When your biggest dream
Turns out to be
Your worst nightmare...
...Will your worst nightmare
Turn out to be
bigger than your fear?
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
O verdadeiro amor.
O verdadeiro amor é aquele que não mede distância.
Ri na cara do tempo, molda qualquer circunstância.
Verdadeiro, o amor que flui além vida, além morte.
Que estala o peito por dentro. É nostalgia — e sorte.
Ri na cara do tempo, molda qualquer circunstância.
Verdadeiro, o amor que flui além vida, além morte.
Que estala o peito por dentro. É nostalgia — e sorte.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
hope-nope-dope
[voice 1 - narrates impartial philosophy]
you have the right to follow
you have the pain of sorrow
can you embrace your love
climb up the skies above
exist, the sins of preachers
goes by, the time of teachers
to every burning lamp
there was a genie sent
[voice 2 - denies first voice with a rebel argument]
there's just an empty hollow
after every tomorrow
for the one puzzle solved
three more you will unfold
a world of blood and leeches
alleys with pimps and bitches
if you desire the ramp
you'll have to smash a friend
[voice 3 - yells it with authority crazy hitler german accent tone]
do that!!
judas!!
geist!!
christ!!
[main]
inside a mortal man
lies a shinny god
and a deadly beast
you have the right to follow
you have the pain of sorrow
can you embrace your love
climb up the skies above
exist, the sins of preachers
goes by, the time of teachers
to every burning lamp
there was a genie sent
[voice 2 - denies first voice with a rebel argument]
there's just an empty hollow
after every tomorrow
for the one puzzle solved
three more you will unfold
a world of blood and leeches
alleys with pimps and bitches
if you desire the ramp
you'll have to smash a friend
[voice 3 - yells it with authority crazy hitler german accent tone]
do that!!
judas!!
geist!!
christ!!
[main]
inside a mortal man
lies a shinny god
and a deadly beast
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Lampião
A mente projeta delírios, submersa em razões, é colírio aos olhos do onírico. Lagos razos e lisos, fantasmas concisos, profundezas que arrasam o tato que jaz, no máximo, reflexo de um esboço fugaz.
O corpo dispende-se da realidade, enquanto caminha, sem tatear o passo, ao passo que a mente mente à realidade o que o corpo transforma e transtorna em compasso.
O espírito é a projeção da glória pretensa, que diluído condensa sentimentos breves. A chama que emana, infame, indelével, profana os caminhos do lobo da estepe. Faz-lhe uivar lânguido, e rouba oxigênio.
Fantasia, ansiedade, pretensão.
De que adianta ser gênio, então?
O corpo dispende-se da realidade, enquanto caminha, sem tatear o passo, ao passo que a mente mente à realidade o que o corpo transforma e transtorna em compasso.
O espírito é a projeção da glória pretensa, que diluído condensa sentimentos breves. A chama que emana, infame, indelével, profana os caminhos do lobo da estepe. Faz-lhe uivar lânguido, e rouba oxigênio.
Fantasia, ansiedade, pretensão.
De que adianta ser gênio, então?
terça-feira, 30 de setembro de 2014
domingo, 21 de setembro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Iscas
Pessoas que jogam iscas
pra fisgar
meu
puro
sentimento
Só lhes cabe o amor à visão
de meu fôlego
se esvaecendo
Deveriam, em contraponto,
tratar-me
com
par
sinceridade
Apenas concluo que não
merecem um pingo
de lealdade
pra fisgar
meu
puro
sentimento
Só lhes cabe o amor à visão
de meu fôlego
se esvaecendo
Deveriam, em contraponto,
tratar-me
com
par
sinceridade
Apenas concluo que não
merecem um pingo
de lealdade
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
...∞
ai tropeçouei naolgum muro dai, cai mas dai mealevantei e tipo assim quando ve kaboosh sumiri no orizonte dai quando ve e tals um arcoirinis brilhado cas sete corens mirrou se atropelou, dai balbuciou alguma coisa de dentro de os baú daí naquele monento, alguma coisa, aconteceu e um sabio maga feiticeira genio da lampada ? dai os negocios que tava no bagulho perto do treco parecido com o troço ali do esquema ali pelo lance da tramóia tipo assim DO BARALHO ta ligado e. dai as word wauld heb se mixaram reproduzindo um som DO BARULHO e além, do que talvez poderia ser césar cégo um cyclope marujo que pesava muito e afundava o navio. enfim. dai os cara ficar a pele desenrugda e ai duma mulé i um morenu pois, gradativamente a gravidade estava grávida e fazia coisas que até deus umvida. penso que sinto que isento de aumento num guento aos aestresse mas desce e padece algum pede moleque tem troco? Beleza dai, faziam varios temporadas que naqueel cricket puvala um louca-deus azule.
QUE BÚLE"=/>
----!>
QUE BÚLE"=/>
----!>
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Overloaded
Overloaded.
Day after day,
dreams I carry heavier than me, molded.
Just like
bills, with increasing taxes... Like overdose of something so good that you
just can’t avoid diving into, on and on, again, and again.
I am a tiny
project of myself. It grabs me from all sides I can’t even imagine, tires me on
the outside, and sets me vicious within.
Can’t deny it
hurts. It hurts a fucking lot.
Hurts to be
so awfully placed inside an ill silhouette, therefore its illness is the cause
of all glory yet to come.
Like a bent
bow being flexed though the arrow aims the looking glass.
A spear at
the route of sharpness. To pierce the old compass.
Oh, boy, it is sharp. I can easily smell the
starving tip.
It’s edging
clasps, it’s hunger.
Gets stronger
as it rests.
I am a bomb
without the wick. I wait for the proper climate.
I will
explode just before I condense to winter.
It will be shutting boring angels with a neverending dosen of the most pure funky hell.
Whenever I'm able thru the hole, I'll surely kick
my butt outta this spirit cell.
And, even
though I have to re-sign their terms, my seeds will always resign their turns.
Naturally,
I was born on a distant land –
The fire, quest
set sail as the very dance of my blood. Ship.
The air is
that which will judge, beyond and before. Sails.
And the
steel is eternity dressing my future. Swords.
Mission: Unload.
Codename: Reload.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
...7
Desci da van e entrei no bambus.
Estou aqui, sentado, e, há pouco, cavocava, em busca de algo eletrizante para energizar uma razoável poesia.
Nada.
Desisti. Consenti. Decidi escrever este relato.
Acabo de servir meu segundo copo de Heineken, no ponto. Fitando a vagarosidade em que a tênue espuma se dissipa, uma coisa veio à tona: preciso arriscar mais.
Preciso do calor das pessoas mais do que qualquer outra coisa que eu possa encontrar no mundo, e preciso me libertar de meu encosto para recebê-lo. O calor, o sim ou o não.
Seja calor de toque, de fúria ou turbilhão. Seja ele o que for, mas que seja capaz de canção.
Como um dia o fui, e assim o tornarei a ser.
Seja por loucura, ou por inchaço explosivo do ser.
Preciso olhar praquela que me cativa e fazê-la saber de mim.
Eu tenho de ir além daquilo que quer me indeferir.
Tenho sofrido cada noite com minha mente que se expande e engole meu espírito, com minhas razões destrutivas que, disfarçadas de guias, levam-me à ruína.
Não há brilho em meus olhos, exceto para o conforto.
Juro que não sou assim!
O segundo copo terminou, e preciso fumar. Será?
Nunca, de verdade, me perguntei por que só viso à melhora quando há a necessidade de impressionar alguém.
Talvez eu seja chato por não ter segredos comigo mesmo.
Eu quero gostar de mim, então, por que me diminuo tanto?
Talvez o tempo me tenha travado num espetáculo de eterno pranto.
Preciso sair disso, aliar-me, então, ao espaço.
Construir minhas teias apenas para confundir os rastros.
Sou tão efêmero quanto o vento.
Sou água e fogo num visceral acalento.
A Terra é o meu lugar.
Estou aqui, sentado, e, há pouco, cavocava, em busca de algo eletrizante para energizar uma razoável poesia.
Nada.
Desisti. Consenti. Decidi escrever este relato.
Acabo de servir meu segundo copo de Heineken, no ponto. Fitando a vagarosidade em que a tênue espuma se dissipa, uma coisa veio à tona: preciso arriscar mais.
Preciso do calor das pessoas mais do que qualquer outra coisa que eu possa encontrar no mundo, e preciso me libertar de meu encosto para recebê-lo. O calor, o sim ou o não.
Seja calor de toque, de fúria ou turbilhão. Seja ele o que for, mas que seja capaz de canção.
Como um dia o fui, e assim o tornarei a ser.
Seja por loucura, ou por inchaço explosivo do ser.
Preciso olhar praquela que me cativa e fazê-la saber de mim.
Eu tenho de ir além daquilo que quer me indeferir.
Tenho sofrido cada noite com minha mente que se expande e engole meu espírito, com minhas razões destrutivas que, disfarçadas de guias, levam-me à ruína.
Não há brilho em meus olhos, exceto para o conforto.
Juro que não sou assim!
O segundo copo terminou, e preciso fumar. Será?
Nunca, de verdade, me perguntei por que só viso à melhora quando há a necessidade de impressionar alguém.
Talvez eu seja chato por não ter segredos comigo mesmo.
Eu quero gostar de mim, então, por que me diminuo tanto?
Talvez o tempo me tenha travado num espetáculo de eterno pranto.
Preciso sair disso, aliar-me, então, ao espaço.
Construir minhas teias apenas para confundir os rastros.
Sou tão efêmero quanto o vento.
Sou água e fogo num visceral acalento.
A Terra é o meu lugar.
...6
Sozinho na parada
O frio, a brisa, afligem
Ao mesmo tempo em que acalmam
Aquele coração, que já lento bate
Ele, que em si mesmo se abate
E sofre, em vão
Teria milhares de relíquias prontas
Sob meu colchão
Mas agarro a dor
De longa data amiga
Sempre estende a mão
Mesmo etérea
Sabe-se que, após a derrota
Ela estará ali
Pronta, perfumada
Solitária como lhe convém
Como me convém
Ela nunca me disse um não
Ela nunca me nega carinho
Volta e meia, decora seu ninho
Com as jóias de minha perdição
Ela me tem
Me ganha em jogo, suor, sufoco
Ela me acaricia e satisfaz minha sede
De mim, nada pede
Nada senão minha tranquila companhia
Nada que lhe possa causar nostalgia
Ela me fisga com açucaradas barganhas
Ela me torna um pedaço magro
De banha
Em mim sorri
Ri de meu astuto triunfo
Sobre os ácaros cósmicos, rendidos, relutos
Desponta a cada nova vitória tardia
E ri, diante de minhas falhas
Bonitas
É com ela meu alvorecer
E meus dias quentes
Até o dia em que eu morrer.
