Their toes lost the will to harm
Our image, too, must be there
for there is no other fault but a flight

The colonels drink beer no more
For whiskey is a tool of honor
Our drinks, they serve to procrastinate
A flight thru the faults gone untold

do you know where the fuck is the honor???
do you live long life shows for seconds long???
can't you feel... it's hellbody's fault but blood!!!
it's nobody's fault... but us!!!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Big Bang, Paranoia, God, People

If, only once, all the clocks around the world could match in perfect rhythm,
God would be omnipresent.
If, only once, all the living hearts could wear the very same feeling,
God would be omnipotent.

If, anytime, hours and measures could mean nothing,
There would be free will just like there is eternity.
If, anyhow, these few words could ever be true,
People would have no more pleas for this universe.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Enigma da Teia

A aranha nasceu e cresceu
Sua teia, a aranha criou
A mosca, tão só e incompleta
Na teia da aranha pousou

A aranha viveu e morreu
Sua teia, a aranha deixou
A mosca, tão só e incompleta
Na teia da aranha ficou

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Espírito Alívio

Minha carta na manga é meu futuro amor. Que seja uma dama de coração!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lembrança-Minuto-Mitologia

E o cheiro desta viela,
d'outras vidas tão fantástica e bela,
insere a saudade da infância
feito uma lança ao penetrar a fera.

[feito uma onça ao fugir da cela.]

para: Ânsia

És sádico! Covarde... És um espanador depilado!
Apresento a ti o real valor de tua fama:
Teu medo.

Não temam a mim: temam às minhas evidências verbais.

Pensando em Charles Manson: Mente psicoindagadora. O Deus da confiança. Será o único jeito de obter a tão sonhada absoluta persuasão - uma mente sem limites morais? Perder-se (ou revés) em sua própria certeza, quebrar miragens com sangue, vestir medalhas acordoadas por devoção e respeito a um único líder? E então, a paranóia: seríamos nós os escravos do genótipo revolucionário?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Se me mostras um gosto teu e sinceramente digo-te que a este me desgosta, te ofendes porque és fraco.
Se julgas a imagem antes mesmo de conhecer o conteúdo, te ofendo: és um ignorante.
Se conheces o conteúdo e não és capaz de apreciá-lo porque este foge da tua natureza, és limitado.

Quando xingas o outro dizendo que por ele fostes infringido, ouvidos meus receber-te-ão assim como àquele que causou-te tal infração.
Vês um acidente na rua e logo vais fotografando, comentas com teus comparsas, rindo-te, entonando tua voz. Chegas em casa, vês telejornal e, na presença de um outro acidente, choras. És um hipócrita.

Na televisão, os gordos deuses populares logo incentivam a morte como única solução para aqueles que uma vida sem jóias receberam. Após cumprirem sua missão, estes mesmos deuses chegam em seus lares, enfartam-se com tua raiva, enriquecem tua limitação e põem-se a dormir, certos de que tu nunca incentivarás a morte de quaisquer deuses. Sonham que estão rindo de ti, pois em seus sonhos tu não passas de um jumento.

Recebes a banana de casca podre e não a descascas, logo, tu enfias tudo dentro da tua pequena boca. Quase vomitas ao engoli-la, teu organismo não digere. Ao cagar a banana, estás feliz novamente e finges que nada aconteceu. Vês, então, um outro a comer a mesma banana podre. Tu olhas para ele e afunda-te em gargalhadas por dentro, ao ver sofrimento alheio compatível com o teu.

Não entendes uma palavra do que digo. Infeliz, não me trazes uma novidade sequer.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sua sorte do dia (4 out)
- [postado no Google Buzz] Privado
Se o destino diz que você é um perdedor, pregue uma boa peça nele


Encontre a palavra mais inútil do universo na frase supracitada.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Encasulamento

Por minha pura decisão,
senti conciso, agora, o nulo.
No fundo, nada foi em vão,
pois tenho, enfim, o meu casulo.

Tudo até então vivenciado
sinto se resguardar num pulo,
repelido ou reciclado
na gasta casca de meu casulo.