O frio, a brisa, afligem
Ao mesmo tempo em que acalmam
Aquele coração, que já lento bate
Ele, que em si mesmo se abate
E sofre, em vão
Teria milhares de relíquias prontas
Sob meu colchão
Mas agarro a dor
De longa data amiga
Sempre estende a mão
Mesmo etérea
Sabe-se que, após a derrota
Ela estará ali
Pronta, perfumada
Solitária como lhe convém
Como me convém
Ela nunca me disse um não
Ela nunca me nega carinho
Volta e meia, decora seu ninho
Com as jóias de minha perdição
Ela me tem
Me ganha em jogo, suor, sufoco
Ela me acaricia e satisfaz minha sede
De mim, nada pede
Nada senão minha tranquila companhia
Nada que lhe possa causar nostalgia
Ela me fisga com açucaradas barganhas
Ela me torna um pedaço magro
De banha
Em mim sorri
Ri de meu astuto triunfo
Sobre os ácaros cósmicos, rendidos, relutos
Desponta a cada nova vitória tardia
E ri, diante de minhas falhas
Bonitas
É com ela meu alvorecer
E meus dias quentes
Até o dia em que eu morrer.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Donovox I
Donovox acordou.
Sentiu a energia inundá-lo após uma eternidade de sono.
Levantou-se, esticando os braços ao céu enquanto se espreguiçava
prazerosamente. Nunca havia se sentido tão bem.
Nem pudera; era a primeira vez que acordava, talvez soubesse
bem disso. Não houve tempo para questionar por que ou para qual motivo enfim
despertara do seu sono. As lembranças de seus sonhos o atingiram com um
turbilhão de sentimentos. Preenchiam-no tanto quanto esta nova energia,
chamada, ele bem lembrava, de realidade. Um elixir pelo qual ele muito
trabalhou, horas, dias, talvez meses, na penumbra imaginativa que era o surf em
sua mente.
Decidiu interromper os vislumbres do passado e logo agarrou as
rédeas daquela novidade. Vida, pensou, e estremeceu. O que faria¿ Estaria seguro¿
Desde que havia adormecido – se é que já não nascera em um estágio de
sonolência – sonhara com seres como ele. Diziam-se “dos seus”, ele lembrou.
Certa vez em um de seus sonhos, ao falar com uma árvore ela lhe dissera que não
era um dos seus. Ele ficara envergonhado, mas ela apenas sorrira em seu posto.
Agora, estava desperto. Este era o momento pelo qual mais
temia, porém, ansiava. Olhou ao redor e reconheceu o que lembrava ser uma
rocha. Parecia suculenta, então, ele correu até ela. Ou tentou correr. Levantou
para dar o passo de largada, sua perna direita flexionou tão veloz quanto
dobrou-se novamente, trazendo uma sensação de formigamento e logo perda de
controle. Caiu com o joelho direito sob a barriga e viu que logo bateria seu
rosto contra aquilo que lembrava ser chamado de grama, verde e brilhante e
iluminada por algo muito claro que, algumas vezes, em seus sonhos pairava sobre
todos dos seus.
Voltando à queda, pôs suas mãos para frente num instinto de proteger
sua face, mas ao invés de chocar as palmas contra o solo brilhoso, suas mãos
foram engolidas, logo seus cotovelos, braços e, por fim, sua cara.
Donovox caía.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
De gato, sapato e uivo.
Cansei dessas pobres gatunas
Me sorrindo, enfiando holofotes!
Me olhando, feito eu fosse espelho
Pra maquiar suas caretas torpes!
Tenho nojo dessas oriundas
Elogio seria chamá-las putas!
Gatinhas, ronronando, miando
Dou carinho, elas bicam — e se mandam!
Eu que me achava por felino
Dou vazão agora a meus caninos!
A fúria tornou a ser meu brado
E estou imune a miaus fiados!
Pois a alma de gato escarlate
Ora Deus! Que porra, que baque!
Era apenas um grande ultraje
Disfarçando soturnos enlaces!
Sou lobo, solitário e faminto
Sou só, tão sozinho! — Não minto.
Mas não torno a matar minha fome
Roendo tripas corruptas e podres!
Me sorrindo, enfiando holofotes!
Me olhando, feito eu fosse espelho
Pra maquiar suas caretas torpes!
Tenho nojo dessas oriundas
Elogio seria chamá-las putas!
Gatinhas, ronronando, miando
Dou carinho, elas bicam — e se mandam!
Eu que me achava por felino
Dou vazão agora a meus caninos!
A fúria tornou a ser meu brado
E estou imune a miaus fiados!
Pois a alma de gato escarlate
Ora Deus! Que porra, que baque!
Era apenas um grande ultraje
Disfarçando soturnos enlaces!
Sou lobo, solitário e faminto
Sou só, tão sozinho! — Não minto.
Mas não torno a matar minha fome
Roendo tripas corruptas e podres!
quinta-feira, 31 de julho de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Incredible String Band's 'Painted Chariot' pre-amendment (lyrics)
There comes the painted chariot
Doesn't matter if there's sun, snow or rain
A ride to your late desire
Though you know it won't stop far nor never again
Will you drop out all your gains
So your soul devours the race
And all luggage you'd love to bring in becomes sand?
Doesn't matter if there's sun, snow or rain
A ride to your late desire
Though you know it won't stop far nor never again
Will you drop out all your gains
So your soul devours the race
And all luggage you'd love to bring in becomes sand?
Genki Dama
Liguei pra ela e pulei da cama!
Liberei meu KI numa violenta chama!!!
VOEI BEM ALTO COM MINHA GENKI DAMA E—
Porra! -.-
Ela tá de sunglasses...
Liberei meu KI numa violenta chama!!!
VOEI BEM ALTO COM MINHA GENKI DAMA E—
Porra! -.-
Ela tá de sunglasses...
sábado, 26 de julho de 2014
Eu temos.
Eu tenho medo qe ela me desencontre
no dia em qe ela me encontrar
Tenho medo dos pesadelo dela
qando um dia comigo ela sonhar
Eu tenho medo qe ela me perca
naqele dia em qe ela me ganhar
Tenho medo também de perdê-la
praqele beijo qe ela me beijar
Eu temo muito assim qe ela descubra
não sê-la aqilo qe finjo rimar
Eu tremo em temor de pavor de pavão
qe ela sinta meu sol a ensolarar
A única coragem qe me resta mora
na covardia de nunca morar
no dia em qe ela me encontrar
Tenho medo dos pesadelo dela
qando um dia comigo ela sonhar
Eu tenho medo qe ela me perca
naqele dia em qe ela me ganhar
Tenho medo também de perdê-la
praqele beijo qe ela me beijar
Eu temo muito assim qe ela descubra
não sê-la aqilo qe finjo rimar
Eu tremo em temor de pavor de pavão
qe ela sinta meu sol a ensolarar
A única coragem qe me resta mora
na covardia de nunca morar
como como ca tia
me alegra ver
poesias
mas nenhum eu como
como ca tia
no onibus com pressa devoro
kritico lamento choro
no tubo seqer dão as caras
coroas animais extintos
tintos
nos sarau nunca tenho tempo
eu lembro rekordo imagino
eu moo eu voo eu soo
eu como não como como ca tia
nas web mal vejo das minhas
mas escrevo releio reinvento
deleto deslogo
relogo
porqe logo
me
deito
me alegra ver poesias
me alegra ver poesias
mas nenhum eu como como ca tia
porqe dela nem
sabes ca tia
como
eu como e
como
como és comida :)
Ser 9
Cem dela não vivem
min!
Átalda Ka, qe
Tem brotinhos de qe
não morrem Kdáverdades
Imóvel ou carro
viro, de rolimã ou
Até qe engolido por
hot dog wheels ela
me salva?
Se dez vivessem,
ainda não cabia
Estatuetas,
Estádios Estatísticos,..
Roendo as unhas
roídas :Strellas:?
um bucadim.
Nem uma só, tão
pouco, seria!
Ou então, Cereia,
mas sim me hipnotizava...
Via duas, kuatro,
setenta, vias tantas!
E então ca tias,
Ser Nó vivia?!!
quinta-feira, 24 de julho de 2014
A Man, Pitiful on Himself (review one)
Maybe you're feeling bad
You'd even risk to call it sad
It's like sinking on an endless well
Something so painful
But suddenly even worse
It's a man pitiful on himself
((
You are feeling down
Your spirit shelved in a frown
There's a dark hole within you
Afraid of the looking glass
With it's painting a harass
That man pitiful on himself
))
He's too much understainding
But noone to share a hug
Simply no one of trust
And though people tell him ok
They surely won't join a party
Of crying clowns
The smallest problem seems to kill
The biggest reason gives no thrill
No challenge ahead
And this man will keep bleeding
Wasting its life and giving
Away his time, his space
For there's no hope for passion
He just didn't learn to measure
His feelings for anyone
You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well
There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful on himself
((
immersed in delusions
incomprehensible fusions of memories
he cannot discard
))
((
truly an expert on daydreamin'
always so far above the ceiling
that the flight lost itself on you
))
((
all that women that swore their love to you
well surely they don't remember you
not even when they shit
))
((
so desperate for human contact
but lacking the proper react
coz you know there's no intact goodbye
))
|[
When this man turns out to be
Nobody else but me
I'm only pitiful on myself
]|
You'd even risk to call it sad
It's like sinking on an endless well
Something so painful
But suddenly even worse
It's a man pitiful on himself
((
You are feeling down
Your spirit shelved in a frown
There's a dark hole within you
Afraid of the looking glass
With it's painting a harass
That man pitiful on himself
))
He's too much understainding
But noone to share a hug
Simply no one of trust
And though people tell him ok
They surely won't join a party
Of crying clowns
The smallest problem seems to kill
The biggest reason gives no thrill
No challenge ahead
And this man will keep bleeding
Wasting its life and giving
Away his time, his space
For there's no hope for passion
He just didn't learn to measure
His feelings for anyone
You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well
There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful on himself
((
immersed in delusions
incomprehensible fusions of memories
he cannot discard
))
((
truly an expert on daydreamin'
always so far above the ceiling
that the flight lost itself on you
))
((
all that women that swore their love to you
well surely they don't remember you
not even when they shit
))
((
so desperate for human contact
but lacking the proper react
coz you know there's no intact goodbye
))
|[
When this man turns out to be
Nobody else but me
I'm only pitiful on myself
]|
sábado, 14 de junho de 2014
quinta-feira, 8 de maio de 2014
A moça que foi em paz. II
Enfim
Pintada a alma
A mão cansada
Grisalha de giz
Assim
Deixava o corpo
Jazido no sopro
Que nutre a raíz
Já não pesavam-lhe
Nem tudo, nem todos
Então
Talvez o arbusto
Seria mais justo
Final de repouso
Senão
Seria uma linha
Que enxuta desfia
Do furo de um bolso
Deixou-se apenas
Ir.
Sequer
Sentia que valia
A bagagem tardia
Em seu coração
Qualquer —
O seu nome agora
Ou seria aurora?