Quando rompida a casca veres:
borboleta, estarei a encantar!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pensando Outra Vez

[...]
Pensando alto:
irá um dia um filho nascer?
Para ser partilhado em nossa infância,
na mesma trilha que quando crianças cruzamos?
Na solidão do envelhecer desta Terra,
a qual nosso nascimento surpreendeu,
abriremos seus olhos.

Ian Anderson

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

It's over, finally.
A bit embarassing, thus.
These quick down feelings reset my brains.
Thumpasorus feelings... :D

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Why this now? All of a sudden, all this melancholy, all this urge to hurt, to kill, to smell? Shit. Am I going crazy? Is this madness or just a phase? One of my bad days? Guess not. This thing comes to stay. Maybe the drug's effect is over and I'm slowly turning into the real me. The realm. Maybe a project of a bad leading personality...

Even now, even after I hurt someone, I feel okay. I'm getting used to melancholy. Getting used to use to get any. I wanna hurt again, wanna feel it even more. Intensity, that's the word. Gotta shake the good so that they can feel the bad. Gotta tell the people: they just think I live. They just think I'm funny, when actually all I do is use everyone. Is this wrong? Am I wrong? Not in my own opinion.

Then after the whole shit, I'll wake up and find out it was just the sleep using me. Do the devil dance in sleepiness? Is it all for real? Where's my funk now? Just a super brainboosted cracky singing off tune? He's famous, you know! He lost his father. Bullshit. That's nonsense for me. But what would happen if all my family was suddenly dead? This kind of thought is so common to me.

I keep another lifetime reason to send my fingernails to hell.
And this one goes to my new collection.
I'm a reason collector.
Someday I'll have my purpose store's gates wide open.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Será possível jogar xadrez em condições subdesenvolvidas, naturalmente plenas?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A arte me vaza.
VAZE VOCÊ TAMBÉM!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

eu: bah

nem tô

aiuehiaheahie

aproveitar agora, que semana que vem já começo a atender as pessoa

tá meu, já venho ae

Alexandre Σ: uhmm

flw

eu: té daqui 10min

Enviada às 07:18 de terça-feira

eu: bah

dei uns **** lá né daí o resto e ******* tá tri loko

vô curti um som té umas oito

que tu acha legal bala fui


Enviada às 07:23 de terça-feira

eu: cara some não diz pode dizer tá aí e pá

Alexandre Σ: ugygyuguyqgqw]

tava tirando mais uma do creedence

proud mary

eu: bah... esfumaçou a mente esse som musikueui

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Percepção I

Pode-se perceber a personalidade de um dono de estabelecimento pelo horário de funcionamento de ambos.