Talvez, solidão
Já não deviam-lhe
Nem nada, nem ninguém
Alguém
Deixou de existir
Mas sem exaurir
É simples mistério
Também
Pôde viver vida
Senhora florida
Dona cemitério
A moça apenas
Ia.
Porém
Ficou o encanto
Gélido, no entanto
Porque era dor
Amém
Disse quem ficou
Pois quando voou
Caiu dela o amor
Já não faziam-lhe
Nem tempo, nem espaço
Enfim
Lavada a alma
A mão deitada —
Agora era giz
Assim
Deixou o sopro
Levá-la do corpo —
Cruzou a matriz
Tornou-se apenas
Ida.
Pintada a alma
A mão cansada
Grisalha de giz
Assim
Deixava o corpo
Jazido no sopro
Que nutre a raíz
Já não pesavam-lhe
Nem tudo, nem todos
Então
Talvez o arbusto
Seria mais justo
Final de repouso
Senão
Seria uma linha
Que enxuta desfia
Do furo de um bolso
Deixou-se apenas
Ir.
Sequer
Sentia que valia
A bagagem tardia
Em seu coração
Qualquer —
O seu nome agora
Ou seria aurora?
Talvez, solidão
Já não deviam-lhe
Nem nada, nem ninguém
Alguém
Deixou de existir
Mas sem exaurir
É simples mistério
Também
Pôde viver vida
Senhora florida
Dona cemitério
A moça apenas
Ia.
Porém
Ficou o encanto
Gélido, no entanto
Porque era dor
Amém
Disse quem ficou
Pois quando voou
Caiu dela o amor
Já não faziam-lhe
Nem tempo, nem espaço
Enfim
Lavada a alma
A mão deitada —
Agora era giz
Assim
Deixou o sopro
Levá-la do corpo —
Cruzou a matriz
Tornou-se apenas
Ida.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Lonewolf...
Lonewolf
Where are you headed to?
Don't answer me
Don't answer me
I'll watch
Your every step
Until you melt
Into the horizon
Where are you headed to?
Don't answer me
Don't answer me
I'll watch
Your every step
Until you melt
Into the horizon
quinta-feira, 17 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A e D
Este texto é dedicado às Natalias A e D.
(se sabe-se não identifique-sô)
RASGA as tuas vísceras com elegância DEVASTADORA
COSPE neste papel que te alucina feito a ELEONORA
faz da tua vida UM BELO BORBULENTO DE JARDIM
POIS O MELHOR DA VIDA é saber ser meio assim...
SEM NADA de se levar, elevar ou INCORPORAR
QUEM SABE um tudo haver, mais difícil SE PÁ
pois o que realmente importa NÃO É O TAMANHO DA TORTA
MAS SIM O SABOR que vem dos hortifruti da tua horta...
Obrigado pela atenção.
Amo ocês, caras A e D.
(se sabe-se não identifique-sô)
RASGA as tuas vísceras com elegância DEVASTADORA
COSPE neste papel que te alucina feito a ELEONORA
faz da tua vida UM BELO BORBULENTO DE JARDIM
POIS O MELHOR DA VIDA é saber ser meio assim...
SEM NADA de se levar, elevar ou INCORPORAR
QUEM SABE um tudo haver, mais difícil SE PÁ
pois o que realmente importa NÃO É O TAMANHO DA TORTA
MAS SIM O SABOR que vem dos hortifruti da tua horta...
Obrigado pela atenção.
Amo ocês, caras A e D.
sábado, 12 de abril de 2014
[maybee..i'm-an-ant!]
maybee..i'm-an-ant!
photoshoot at new cages
of silent surroundance
being born
quick
but
smooth
from a moonlit stare
into the illusionary sunlight
of each daily
passing-by
expendable
glimpse
of
eternity.
Loc Doc - Construção
- Bom dia, doutor.
- Olá. Tudo bem?
- Mais ou menos.
- Sente-se, por favor.
- …
- Então, o que há?
- Sinto um vazio, um pedaço que me falta.
- Divague.
- …
- …
- Como se eu estivesse aqui, mas não estivesse, entende?
- Hum. Sim, sim. É. Isso é comum. Todos nós sentimos falta de algo, mesmo não sabendo do que se trata. Não acha?
- É, eu sei. Mas é muito forte, sinto um aperto que me mata lentamente, não sei o que fazer.
- Uma espécie de solidão, presumo?
- Exato. Me sinto só. Caminho e o tempo passa lentamente, embora, de fato, eu não o perceba, sinto o tempo como uma sombra, só que, ao invés de me seguir, ele fica na minha frente e me atrapalha.
- …
- …
- Bem. Isso resulta de uma ansiedade decorrente. Com qual freqüência olhas o relógio?
- Quase nunca. E também nunca sei em que dia estamos. Que dia é hoje?
- Sexta-feira.
- Ah, sim sim! É, então… O que o senhor acha disso?
- É um caso um tanto incomum [aqui começo a estudar o doutor] esse seu. O sintoma base da ansiedade é a preocupação extrema com o passar das horas. Já no seu caso, disse que não se preocupa com isso. [ele tenta me fisgar enaltecendo meu ego com o elogio da raridade]
- … [apenas aguardo, em desafio]
- … [ele me olha, inabalado. está acostumado com isso, afinal]
- …
- Vamos tomar um drink?
- Hã? [essa é nova. nunca pensei que isso pudesse acontecer em meio a uma terapia]
- Um drink nos fará bem. Será mais fácil falar sobre qualquer coisa, e quero te acompanhar pra que não fique essa coisa de formalidade entre nós.
- Bem, eu não esperava por isso. Mas sim, aceito um drink. Bem grande.
- Tudo bem, só não vamos exagerar. Vou tomar a mesma quantidade que você, mas, embora seja o último paciente, depois daqui tenho ainda minha família para me receber.
- Certo.
- …
- …
- …
- Ah, por favor, preciso de mais que isso. Encha até o topo.
- Tudo bem.
- …
- …
- … [e encheu mesmo. haha, ao menos vou fazer ele chegar no brilho em casa]
- Bem, tomemos então um gole inicial, em brinde à eterna solidão do vampiro. [ainda por cima faz graça de meu problema. enfim]
- Er, ok, à eterna solidão do vampiro.
- … [tin]
- … [tin]
- Adoro rum. Embora seja destilado, não desce tão cretino [jesus, já suburbiou o vocabulário?!] quanto vodca, cachaça ou uísque vagabundo. Paga-se um pouco mais, mas vale a pena.
- Sim, sim. [e eu pagando cem reais por essa maldita consulta de uma hora. ao menos vou sair daqui tilintando]
- Bem, então, rapaz. Está se sentindo sozinho agora?
- Bom, doutor, pra falar a verdade não. Estou até gostando [e absurdamente curioso quanto a onde isso vai chegar] do clima, mas, sabe, vim aqui com um propósito.
- Sei, é claro. Eu apenas percebi que o senhor é um rapaz família, amigável e, embora muito quieto e introspectivo, consegue manter um diálogo enquanto muito atento a qualquer ruído, de qualquer dos lados. Mas há aí um pequeno problema.
- Sim? [já senti o brilho do velho Montilla. esse rum é uma pancada decisiva. espero não perder o fio da meada]
- Bem, er, como posso colocar isso, vejamos, hum… [o doutorzito também sentiu a pancada]
- …
- O que acontece é que, meu rapaz, estás depositando muita expectativa quanto ao que os outros pensam. Tanta expectativa, que o que assimilas sobre isso é dez vezes maior do que o que realmente é. Vejamos, como posso eh-… [aqui ele soltou um soluço. já estávamos quase ao fim do primeiro copo] explicar…
- Diga. [comecei a ficar meramente nervoso e, ao mesmo tempo, juro, sem qualquer conotação sexual, excitado. ele adentrara o âmago da questão com o encanto de um mago, embora eu ainda não confiasse nem um pouco nele. além do mais, a duração desse pensamento denota o quão bêbado vou ficar daqui em diante]
- Bem. Vou tentar dar um exemplo.
- …
- Quando você conversa com alguém, sempre há uma sensação de nervosismo, não? Uma dificuldade em estabelecer intimidade, um recesso de confiança, salvo por muito poucas pessoas que você já conhece há tempos. Estou errado? [tive que pensar um pouco pra responder isso]
- Hum… Não, doutor, não está. É isso mesmo que acontece. Eu fico muito nervoso quando converso com as pessoas, sinto como se isso não fosse trazer qualquer diferença ao mundo, e também a elas, e então vou desistindo de falar, quando vejo que não vai resultar em nada.
- Pois bem. Aí já encontro um excesso de expectativa. Está esperando demais do ouvinte, e de menos de ti. É um efeito retardado [retardado? bom, devemos estar bem bêbados e, por que não, “íntimos” mesmo] que se alastra no seu cotidiano. Isso intensifica o sentimento de desistência perante as pessoas e, como você sabe, nós, seres humanos, por mais que tentemos negar, estamos sujeitos, até inconscientemente, a generalizar sensações. No seu caso, a sensação generalizada foi a desistência e, o objeto dessa desistência, a interação com os outros indivíduos.
- …
- Então, por mais que tu converses com as pessoas, que saiba do que elas gostam ou não gostam, o que desperta sensações nelas, o que deves ou não dizer a elas é o que mais importa, e não o fato de ser sincero consigo mesmo e, por fim, com elas, pois tens medo de machucar os outros. [começo a achar que esse cara é a própria personificação de Deus. não sei se encaixo isso na categoria “fedida merda” ou “ufa!”]
- É, doutor! É exatamente isso! [repleto de emoção, sem perceber entrego as cartas ao doutor. fazer o que, já que generalizei tanto essa porra de desistência, melhor desistir mesmo e ver no que toda essa porra vai dar]
- Pois eu te entendo perfeitamente, rapaz.
- Entende?
- É…
- … [aqui ele já nos servia o segundo copo de Montilla. cheio, repleto, e o melhor: sem eu precisar pedir!]
- …
- Ora.
- Ahh! [tragou um bom gole de Montilla e sentou-se na poltrona frente a mim] Então, nosso tempo acabou.
- O QUÊ? [filho da puta!!]
- Haha! Brincadeira! Bem, de fato, acabou mesmo, mas eu gostei de ter um paciente tão complexo, e vamos continuar, a la revelia. [mal terminei meu primeiro gole e o maldito já estava na metade do copo]
- Ahhh, tá bom. Que bacana! [eu realmente não pude deixar de sorrir]
- Então. Voltando ao assunto. Quero aproveitar agora que estamos ambos por livre e espontânea vontade aqui, sentados um frente ao outro, sem qualquer questão sistemática envolvida. Acho que está divertido, não?