domingo, 18 de julho de 2010

Mundôniubo I

Blow by Blow

Jeff Beck - nem lembro mais a aparência física - tocando. Pulo em cima da casa, danço, giro – piruetas – chapado de sono. Funk acorda. Beija-flores encachaçados, totalmente a la muamba mia – O WORD É QUADRADÃO, NÃO SABE DANÇAR como o fazem agora os queridos e companheiros pássaros.
Em cima da casa, dançando, as telhas caindo, as nuvens sorrindo, o bigode coçando, she’s a woman. Linguagem mistureba. Meu pescoço adquire delícia de movimento semi-voluntário.
Todos os animais rindo, como se já o fizessem desde a origem do universo! Como se já existissem, e não contestassem a origem, simplesmente dançassem sobre o caminho colorido da emoção. Quebra romântica, maldade a definhar.
Porra! Às vezes me sinto incompreendido. Muita coisa se passa na minha cabeça, muita coisa dança e canta na minha cabeça. Raramente surto, pois o estado maluconewba é só definido a mim por aqueles que não conseguem compreender e rir do mundo comigo.
Eis que acho uma peruca BLACK POWER, G-I-G-A-N-T-E-S-C-A!!! E dalhe suor da alegria!
Desce do céu uma escada de nuvens verdes e pretas e, de vez em quando, roxas. Elas vêm me buscar, pois eu sou o dono do mundo, eu e meu remelexo, fruto do amor à boa música.
ESCUTA UMA MÚSICA PORQUE TU GOSTA, NÃO PORQUE O DINHEIRO A FEZ SER CONHECIDA POR TI. CARAAAAAAMBA! MAS QUE MERDA.
Air Blower. Vou caminhando pelo mundo das nuvens, uma brisa positivamente megalomaníaca bate em minha cara, como se fosse o primeiro dia de inverno e eu estivesse nu e amasse o frio. Andando, com as coisas a balançar, neve, fogo, árvores, esquilos, mamelucos, tudo misturado, todos a mexer a cintura e o pescoço para abençoar a arte do amor à arte-fruto da emoção. UM SAX! Toco, toco, toco, sopro, aperto, BAITA SONZERA!
O teclado me acompanha, enquanto eu respiro cada vez mais livre.
Se eu lhe dissesse tudo o que se passa na minha cabeça... Esqueça! Isso é impossível.
Ritmo quebrado, descompassado com gentileza, segregando a natureza do sentimento física e psicologicamente em mim. Bons, ótimos guitarristas existem. Bons, ótimos vocalistas, e eu.
Os gatos namoram. A chuva continua a cair. E eu vejo ela de cima das nuvens. Vejo os gatos também, lá de cima.
SCATTERBRAINnnnnnrrrrrhhhhaaAAAAARRR!!! Agora é o confronto comigo mesmo. O confronto com o objetivo. E ele vai se aproximando. E então eu sinto a esperança como um atraso e não uma luz. Repete o ciclo, mas agora, tudo fica mais respiratório.
BAIXÃO!!!!
Poderia aproveitar esse baixo por horas, não enjoaria dele. Não enjoaria dessa música, desse ritmo, dessa bateria, ah, como eu AMO música!!!!
Hoje, ainda terei uma batalha contra o sono. E tenho que arrumar a casa e lavar a louça, e tomar banho, e lavar o saco, a bunda, os pés, o umbigo, as unhas, o porongo, e tirar os cabeleixons do ralo. YEAH! Chato? NÃO. Viver nunca é chato. Problemas? Não existem. Só o que existe é a música, e continuará assim por um bom tempo, quem sabe até durante toda minha vida.
Quem sabe o que vai acontecer com a minha musicalidade. Eu só quero passar alegria, subir no palco com a minha peruca Black Power G-I-G-A-N-T-E-S-C-A, proporcionar um momento de prazer para aqueles que sabem a hora de se entregar.
Me + Problem = Cause we’ve ended as lovers.
Linda vida. Mundôniubo comunica seu adeus através de macroparticulados bons ares e retorna ao planeta cerebral.

Inabalável

O que foi pra ser, foi.
O que não foi pra ser, não eras.
Seja muito cauteloso:
Se conveniente for, dois, quando inseridos em contextos ao menos semelhantes, já são capazes de acusar uma generalização.

terça-feira, 13 de julho de 2010

- Pega o que tu me deve!
- Naaaah!
- Tô dizendo PORRA! PEGA!
- ...
- Não vai pegar?
- Nah, nem eras.
- Então vai te fudê.

domingo, 11 de julho de 2010

Cantada II

- Ei, doidinha.
- Hã?
- Quer se chapar no cogumelo?

The Artist Way

Everything seems so stupid,
of a programmed stupidity.

I feel like trapped in a web.
The spider?
Never really existed,
nor it will ever be born.

So goddamn silly everything and everyone is,
I keep a lifetime reason to send my fingernails to hell.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O dia está ensolarado e belo. O clima é nostálgico, me enfraquece porém satisfaz. Queria alguém para dar uma volta, pegar Sol, tomar chimarrão. Às vezes, me pergunto se há uma temperatura ideal para o conforto do ser humano. Hoje, faz 21°C, vento em direção leste e intensificado em 5 nós (ou seja, aprox. 9,3 km/h ou 2,6 m/s), umidade do ar é de 78%. Acho que o que causa essa adorável e tranqüila sensação de bem-estar é o fator umidade misturado com o leve vento.
Ficaria feliz em saber que não sou o único apaixonado por esse clima. Acho que pouquíssimas coisas me deixariam mal humorado hoje, as quais nem quero sequer pensar sobre.
De súbito, me bate uma nostalgia dos tempos em que eu era inocente. Tempos em que a gente não alimenta maldade, só quer viver o que se tem pra viver e encontrar um grande amor. Acho que a grande maioria já passou por isso, essa coisa mística e pesada que é o grande amor. Alguns vencem, outros não chegam a conquistá-lo, poucos, ainda, sequer necessitam. No meu caso, ocorreu intensamente, e até hoje não sei direito o que se sucedeu.
Mas já não importa. A vida pra mim parece tão perto do fim e, a cada dia que passa, eu a encaro mais rendido. Minha felicidade é inerte, tanto eu queria que ela só aumentasse, mas sei que, para isso, devo antes encontrar um objetivo, uma guerra a vencer. Pessoas sem guerra são pessoas sem paz.
Parece-me tão ridículo passar algo meu para as palavras. As pessoas interpretam isso de forma tão negativa, como se houvesse sempre segundas intenções. Mas não há. É algo que de tão simples eu quero partilhar.
Hoje, sou livre e feliz. Bom dia Sol!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cantada I

- Ei, boneca.
- Hã?
- Cê tá bem mais bonita inflada!
Hoje, não correspondi a um sorriso de uma pessoa desconhecida. Tive medo de seduzí-la, um medo do futuro, quem sabe. Fui um completo enrustido. Arrependimento...

Ambulâncio

Desce chuva,
corre homem.
Salva-folhas,
lobisomem.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Unspeakable Amongst Ourselves

When pains are gone, we never choose the simplest way again,
cuz we know: renewing is continuing.
Some seek reason, others just want love to be like a rope:
throw it someone, while you need someone to throw it for you.
When tears roll out, we find cure to long gone conflicts.
Then, we go mad: true love was never easy around.

Pains are gone, still I don't know what's going on with you.
Thus, I know, there's something to continue.
You went to reason, thinking that art couldn't take you far enough to rest.
Then, you fled from my singer meanings of life.

And now, we keep on, unspeakable amongst ourselves.
Did it really need to happen so exceedingly hard?

Dedicated to the coward, freckly-faced, snow-white "woman"
Um cérebro cheio de vontades insatisfeitas deve explodir e experimentar um momento de loucura.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mundo

Pensar, criticar.
Concentrado consertar...
Defina o caos.
Senti-me em sintonia. Foi o que pensaram, porém. Por dentro, nunca mais o mesmo, ali, vidrado em meu natural cérebro interior artístico. Sou a natureza, pensei, e, por um instante, dormi, a sonhar com o verde da paz. Coisa linda, a se ver, certeza a dançar despreocupada com a vida.
E, de repente, uma kombi com letreiro "DNA" começou a me seguir. Senti tudo amarelo, como bem ela quis.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Simples Colher

Ei, mulher, vem cá, quero saber
se no teu corpo dá pra plantar e colher.
Ei, menina, vem a mim, vira mulher,
pois quero te amar, degustar-te de colher.
Se eu for longe demais,
me perdoe!
Talvez eu volte correndo,
Trazendo comigo o entendimento.
Vontade me sobra
Certeza me falta
Quem dera se em Hamelin
Todos soubessem tocar flauta

Anseio

Que me masturbem, mãos que vestem as luvas do destino!
Pois foi no anseio desesperado de vestir tais luvas
que esqueci a chance de as minhas mãos esquentar.

E que fiquem húmidas, enxarcadas com meu gozo!
Pois a vida é curta
e meus hormônios, psicopatas...