- Está sim. [e tá divertido mesmo. diga-se, muito divertido]
- Bem, quero aproveitar pra te contar um pouco da minha história. [ai ai ai… só o que falta agora o sujeito querer dar uma de papai sabe-tudo pra cima de mim]
- Err, tá bom. [e lá vem a maldita generalização de desistência pra acabar com qualquer resistência rebelde-sem-causa que eu possa vir a manifestar…]
- Bem. A história é mais ou menos essa…
- …
- Eu nunca pensei em me especializar na área de psicologia. Sempre tive muito apreço por essa profissão, até quando comecei a ter chiliques de psicopatia e, então, fiz minha consulta com o primeiro e único psicólogo que freqüentei. Era um sujeito pacato, direto e reto, e eu, completamente maluco e com uma vontade louca de sair matando por aí. Pensei: ora, mas que belo contraste! Eu, um assassino mental, dissipando e devorando cada chance de inserção no contexto da realidade, versus [no momento em que ouvi a palavra versus percebi que, desde o começo, ele já sabia dessa barreira inicial a que todo paciente se submete. salve minhas penas, estou diante de um gênio] um simples e objetivo homem que apenas captava três ou quatro em cada duzentas palavras de tudo o que eu falava. Cheguei à sua sala, e ele me recebeu com um sorriso cemiterial. Que engraçado. Naquela época as coisa eram mórbidas e formais. Ainda acho que as duas coisas andam meio unidas.
- Hahahaha! [senti um pouco de vergonha. bem pouco. estava beirando a embriaguez e o sujeito falava com desenvoltura capaz de me fazer voltar mais vinte vezes, na esperança de viver esse momento novamente]
- É engraçado, não? Pois é. Então. Entrei na sala, uma mistura de hospital com biblioteca, mas com um toque de brega, por causa da decoração que tentava deixar a coisa um pouco mais colorida. Sentei, coloquei as mãos nos joelhos, assim como você fez quando chegou aqui…
- Acho que é o padrão, não?
- Certamente. [rimos juntos, os dois já bem bêbados] Bem, ele ficou me olhando por algum tempo e, acredite, bem mais tempo que o necessário. Eu olhava de volta, tentando controlar a minha mais nova vontade de saltar em seu pescoço e lhe sufocar até a morte. Eu era bem porra louca.
- Percebe-se!
- É… [mais risadas. estava ficando ótimo. não me importaria nem um pouco de passar a noite inteira ali] Pra você ver… Ter uma noção.
- Haha!
- Então. Depois daquele silêncio enrustido eu juro, mas juro por tudo o que é mais sagrado, que nunca vi alguém tentar uma introdução com tamanho esforço quanto aquele sujeito. Vi seus lábios se moverem quadrados, como um quebra-cabeça escroto e faltando mais da metade das peças, até que ele despejou a primeira sentença. “O que o traz aqui?”, ele perguntou. “Vim porque não quero matar”…
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! [não pude me conter. ele gargalhou junto e continuou]
- …falei. Depois voltei atrás. “Bem, na verdade eu vim porque sinto que quero matar, tenho vontade de matar, acho a vida um saco e quanto mais pessoas eu puder salvar do fardo de viver, melhor. Então, vim porque estou doente, e quero tentar parar de me meter na vida dos outros, porque sinto que se eu continuar me metendo na vida dos outros, uma hora não vai mais é ter vida nenhuma!”
- … [que história!]
- Aí o sujeito me olhou da cabeça aos pés, e depois ao contrário, e depois da cabeça aos pés de novo, e ficou em silêncio. “Bosta!”, pensei. “O que é que eu estou fazendo aqui?”. Que porcaria, não tem nem um minuto de terapia e ao invés de amenizar meu sofrimento só penso em matar mais ainda! Pois bem, o sujeito fez todo aquele esforço novamente, mas agora parecia que estava um pouco mais habituado, teve mais agilidade dessa vez. Proferiu a seguinte sentença: “O senhor toma alguma medicação?”. E eu já puto da cara, repliquei: “Só cachaça.”
[CONTINUA…]
- Olá. Tudo bem?
- Mais ou menos.
- Sente-se, por favor.
- …
- Então, o que há?
- Sinto um vazio, um pedaço que me falta.
- Divague.
- …
- …
- Como se eu estivesse aqui, mas não estivesse, entende?
- Hum. Sim, sim. É. Isso é comum. Todos nós sentimos falta de algo, mesmo não sabendo do que se trata. Não acha?
- É, eu sei. Mas é muito forte, sinto um aperto que me mata lentamente, não sei o que fazer.
- Uma espécie de solidão, presumo?
- Exato. Me sinto só. Caminho e o tempo passa lentamente, embora, de fato, eu não o perceba, sinto o tempo como uma sombra, só que, ao invés de me seguir, ele fica na minha frente e me atrapalha.
- …
- …
- Bem. Isso resulta de uma ansiedade decorrente. Com qual freqüência olhas o relógio?
- Quase nunca. E também nunca sei em que dia estamos. Que dia é hoje?
- Sexta-feira.
- Ah, sim sim! É, então… O que o senhor acha disso?
- É um caso um tanto incomum [aqui começo a estudar o doutor] esse seu. O sintoma base da ansiedade é a preocupação extrema com o passar das horas. Já no seu caso, disse que não se preocupa com isso. [ele tenta me fisgar enaltecendo meu ego com o elogio da raridade]
- … [apenas aguardo, em desafio]
- … [ele me olha, inabalado. está acostumado com isso, afinal]
- …
- Vamos tomar um drink?
- Hã? [essa é nova. nunca pensei que isso pudesse acontecer em meio a uma terapia]
- Um drink nos fará bem. Será mais fácil falar sobre qualquer coisa, e quero te acompanhar pra que não fique essa coisa de formalidade entre nós.
- Bem, eu não esperava por isso. Mas sim, aceito um drink. Bem grande.
- Tudo bem, só não vamos exagerar. Vou tomar a mesma quantidade que você, mas, embora seja o último paciente, depois daqui tenho ainda minha família para me receber.
- Certo.
- …
- …
- …
- Ah, por favor, preciso de mais que isso. Encha até o topo.
- Tudo bem.
- …
- …
- … [e encheu mesmo. haha, ao menos vou fazer ele chegar no brilho em casa]
- Bem, tomemos então um gole inicial, em brinde à eterna solidão do vampiro. [ainda por cima faz graça de meu problema. enfim]
- Er, ok, à eterna solidão do vampiro.
- … [tin]
- … [tin]
- Adoro rum. Embora seja destilado, não desce tão cretino [jesus, já suburbiou o vocabulário?!] quanto vodca, cachaça ou uísque vagabundo. Paga-se um pouco mais, mas vale a pena.
- Sim, sim. [e eu pagando cem reais por essa maldita consulta de uma hora. ao menos vou sair daqui tilintando]
- Bem, então, rapaz. Está se sentindo sozinho agora?
- Bom, doutor, pra falar a verdade não. Estou até gostando [e absurdamente curioso quanto a onde isso vai chegar] do clima, mas, sabe, vim aqui com um propósito.
- Sei, é claro. Eu apenas percebi que o senhor é um rapaz família, amigável e, embora muito quieto e introspectivo, consegue manter um diálogo enquanto muito atento a qualquer ruído, de qualquer dos lados. Mas há aí um pequeno problema.
- Sim? [já senti o brilho do velho Montilla. esse rum é uma pancada decisiva. espero não perder o fio da meada]
- Bem, er, como posso colocar isso, vejamos, hum… [o doutorzito também sentiu a pancada]
- …
- O que acontece é que, meu rapaz, estás depositando muita expectativa quanto ao que os outros pensam. Tanta expectativa, que o que assimilas sobre isso é dez vezes maior do que o que realmente é. Vejamos, como posso eh-… [aqui ele soltou um soluço. já estávamos quase ao fim do primeiro copo] explicar…
- Diga. [comecei a ficar meramente nervoso e, ao mesmo tempo, juro, sem qualquer conotação sexual, excitado. ele adentrara o âmago da questão com o encanto de um mago, embora eu ainda não confiasse nem um pouco nele. além do mais, a duração desse pensamento denota o quão bêbado vou ficar daqui em diante]
- Bem. Vou tentar dar um exemplo.
- …
- Quando você conversa com alguém, sempre há uma sensação de nervosismo, não? Uma dificuldade em estabelecer intimidade, um recesso de confiança, salvo por muito poucas pessoas que você já conhece há tempos. Estou errado? [tive que pensar um pouco pra responder isso]
- Hum… Não, doutor, não está. É isso mesmo que acontece. Eu fico muito nervoso quando converso com as pessoas, sinto como se isso não fosse trazer qualquer diferença ao mundo, e também a elas, e então vou desistindo de falar, quando vejo que não vai resultar em nada.
- Pois bem. Aí já encontro um excesso de expectativa. Está esperando demais do ouvinte, e de menos de ti. É um efeito retardado [retardado? bom, devemos estar bem bêbados e, por que não, “íntimos” mesmo] que se alastra no seu cotidiano. Isso intensifica o sentimento de desistência perante as pessoas e, como você sabe, nós, seres humanos, por mais que tentemos negar, estamos sujeitos, até inconscientemente, a generalizar sensações. No seu caso, a sensação generalizada foi a desistência e, o objeto dessa desistência, a interação com os outros indivíduos.
- …
- Então, por mais que tu converses com as pessoas, que saiba do que elas gostam ou não gostam, o que desperta sensações nelas, o que deves ou não dizer a elas é o que mais importa, e não o fato de ser sincero consigo mesmo e, por fim, com elas, pois tens medo de machucar os outros. [começo a achar que esse cara é a própria personificação de Deus. não sei se encaixo isso na categoria “fedida merda” ou “ufa!”]
- É, doutor! É exatamente isso! [repleto de emoção, sem perceber entrego as cartas ao doutor. fazer o que, já que generalizei tanto essa porra de desistência, melhor desistir mesmo e ver no que toda essa porra vai dar]
- Pois eu te entendo perfeitamente, rapaz.
- Entende?
- É…
- … [aqui ele já nos servia o segundo copo de Montilla. cheio, repleto, e o melhor: sem eu precisar pedir!]
- …
- Ora.
- Ahh! [tragou um bom gole de Montilla e sentou-se na poltrona frente a mim] Então, nosso tempo acabou.
- O QUÊ? [filho da puta!!]
- Haha! Brincadeira! Bem, de fato, acabou mesmo, mas eu gostei de ter um paciente tão complexo, e vamos continuar, a la revelia. [mal terminei meu primeiro gole e o maldito já estava na metade do copo]
- Ahhh, tá bom. Que bacana! [eu realmente não pude deixar de sorrir]
- Então. Voltando ao assunto. Quero aproveitar agora que estamos ambos por livre e espontânea vontade aqui, sentados um frente ao outro, sem qualquer questão sistemática envolvida. Acho que está divertido, não?
- Está sim. [e tá divertido mesmo. diga-se, muito divertido]
- Bem, quero aproveitar pra te contar um pouco da minha história. [ai ai ai… só o que falta agora o sujeito querer dar uma de papai sabe-tudo pra cima de mim]
- Err, tá bom. [e lá vem a maldita generalização de desistência pra acabar com qualquer resistência rebelde-sem-causa que eu possa vir a manifestar…]
- Bem. A história é mais ou menos essa…
- …
- Eu nunca pensei em me especializar na área de psicologia. Sempre tive muito apreço por essa profissão, até quando comecei a ter chiliques de psicopatia e, então, fiz minha consulta com o primeiro e único psicólogo que freqüentei. Era um sujeito pacato, direto e reto, e eu, completamente maluco e com uma vontade louca de sair matando por aí. Pensei: ora, mas que belo contraste! Eu, um assassino mental, dissipando e devorando cada chance de inserção no contexto da realidade, versus [no momento em que ouvi a palavra versus percebi que, desde o começo, ele já sabia dessa barreira inicial a que todo paciente se submete. salve minhas penas, estou diante de um gênio] um simples e objetivo homem que apenas captava três ou quatro em cada duzentas palavras de tudo o que eu falava. Cheguei à sua sala, e ele me recebeu com um sorriso cemiterial. Que engraçado. Naquela época as coisa eram mórbidas e formais. Ainda acho que as duas coisas andam meio unidas.
- Hahahaha! [senti um pouco de vergonha. bem pouco. estava beirando a embriaguez e o sujeito falava com desenvoltura capaz de me fazer voltar mais vinte vezes, na esperança de viver esse momento novamente]
- É engraçado, não? Pois é. Então. Entrei na sala, uma mistura de hospital com biblioteca, mas com um toque de brega, por causa da decoração que tentava deixar a coisa um pouco mais colorida. Sentei, coloquei as mãos nos joelhos, assim como você fez quando chegou aqui…
- Acho que é o padrão, não?
- Certamente. [rimos juntos, os dois já bem bêbados] Bem, ele ficou me olhando por algum tempo e, acredite, bem mais tempo que o necessário. Eu olhava de volta, tentando controlar a minha mais nova vontade de saltar em seu pescoço e lhe sufocar até a morte. Eu era bem porra louca.
- Percebe-se!
- É… [mais risadas. estava ficando ótimo. não me importaria nem um pouco de passar a noite inteira ali] Pra você ver… Ter uma noção.
- Haha!
- Então. Depois daquele silêncio enrustido eu juro, mas juro por tudo o que é mais sagrado, que nunca vi alguém tentar uma introdução com tamanho esforço quanto aquele sujeito. Vi seus lábios se moverem quadrados, como um quebra-cabeça escroto e faltando mais da metade das peças, até que ele despejou a primeira sentença. “O que o traz aqui?”, ele perguntou. “Vim porque não quero matar”…
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! [não pude me conter. ele gargalhou junto e continuou]
- …falei. Depois voltei atrás. “Bem, na verdade eu vim porque sinto que quero matar, tenho vontade de matar, acho a vida um saco e quanto mais pessoas eu puder salvar do fardo de viver, melhor. Então, vim porque estou doente, e quero tentar parar de me meter na vida dos outros, porque sinto que se eu continuar me metendo na vida dos outros, uma hora não vai mais é ter vida nenhuma!”
- … [que história!]
- Aí o sujeito me olhou da cabeça aos pés, e depois ao contrário, e depois da cabeça aos pés de novo, e ficou em silêncio. “Bosta!”, pensei. “O que é que eu estou fazendo aqui?”. Que porcaria, não tem nem um minuto de terapia e ao invés de amenizar meu sofrimento só penso em matar mais ainda! Pois bem, o sujeito fez todo aquele esforço novamente, mas agora parecia que estava um pouco mais habituado, teve mais agilidade dessa vez. Proferiu a seguinte sentença: “O senhor toma alguma medicação?”. E eu já puto da cara, repliquei: “Só cachaça.”
[CONTINUA…]
...1
Obstinação
Palavra que me afia
Define
Previne
Ou apenas pouco adia
Do obstinado
A labiosa desvantagem
Fraqueza
Certeza
Ou sua débil qualidade
Pois mesmo carente
De coragem
Haverá de latir
Tal qual cão covarde
Palavra que me afia
Define
Previne
Ou apenas pouco adia
Do obstinado
A labiosa desvantagem
Fraqueza
Certeza
Ou sua débil qualidade
Pois mesmo carente
De coragem
Haverá de latir
Tal qual cão covarde
Mira!
Ora, mas que mentira!
Sim, pura lábia!
Quando eu disse que tinha você!
E tanto repetira!
Que acreditei!
E meu peito ao bradar-te!
Estufei!
Quando, na verdade!
Eras só minha mira!
Pois logo te apaguei!
E minha ira!
Sanei!
Sim, pura lábia!
Quando eu disse que tinha você!
E tanto repetira!
Que acreditei!
E meu peito ao bradar-te!
Estufei!
Quando, na verdade!
Eras só minha mira!
Pois logo te apaguei!
E minha ira!
Sanei!
quarta-feira, 10 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
A Intrusa
Adentrei o quarto, ela estava ali
Vestia minha camisa vermelha
Que casou feito pluma
Com a tentação em seu sorriso
O rosto era um desenho suave
De sobrancelhas vis
Separando das vestes a vermelhidão
De seus cabelos
Usava uma saia em tons selvagens
Verdes e azuis-marinhos luminosos
Que, à meia-luz, se alaranjaram
Selva e sonho, cítrica acidez
Cores musicais, insaciáveis
Perante a firmeza de seu olhar
Janelas de vidraça agora rompida
Estilhaços cristalinos, estrelas
Havia apenas luz de velas
Projetando sua sombra com precisão
Penumbra perfumada
Sapiência que dá lugar ao romance
Magia negra que purifica
Feitiço harmônico, desejo escorregadio -
Escapado a um começo cafeinado
Aconchegando-se no inesquecível
Fitou-me e me assustei
Ainda não me era crível aquilo
O álibi da surpresa sequer existiu
Foi o crime mais que perfeito
A cena que transborda encanto
Num filme retrô em tecnicolor
E no desenrolar daquele momento -
A mais verossímil atuação
Do elenco.
Vestia minha camisa vermelha
Que casou feito pluma
Com a tentação em seu sorriso
O rosto era um desenho suave
De sobrancelhas vis
Separando das vestes a vermelhidão
De seus cabelos
Usava uma saia em tons selvagens
Verdes e azuis-marinhos luminosos
Que, à meia-luz, se alaranjaram
Selva e sonho, cítrica acidez
Cores musicais, insaciáveis
Perante a firmeza de seu olhar
Janelas de vidraça agora rompida
Estilhaços cristalinos, estrelas
Havia apenas luz de velas
Projetando sua sombra com precisão
Penumbra perfumada
Sapiência que dá lugar ao romance
Magia negra que purifica
Feitiço harmônico, desejo escorregadio -
Escapado a um começo cafeinado
Aconchegando-se no inesquecível
Fitou-me e me assustei
Ainda não me era crível aquilo
O álibi da surpresa sequer existiu
Foi o crime mais que perfeito
A cena que transborda encanto
Num filme retrô em tecnicolor
E no desenrolar daquele momento -
A mais verossímil atuação
Do elenco.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O Despertar
Abriu os braços em pêndulo
Desafio gravitacional
Implodia, logo, explodiu
Fugaz
Fez-se fenda no tempo
Topo
Cume
Vórtex
Despertou de um sonho
Conhecido por
Realidade
Desafio gravitacional
Implodia, logo, explodiu
Fugaz
Fez-se fenda no tempo
Topo
Cume
Vórtex
Despertou de um sonho
Conhecido por
Realidade
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Planetinha
Fiquei sabendo que iria ao planeta Terra, e que teria uma
missão. Avisado sobre os contrastes que abalam a estrutura da existência,
ensinado a estender a mão ao próximo, lembrado de que voltaria para mais uma
vez desembocar numa outra dimensão qualquer. E então, a luz.
E logo, o escuro.
Senti mãos, ouvi vozes, eu crescia. Cresci.
Nasci.
Era-me tudo tão estranho!
Fui amamentado, ao seio da mãe, depois à mamadeira, até que
aprendi a segurar copos.
Jamais usei bico, o que talvez justifique minha ansiosa
fixação oral.
Aprendi a beber. Bebi. Até que esqueci como se mama.
Aprendi a comer. Apareceram dentinhos, que foram caindo com
o tempo.
O que teria sido aquilo?
O visgo de um vislumbre melancólico, talvez, pelo fato de
ter nascido sozinho.
Não tinha amigos, apenas árvores em que eu trepava.
Ficava horas de galho em galho, coletava frutinhos pra
experiências que nunca concluí.
Observava o curso das formigas.
Sentia-me só.
Sempre me senti só. Sozinho. Solitário.
O mundo das idéias era tão grande pra se estar apenas por si
mesmo!
Já praticava poesia, só não havia ainda a teoria. E pra quê?
Não havia qualquer coisa de errado em estar sozinho, salvo por
um fato.
O timbre.
A voz aguda.
O olhar profundo. Querido. Também curioso.
Feminino.
Do meu peito, despontou uma faísca chamada saudade. Dentro
daquele mundo ideal em que morava o sonho, aquele planetinha gigantesco que me
permitia imaginar qualquer coisa. Nunca precisei da Xuxa pra me ensinar a
imaginar. Era, por si só, a própria imaginação quem me imaginava, e me
desenhava num espelho que eu pudesse pensar, logo, refletir. Mas faltava algo,
e tão logo descobri esse algo.
Alguém.
Faltava alguém ali comigo. Uma pessoa que detivesse um
timbre angelical, poder supremo de contrastar com a minha voz e com as minhas
atitudes. A voz aguda que em tom ameno complementaria a minha, outrora
explosiva.
Uma menina.
Mas eu cresci. Conheci. Vislumbrei. Entristeci-me e fugi do
meu reflexo apenas para poder me amar novamente.
Foi ficando tão difícil. A simplicidade que eu tinha a
oferecer nunca era o bastante. A chave para o meu planetinha gigantesco ficava
ali, debaixo do nariz, tão óbvia e sublime que não havia pureza capaz de a
encontrar.
Eu cresci.
Desconheci.
Tentei esquecer. Poucas vezes consegui.
E me alegrei novamente. Jamais com a intensidade anterior,
mas me alegrei.
Alegraram-me.
Ou, talvez, alegrei o reflexo de outrem em mim.
Nunca soube.
Nunca saberei.
Mas cresci.
A menina, também.
Os sonhos continuaram os mesmos. Todos eles em seu devido
lugar, ideais, puros.
Até que voltou a sensação vivida na infância. Aquela
descoberta, aquele desconforto, aquela solidão, aquela tristeza. Voltou, sim,
sem que eu precisasse tocar meu mamilo. Tentei distrair meus sentidos, afagar a
mim mesmo com o toque, com a sutileza de um vôo até a realidade. Tentei até
tocar meu mamilo, em desafio, rebeldia. De nada adiantou.
Procurei a cura à medida que o tempo se arrastava.
Conheci os males do mundo e suas máscaras.
Algumas caíam, outras, capturei e uso até hoje. Poucas por
vontade própria.
Saboreei o que pensara ter sido a menina.