Humanidade

Apressadas, as formigas entram e saem,
montam e desmontam das máquinas do tempo!
E, tão organizado seu movimento,
Elas se perdem. (umas das outras)

Extrato Psicológico I

É importante esclarecer alguns conceitos de hereditariedade e personalidade cultural, para que não criemos falsos sonhos de utopias evolutivas de mudança.
Primeiramente, consideremos as características genéticas de personalidade do indivíduo, que englobam ambas as personalidades, materna e paterna, visivelmente herdadas e parcialmente imutáveis em relação ao comportamento do indivíduo.
Porém, não podemos confundir hereditariedade com cultura, de modo que a primeira é inevitável e a segunda é de irrefutável importância, no que diz respeito à formação de caráter por parte do indivíduo. A segunda é, no entanto, a tentativa de consolidar a primeira, de modo que esta se encaixe no padrão inconsciente projetado conscientemente pelo indivíduo, pois este se encontra em constante alternância de preferência entre o parecer de si para si – a autonomia - e o parecer social – a personalidade vista pelos outros.
Devemos também compreender porque esta constante alternância é importante para o indivíduo: eis que ela é infinita e, sendo assim, conjuga de modo aceitável a individualidade e a vivência em grupo. E é aí que aparece a questão da hereditariedade de comportamento. No momento em que o indivíduo expressa suas idéias em grupo, torna-se possível observar parte de sua personalidade imutável, através de características, ações e opiniões por parte do mesmo que se apresentam de forma contínua, repetindo-se várias vezes de maneiras parecidas.
Mas, realmente, são dois fatores alternantes. Enquanto a imagem de si para si encontra-se em construção, a imagem de si para outrem, por sua vez, atua de modo contrário, e vice-versa. É isso que controla o homem, para que este não seja perfeito como os animais, as plantas, ou seus respectivos cursos na natureza. Porque talvez com a descoberta do fogo (que acredito ter sido obra do acaso) o homem tenha iniciado uma seqüência evolutiva, que com o passar do tempo tornou a afastá-lo cada vez mais da perfeição, esta que nada mais é que um ciclo, sem começo ou fim. E assim explica-se também a necessidade de buscar respostas ou confortos no desconhecido: pois é desconhecido o modo como o homem descobriu o fogo, e é desconhecido o período em que a razão sobressaiu-se ao instinto, no que refere ao comportamento do homem. E esta necessidade é composta por lacunas instintivas que permanecem na genética do indivíduo, que, por sua vez, é imutável.

A Conquista da Individualidade

Nascestes, sem escolha, em terreno já ocupado. Porém, culpas não merecerão a ti, desde que não permaneças folgado no evoluir inércio deste solo, que em ti não é presente, passado ou tampouco futuro.
Observa, agora, o solo do teu semelhante. Percebe o drenar vagaroso de tua energia por parte desse chão. Pára e pensa: queres, abaixo de teus pés, um tapete voador ou areia movediça? Que orgulho sentes ao colher as batatas que o outro plantou? Quando menos esperares, estarás preso pela fome e, enquanto estiveres a saciá-la, o outro estará a plantar mais batatas e ocupar mais do chão em que poderias estar plantando agora. Amigo, deixes a fome de lado por um instante. Procura teu próprio solo para que possas plantar, colher e alimentar-te de tuas próprias batatas.
Quando fores dono do teu próprio plantio, haverás de ter sempre à tua porta alguém procurando solo para plantar. Sejas bondoso: ofereças, somente, uma pequena semente. Caso peçam algo mais, fecha tua porta sem hesitar, pois, se não o fizeres, acabarás por perder todo teu plantio. Porém, caso aceitem tua semente, deixes que entrem em teu terreno e ajudem-te a cultivar o plantio.
E se por acaso não encontrares solo por terra, não te preocupa! Acima das nuvens deverás achar solo fértil. Das nuvens, cai a chuva. Originam-se dela novas gotas de vida calmas, brilhosas, cheias de reflexos e mistérios a descobrir-se. Após a chuva, afáveis pensamentos na tenra nuvem afloram. Pensai em todos que, completos e influentes, vinculam-se a estes, constituindo adubo para o teu plantio superior. De algodão angelical é feito o solo que te oferece infinda fertilidade.
Abre teu olho! Para o plantio serás sempre pequeno, porém, nunca deves pensar o mesmo dele. Caso o faças, serás subitamente devorado pelo solo.