Tantas vezes, tantas amarguras.
Suas máscaras caíam e elas não eram bonitas nuas.
Não tão bonitas quanto a lua.
A mulher. Sim. Não era mais menina, pois ela crescera tanto
quanto eu.
Procurei a mulher.
Mãos, olhos, bocas, gestos, seios, pernas, glúteos, vaginas,
sexos, chás, cafés, chocolates e dejetos. Provei de tudo um pouco. Provei de
todas alguns, de algumas, tudo. Mas a chave continuava ali, até que percebi
haver algo de errado.
Errei quando pensei que quiseram sequer tocar a chave.
Meu mundo caiu.
A mulher.
Não podia ser. Pudera eu cometer tamanha gafe às raízes do
destino?
Enlouqueci. Pirei na batatinha, viajei na maionese.
Fiquei completamente louco.
Não sabia mais no que acreditar.
Foi a esperança que me salvou.
Sim, a espera, despida de ansiedade.
Olhei para dentro de mim, o planetinha ainda era gigantesco,
e os sonhos ainda estavam todos ali. Aquela velha sensação também me
acompanhava, porém, não mais com tanta aflição, aprendi a domá-la com meu
próprio reflexo, aliado à luminosidade das estrelas que escolhi seguir.
Percebi que a confusão seria inerente do meu ser até que eu
deixasse de ser.
Quando?
Apenas quando morrer.
Mas não o sofrimento.
Este não podia continuar. Tinha de parar.
Lembrei dela novamente. Seu timbre angelical que rompia a
escuridão, acolhia-me em suas notas como uma harpa acolhe a beleza. Sua voz
aguda contornava as explosões do meu pensamento com canetinhas de cores
vívidas, ora quentes, ora frias, sempre presentes.
Ela, a mulher. Que voltou a ser menina, tornando a memória
de seu crescimento uma máscara, daquelas necessárias e que não se pode
controlar, ou evitar.
A menina.
Lembrei dela e ela se lembrou de mim. Sabia que a hora havia
chegado, que nossos sonhos não se cruzariam, nem se chocariam.
Enquanto se aproximavam, fundiram-se. Fecundaram-se. Vida.
Mais vida. Outra vida.
Novamente, vida.
Ela olhou para a chave.
Sorriu.
Atravessou ligeira a fechadura.
E a porta ficou do lado de fora.
Com suas canetinhas singelas, vai colorindo o planetinha
gigantesco ideal.
Usando as mãos, ela pinta com delicadeza meu mamilo, faz
cócegas, eu rio, sorrio.
Sua voz de anjo sussurra o carinho que precede toda a
existência natural que ela encontrou depois da fechadura.
(Por sinal, eu até então sequer sabia dessa fechadura!)
E a sua missão parece um pouco com a minha.
domingo, 23 de junho de 2013
Mau-mau
Somos uma carta de um curioso baralho.
Na frente, diz Sorte.
No verso, Revés.
E vamos batendo bafo,
E o mundo girando,
Girando,
Girando...
Na frente, Revés.
No verso, diz Sorte.
E vamos soprando castelos,
E o mundo girando,
Girando,
Girando...
Somos uma carta em um baralho curioso.
Na frente, diz Sorte.
No verso, Revés.
E vamos batendo bafo,
E o mundo girando,
Girando,
Girando...
Na frente, Revés.
No verso, diz Sorte.
E vamos soprando castelos,
E o mundo girando,
Girando,
Girando...
Somos uma carta em um baralho curioso.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
A moça que foi em Paz.
Seu espírito surgiu em vivos tons, límpido,
Movia-se como que virgem
De toda a escuridão.
Ela projetou-se contra um lindo arbusto,
De bruços,
E ali se esqueceu.
Como uma linha
Ao libertar-se de um tecido mofado,
Deixou-se apenas
Ir.
Não soubera, até então,
Todo o valor que tinha -
Tão pequena, variada e simples,
Casual,
Natural,
Tão... livre.
Ria, sorria,
Como se fosse a primeira e última vez,
Desafiando o medo de ser engolida
E aquela velha vontade de voltar.
Tinha sabor e forma de vinda,
Mas o cheiro e a memória
Faziam-se
Ida.
Viveu a paz que habitava aquele momento,
Folhas
Massageavam-lhe as costas,
Galhos
Asseguravam sua estadia,
E seu corpo era mero devaneio.
Foi quando percebeu um par de cristais
A despontar dos sonhos
Em suas janelas.
Fundidos no calor daquele momento,
Desceram por suas maçãs
Feito trovão ao descer o céu.
Fecundaram o solo
Com uma esperançosa lembrança que
Um dia,
Quem sabe,
Germinar
Ia.
Movia-se como que virgem
De toda a escuridão.
Ela projetou-se contra um lindo arbusto,
De bruços,
E ali se esqueceu.
Como uma linha
Ao libertar-se de um tecido mofado,
Deixou-se apenas
Ir.
Não soubera, até então,
Todo o valor que tinha -
Tão pequena, variada e simples,
Casual,
Natural,
Tão... livre.
Ria, sorria,
Como se fosse a primeira e última vez,
Desafiando o medo de ser engolida
E aquela velha vontade de voltar.
Tinha sabor e forma de vinda,
Mas o cheiro e a memória
Faziam-se
Ida.
Viveu a paz que habitava aquele momento,
Folhas
Massageavam-lhe as costas,
Galhos
Asseguravam sua estadia,
E seu corpo era mero devaneio.
Foi quando percebeu um par de cristais
A despontar dos sonhos
Em suas janelas.
Fundidos no calor daquele momento,
Desceram por suas maçãs
Feito trovão ao descer o céu.
Fecundaram o solo
Com uma esperançosa lembrança que
Um dia,
Quem sabe,
Germinar
Ia.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Je, en juin.
Provenho da mistura entre resignação e sonho.
Ora outro nasce de um,
Ora um nasce do outro.
Minha fé: retrato de um pesadelo enfadonho.
Ora outro nasce de um,
Ora um nasce do outro.
Minha fé: retrato de um pesadelo enfadonho.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Tesouro dos Mapas
Achaste-te sempre por mais que demais
Aquática, por sob a pele
E, por ora, enigmática
Visto um longínquo toque, evitou Satanás
Freática, nua e indeleve
E doutroras sarcástica
Esbanja-te sobre o átlas, profunda em prosa
Infindável, porém, solúvel
E da criação, hmmm... apetitosa
Ó, inodora, "insossa"
Que queres tu de mim?
Fogo? Terras? Inspirante és.
Docinhos? Cravos em quindim?
Não queres escravos pra de ti beber
Não queres guerreiros pra de ti tomar
Não queres poetas a te enaltecer
Não queres duendes a te enfeitiçar
Ó deusa, mãe vida, tesouro dos mapas
Que tão cedo enfim assim tu me namores!
Eu, tão jovial pirata das lapas.
Aquática, por sob a pele
E, por ora, enigmática
Visto um longínquo toque, evitou Satanás
Freática, nua e indeleve
E doutroras sarcástica
Esbanja-te sobre o átlas, profunda em prosa
Infindável, porém, solúvel
E da criação, hmmm... apetitosa
Ó, inodora, "insossa"
Que queres tu de mim?
Fogo? Terras? Inspirante és.
Docinhos? Cravos em quindim?
Não queres escravos pra de ti beber
Não queres guerreiros pra de ti tomar
Não queres poetas a te enaltecer
Não queres duendes a te enfeitiçar
Ó deusa, mãe vida, tesouro dos mapas
Que tão cedo enfim assim tu me namores!
Eu, tão jovial pirata das lapas.
Cascudo
Entendeu que a maioria das pessoas a seu redor não querem ouvir suas críticas, opiniões e idéias;
Percebeu que sua voz ressoava e era escutada apenas no interior de sua cabeça;
Sua enorme roda de amigos dissipou-se em alguns pequenos grupos de sobreviventes, cada qual exercendo vida com base em um indiscutível gosto em comum;
Passou pelo doloroso luto da percepção de estar sozinho e ter de se acostumar;
O sabor da frieza é sua linha de evolução.
Percebeu que sua voz ressoava e era escutada apenas no interior de sua cabeça;
Sua enorme roda de amigos dissipou-se em alguns pequenos grupos de sobreviventes, cada qual exercendo vida com base em um indiscutível gosto em comum;
Passou pelo doloroso luto da percepção de estar sozinho e ter de se acostumar;
O sabor da frieza é sua linha de evolução.
domingo, 14 de abril de 2013
1
Um aperto no peito
Um vazio por dentro
Um nostálgico pranto
Um ilógico canto
Um desespero pronto
Um preocupado conto
Um retrocesso bento
Um sonho inatento
Um sorriso eu minto
Um sufoco eu sinto
Um poeta indecente
Um sussurro indigente
Um sucesso distante
Um recalque adiante
Um ultrajado ouvinte
Um imoral requinte
Um escuro na fenda
Um mosquito na tenda
Um aperto na ida
Um vazio na vinda
Um diabo de vida
Um pecado ainda
Um.
Um vazio por dentro
Um nostálgico pranto
Um ilógico canto
Um desespero pronto
Um preocupado conto
Um retrocesso bento
Um sonho inatento
Um sorriso eu minto
Um sufoco eu sinto
Um poeta indecente
Um sussurro indigente
Um sucesso distante
Um recalque adiante
Um ultrajado ouvinte
Um imoral requinte
Um escuro na fenda
Um mosquito na tenda
Um aperto na ida
Um vazio na vinda
Um diabo de vida
Um pecado ainda
Um.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Desafio Solidão
Duvido que tu saibas como é
sentir falta de uma companheira
mais frequente do que passageira
lado a lado com a tua hora:
Desafiando os teus minutos
mas em detalhe dos teus segundos
sugando tua mente vida afora.
Duvido que tu saibas como é
saber que o teu amor é infinito
mas que a gramática do bonito
dura só até o primeiro ponto:
Padece e sucumbe feito trema
com reticências te envenena
contornando com aspas teu conto.
Duvido que tu saibas como é
tal descompassado marcapasso
tão conveniente ao suor do teu baço
e à trava das travas da tua língua:
Saliva que sobrou da tua mágoa
n'outros corpos um dia foi água
em ti, árdua e inflamada íngua.
sentir falta de uma companheira
mais frequente do que passageira
lado a lado com a tua hora:
Desafiando os teus minutos
mas em detalhe dos teus segundos
sugando tua mente vida afora.
Duvido que tu saibas como é
saber que o teu amor é infinito
mas que a gramática do bonito
dura só até o primeiro ponto:
Padece e sucumbe feito trema
com reticências te envenena
contornando com aspas teu conto.
Duvido que tu saibas como é
tal descompassado marcapasso
tão conveniente ao suor do teu baço
e à trava das travas da tua língua:
Saliva que sobrou da tua mágoa
n'outros corpos um dia foi água
em ti, árdua e inflamada íngua.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Talksnot
It's gonna be alright
Just roll your love
Anyway you want to
But don't use words
Words are a prey
To the pranks you play
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Súbita facada.
Eu estou feliz, eufórico, animado, contente, pensativo, racional, alegre, amável, esclarecedor, interativo, entretido, dinâmico, morto.
domingo, 31 de março de 2013
Felicidade
Felicidade é um tempero nato:
Tua gula perante minha fome,
Meu sangue bailante em teu prato.
terça-feira, 26 de março de 2013
Hi Barry.
First of all, thank you so much for your attention. I never had someone as charitable as you are by sending me this message.
Things are pretty rough for me, mainly because I am doing absolutely nothing to change. I can't seem to have the power to do so. I think of a lot of different ways to strenghten myself, but they all seem so big compared to me, that I feel low and I feel small. I think they call it depression, and its consequences are to cause bad impressions, not only to people around me, but also to myself.
I used to be so active! So smart, nice to everyone, sincere, charming, handsome.. I used to move mountains, convert demons, polish angels, furbish lost cathedrals and even to find the right people, whether it was the right time or not! Now I feel like Atlas, carrying the whole world upon my shoulders, walking barefoot on rocky soil, but the weight is so huge for me to get strong, my bones are turning into wood, my body's turning into winter, and I'm feeling alone. Gosh, how lonely I am! And how deaf, for people to come and try to cheer me up while I continue to be the same.
I'll surely write, and I'll surely move myself, I trully hope so. I'll also search for outer help.. Maybe spiritual centers, churches, meditation, things which I never thought that I'd be so inclinated to go for.
Do you have a "joyness hobby"? I mean, something that always cheers you up, that calms your spirit? I would love to try that too.
Again, thank you so much for your kind words, and your attention. Kind people like you are of increasing rarity in this cruel world, and I'll stick with you whenever you need.
Hugs!
segunda-feira, 25 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
Hoje não é um bom dia para pessoas
Ao menos acho que acordei assim
Diga logo o que você quer dizer
Que nunca é o que você quer de mim
Não invente grandes histórias de glórias
Anéis, calça e botas, cadarço e sapato
Diga logo e tão logo vire e vá embora
Deixe-me aqui com meu anonimato
Estou gripado, desalmado e constipado
E assim continuarei e estarei sozinho
Diga algo, seja breve, leve, pontual
Há por demais ovos a chocar no ninho
Hoje não é um bom dia para pessoas
Depois não diga que omiti meu desalinho.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Paintball at Bumper Cars
I had a friend
He was a fiend
His thoughts were fearless
His acts were brainless
His aim was flawless
Nuts surely crackless
Beans barely cooked
Misunderstood
Whose coulds were woulds
A shaggy dude
Behaving handsomely
Shooting flawlessly
And crackin' nuts
Left people nuts
He scratched and cut
Chewed, bit and cut
Cuts, bites and chews
Cracks, wraps and thrills
Was no bummer to choose
Lose, use or let loose
No mouth to up shut
No switch to down shut
No materialism
Unexpressionism
Ah, surrealism
But they came with a prism
And they taught him a lesson
They demanded a ransom
Disguised while pasm
Zug-zwang after mess
Told him tales 'bout some son
A underage overrun
His own tales now forlorn
Right before they were born
Ah, fiend overfed and torn
Spells medically worn
And nothing really occurred
With dreams and infancy blurred
So the dark holes are there
So the wormholes are here
Unlike those charms that they bear
Unlike those rumors I hear
I have a friend
No one can see
He is my angel
Appears only to me
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Vomimexê
Vatimbora, solidão!
Não te fui hospitaleiro
Acha um outro companheiro
Vatimbora, fica não!
Saidimim, ócio monstrão!
Não te quero, vil monstrengo
Quero idéias, quero dengo
Saidimim, vã regressão!
Pisafora, mascarão!
Não se atenha ao meu sossego
Queu vampiro e queu morcego
Pisafora, pesadão!
Vemnimim, ó compaixão!
Não só quero o teu elenco
Mas também o teu flamenco
Vemnimim, meu furacão!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Resignation
Pigeons will come around the playground benches everyday
Till they learn that the corn grampa won't be showing up today
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Panorama Elemental
Quem me dera fosse o ar da conquista
Tenro e fogoso
Embora ardiloso
Deparei-me com uma muralha de gelo
Erguida em astúcia
Mantida em falácia
Percebi que era vento na pedra do mundo
Mas eu ia caindo
E a pedra, subindo
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
A Tuesday Era
Night falls
My stare turns into a spear
Sharpened for master precision
It aims straight to midnight
Tensions
Summer dies
And thus I'll need hands
Others than mine
Autumn leaves wear passion colours
Lullabies
I am loving
Although I don't know what or who
I've counted feelings
Finally awoken, had not enough fingers
Treasures
Cool breeze
Blows my long brown hair backwards
Whispers me to keep myself alive
As I yearn for whatever's next
Beyondskies
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Seu caráter vazio.
Há de entrar no mundo do outro
E comer do seu pão
Beber da sua água
Urinar em seus bosques
Mamar em seu seio
Dizer-lhe amores
Ver nele o entretenimento
Partilhar de seu carinho
Há de invadir a terra do outro
E plantar tuas sementes
Colher teus interesses
Alertá-lo do perigo
Apontando para ele
Tua própria arma
Pedi-lo que entenda
Que a alma há muito morreu
Que o sonho há muito murchou
Que ele jamais foi preciso
Que seu ser não será o bastante
Há de se encantar com o outro
Pensando em cantar o próximo
Pois assim serás feliz.
E comer do seu pão
Beber da sua água
Urinar em seus bosques
Mamar em seu seio
Dizer-lhe amores
Ver nele o entretenimento
Partilhar de seu carinho
Há de invadir a terra do outro
E plantar tuas sementes
Colher teus interesses
Alertá-lo do perigo
Apontando para ele
Tua própria arma
Pedi-lo que entenda
Que a alma há muito morreu
Que o sonho há muito murchou
Que ele jamais foi preciso
Que seu ser não será o bastante
Há de se encantar com o outro
Pensando em cantar o próximo
Pois assim serás feliz.
Café
Olhei bem praquele obstáculo
Decidi que eu iria passar
Não houve nenhum espetáculo
Só tinha Nescafé pra tomar
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Muié fina
Ocê qué qui eu seja teu iscravo
Mas eu tenho uns cravo
Qui ocê num qué catá
Ocê qué qui eu num fique di olho
Mas os meus piolho
Ocê num qué pentiá
Tá achando qui a vida é mole
E só cum rocombóle
É qui ocê qué mi criá
Custumada cum ovo maltino
Meu risotto fino
Ocê nunca vai gostá
Trêis hora no banho e eu nada falo
Meus pêlo do ralo
Ocê qué qui eu vá juntá
Meu trabaio é das seis às vinte
Inda cê qué requinte
E bota cara qué comprá
Eu rezo a Deus qui ocê tome jeito
Qui mi dê respeito
O intão não dá pra confiá
Mas ontem soube que eu tenho guampa
Vaca, sua anta
Eu vô tê qui ti matá
E vô imbora na minha carroça
Te dexá na roça
Enterrada a mofá
LASCA!
O Corvocida - Parte 2
Chapéu de palha que nunca usei; Cinco cabos de vassoura, quatro pro tronco e um pros braços, amarrados por cadarços de tênis que eu guardava há anos, com a sábia certeza de que, um dia, serviriam pra alguma coisa; Uma camiseta, meu xodó, que eu usava (e nunca lavava) pra limpar a porra das minhas punhetas, quando estava no clima de fazer a coisa na cama mesmo; Uns duzentos e cinquenta dentes de alho, que descasquei um a um pensando carinhosamente como se estivesse descascando, na verdade, a cabeça de cada um daqueles queridos corvos, alho por alho, dente por dente (cheguei até a mastigar um ou dois, pensando nas cabecinhas fazendo crack crack, com seus cérebros se tornando meus chicletinhos); Alguns dos meus menos estimados (entre quebrados, feios e mofados) bonequinhos de madeira. Uma regata listrada de verde e vermelho, a qual usei durante os poucos eventos festivos que fui em minha vida, inclusive no casamento do meu irmão com sua prima (que me chupava porque, segundo ela, gostava do "suquinho"); Cerdas de vassoura; Um lençol rasgado; Uma lâmpada.
Pras pernas, amarrei dois cabos de vassoura, paralelamente, depois amarrei um na transversal, pra fazer os braços e, pra me divertir um bocado, quebrei os outros dois cabos batendo contra o peito da perna, viraram quatro, então, amarrei os quatro queném fiz com os das pernas, pra fazer o pescoço. Prendi tudo. Cravei aquela porra na terra, bem fundo, e chutei algumas vezes. Ficou intacto, beleza. Sobrou um pouco de cadarço, então usei pra amarrar as cerdas da vassoura nas pontas do cabo transversal. Fiz, assim, as mãos. Peguei com muito cuidado minha camiseta (tinha um cheiro pútrido mais tenebroso que a tenebrosidade) e estendi ela no chão. Joguei os dentes de alho todos ali. Tive que voltar em casa pra pegar um prendedor e duas sacolas, porque fiquei com nojo, de verdade. Voltei ao milharal. Forrei minhas mãos com as sacolas, respirei fundo, botei o prendedor no nariz e comecei a prender o alho dentro da camiseta, de forma a parecer uma cabeça humana. Era quase impossível. Eu podia sentir o cheiro de porra apodrecida misturado com o do alho. Aquilo cheirava pior que a bota mais chulepenta do diabo, e se eu respirava pela boca, sentia um gosto pérfido e ácido, desumano. Poderia afastar um vampiro pra nunca mais voltar ao país. Quase vomitei toda a feijoada do almoço, mas consegui dar um nó maneiro e pendurar aquilo nos cabos de cima. Ainda com o prendedor no nariz, peguei a regata style e preguei no cabo transversal. Lembrei da prima, bons tempos.
Fazia anos desde a última chupada que ela me dera. Ia até o fundo da garganta e depois voltava, mas o melhor era quando ela se afogava. E eu fazia questão de nunca avisar quando tava vindo, sempre pegava ela de surpresa, e ela se engasgava, tossia e depois ficava toda envergonhada, sorrindo queném uma boboca. Aí eu pedia pra ela escovar os dentes, por causa do marido, mas ela sempre ficava mais um pouco com a gelatina na boca. Dizia que era quentinho e mágico, olha que anjinho. Bons tempos mesmo. É uma pena que meu irmão tenha estourado sua barriga com a punheteira cano duplo, logo depois dela contar que o filho "talvez" não fosse dele. Confesso que ele abusava um bocado da coca, mas enfim.
A obra de arte estava quase pronta, agora só faltava um toque de requinte campestre. Peguei o lençol rasgado e fiz uma capa maneira. Pendurei na parte de trás do cabo transversal, e vualá! Ou talvez não. Ainda faltava a lâmpada. Peguei as pilhas e coloquei na base, depois pus a lâmpada bem no centro de todos os cabos, pra dar um destaque enorme. Tirei o prendedor do nariz e as sacolas e, é claro, me afastei pra dar uma boa olhadela naquele novo companheiro que criei.
Decidi chamá-lo Rudolph, em homenagem à rena número um. Fui tomado de uma súbita felicidade, e já não mais me sentia tão só. Aquilo me despertava regozijo tanto quanto o fazia Wilson para o naufragado. Minhas esperanças refloriram dentro deste seco e despudorado coração. Os novos sabugos levariam mais um bom tempo pra crescer no milharal, mas cresceriam, já que, agora, Rudolph estaria lá para eles, assim como Deus está para todos nós. Era tanta alegria, que joguei minhas mãos para o alto e o saudei:
- SEUS FEDORENTOS FILHOS DA PUTA, VEJAM, VEJAM AQUI!!! TEMAM, POIS ESTE É O FILHO DE SANTA CLAUS E PAPAI TOBIAS!!
ESTE É RUDOLPH!!! HAAAAAHAHAHAHAHAH
Por fim, pendurei os bonequinhos de madeira no seu grande e magnífico chapéu de palha. A deformidade de ambos sossegou meu coração, se amariam tanto quanto eu amei criá-los.
Estava pronto, meu espantalho.
A'lothlorien
O sol da manhã desponta e ilumina a moça na cama
Bate no verde da grama e nas grandes janelas de vidro
Invade o salão de madeira e realça o oliva escuro do musgo
Que naquelas paredes proliferou-se, junto a teias, de aranhas
Há muito idas.
O céu é a única coisa que, com seu azul e núvens, excede o verde
Dali, porém, sô se vê luz mágica transformada pelo vidro ancião
Isto é, se você for essa moça que, profunda e eternamente
Ali repousa, imóvel, insípida, um sonho impossível, o rasgo
De muitas vidas.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Árvores móveis.
Eu pensei que talvez te alegrarias
Em saber do bem que tu me fazes
Que ao bem querer meu tu sorririas
Que é o mesmo querer que tu me trazes
Sonhei que sonhos não mais teria
De crescimentos desenfreados
Porém, a alma é quem avalia
Produz sonhos gordos e inchados
Vi no cinema o que é o amor
Que é uma flor de beija-flor amado
Que seu fruto é de um raro odor
Que só a semente se tem achado
Mas não, o amor não é encontrado
O amor é que quer nos encontrar
E o faz, tão bêbado e madrugado
Quando já é tarde demais pra amar.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Trata-te ínguas
Tétano atroz e trombetas trajadas geram rajadas
Dilemas me mimam o mármore
Trítano, tímpano, távola
Sentido, cinco, centígrado
Grana, grama, ganha-pão
Pés, voz, noz, nosso albatróz
Eu, ti, tu, nós, eles, vós
Toldos, boldos, aquéns, quandos
Pastilha, pilha, quadrilha
Forquilha, ilha, fornalha
Palha, milho, milharal
Cravo, uva, vinho, vilão
Quente, quentinho, quintão
Quintal, querência, ênfase
próclise, ênclise, mesóclise
Ateu, atado, atônito, tônico
Assim, assado, arfado, alado
Torrado, torradeira, torrão
Tripé, tetraedro, tentado
Concurso, câmbio, bocão
O peito do pé do pedro é preto
O preto da ré do pedro é peido
Mamãe mamou na mama e mamadeira
O azul-anil do céu com zorro sofro morro louco
Retiro o tinto do tiro e o tiro o tento tinindo
Tratante a tinta trotando te atira à testa o tingir
Tatame tomo tomé tentáculo trovão totem tentador
Atira vira viril vírus Avast Avira AVC
Sensato inssosso solfejo lampejo beijo girino grilo pocilga pulga pinga pitinga pinta tigela late tatu tigre
Grenal nau aureola joia ideia boia iate telão órfã sótão órgão grão porém porá porão pôs pus pague braga bagre
Ronronar narguilé léxico coração sancionei eiterou ouviu uivou aí vou viu vai vem ente terno tenro genro rolimã magenta
Cala boca soca calo bota calça calça bota boto ralo ralo cáqui quinto grito pistão gilberto gil milton vasques questão
Tele-tom tim bum bão
Trata-te trégua então
Dilemas me mimam o mármore
Trítano, tímpano, távola
Sentido, cinco, centígrado
Grana, grama, ganha-pão
Pés, voz, noz, nosso albatróz
Eu, ti, tu, nós, eles, vós
Toldos, boldos, aquéns, quandos
Pastilha, pilha, quadrilha
Forquilha, ilha, fornalha
Palha, milho, milharal
Cravo, uva, vinho, vilão
Quente, quentinho, quintão
Quintal, querência, ênfase
próclise, ênclise, mesóclise
Ateu, atado, atônito, tônico
Assim, assado, arfado, alado
Torrado, torradeira, torrão
Tripé, tetraedro, tentado
Concurso, câmbio, bocão
O peito do pé do pedro é preto
O preto da ré do pedro é peido
Mamãe mamou na mama e mamadeira
O azul-anil do céu com zorro sofro morro louco
Retiro o tinto do tiro e o tiro o tento tinindo
Tratante a tinta trotando te atira à testa o tingir
Tatame tomo tomé tentáculo trovão totem tentador
Atira vira viril vírus Avast Avira AVC
Sensato inssosso solfejo lampejo beijo girino grilo pocilga pulga pinga pitinga pinta tigela late tatu tigre
Grenal nau aureola joia ideia boia iate telão órfã sótão órgão grão porém porá porão pôs pus pague braga bagre
Ronronar narguilé léxico coração sancionei eiterou ouviu uivou aí vou viu vai vem ente terno tenro genro rolimã magenta
Cala boca soca calo bota calça calça bota boto ralo ralo cáqui quinto grito pistão gilberto gil milton vasques questão
Tele-tom tim bum bão
Trata-te trégua então
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Alexia
Feito corvo à ronda da putridez
sinto o cheiro do prazer
e o fedor
contido em cada partícula
do suor
de meu vôo ao desprazer
Como águia fitando a gorda coelha
aguardo o flash
de uma câmera desumana
meu bico mexe
tua inocência profana
a futura cenoura
Tal qual a agulha
daquela vitrola quebrada
empoeirada
à espera de um arranhar
explosivo
naquele velho vinil do Dire Straits
Te acolho em meus braços
cato os teus pedaços
vou te colando
como dá
Seu último truque -
Que fique embaixo da manga.
sinto o cheiro do prazer
e o fedor
contido em cada partícula
do suor
de meu vôo ao desprazer
Como águia fitando a gorda coelha
aguardo o flash
de uma câmera desumana
meu bico mexe
tua inocência profana
a futura cenoura
Tal qual a agulha
daquela vitrola quebrada
empoeirada
à espera de um arranhar
explosivo
naquele velho vinil do Dire Straits
Te acolho em meus braços
cato os teus pedaços
vou te colando
como dá
Seu último truque -
Que fique embaixo da manga.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
Um Tanto Quanto Opor
Tanto quanto rir, posso chorar
Tanto quanto ser, posso estar
Tanto quanto ir, posso ficar
Tanto quanto ter, posso largar
Tanto quanto vir, posso voltar
Tanto quanto ver, posso olhar
Tanto quanto ouvir, posso falar
Tanto quanto crer, posso negar
Tanto quanto abrir, posso fechar
Tanto quanto arder, posso curar
Tanto quanto der, devo doar
Tanto quanto vier, devo lidar
Tanto quanto houver, devo abrigar
Tanto quanto quer, devo instigar
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Revelia
O teu ser proclama, grita, chama
Inflama o espantalho em meu milharal
Reclama um desejo transcendental
Da crença ao baralho; Copas, e a dama
Sou rei sem castelo, aguardo o martelo
Revelo o curinga que confinaremos
Singelas espadas, reforjaremos
Do sangue à ginga, salgado, o elo
Bordamos o emblema, composto o lema
Às pequenas sinas o fogo cordial
No sereno bosque um toque final -
Em nossas retinas, paira o ás de Paus.
Inflama o espantalho em meu milharal
Reclama um desejo transcendental
Da crença ao baralho; Copas, e a dama
Sou rei sem castelo, aguardo o martelo
Revelo o curinga que confinaremos
Singelas espadas, reforjaremos
Do sangue à ginga, salgado, o elo
Bordamos o emblema, composto o lema
Às pequenas sinas o fogo cordial
No sereno bosque um toque final -
Em nossas retinas, paira o ás de Paus.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Mesmice Materna
Eu vou estar com 40 anos, jogado na cama com
meu anjo numa segunda-feira, dormindo até o cu fazer bico após ter
ficado o fim de semana inteiro buscando a paz espiritual (e traduzindo
um livro desconhecido do Brian Aldiss, que prometerá ser a revelação
para o público underground da literatura fantástica), depois de uma
semana inteira de intenso trabalho e com todas minhas satisfações
pessoais realizadas, além de todas as contas pagas, na minha casa em algum lugar do interior de SC.
De repente, o telefone vai tocar. O relógio marca 18 horas e alguns
tantos minutos. Minha menina respira fundo e depois acorda. Falo pra ela
me alcançar o telefone enquanto dou-lhe um beijo de boa tarde no
pescoço. Ela pega o aparelho, me alcança e põe-se a levantar. Num misto
de maresia e parto que é o sentimento de acordar, pensando que talvez
seria algum pedido para fotografar um evento, festa, etc, eu disse alô.
Ouço a resposta no outro lado da linha:
- TU CONTINUAS DORMINDO O DIA INTEIRO GURI?
Era minha mãe.
Ouço a resposta no outro lado da linha:
- TU CONTINUAS DORMINDO O DIA INTEIRO GURI?
Era minha mãe.
Tenro Sem Bravata
Tenro e sem bravata é o veludo de minha vida,
Depois que boto as calças ele me calça as botas!
Depois que boto as calças ele me calça as botas!
Arigunstafari I
"A pluralidade insensorial da mentalidade
humana não basta para preencher o significado daquilo que ficou para
trás. Os neuroauxiliadores artísticos perplexiam-se perante a força de
um bem comum - pois há descendências catastróficas de dinossauros. Do
universo, do cosmo e da filosofia de Dali papamos as benéficas vitaminas
lunares e ainda sobram músculos forjados, e são cerebrais.
Arigunstafari. Penso que logo terei de libertar vocês,
ó!..senhoresdosofrimento, para que não mais sofram das calúnias impostas
por qualquer prisão."
Meistre Das'arigunstafari Mahafari
Meistre Das'arigunstafari Mahafari
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Do meu lamber
Em definitivo, jamais me fecho
Jamais me jogo
Mirando um desfecho
Eu sou muito bixo, sempre me apego
E me prorrogo
Pra ter mais um beijo
Jamais me jogo
Mirando um desfecho
Eu sou muito bixo, sempre me apego
E me prorrogo
Pra ter mais um beijo
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
Três seis dá nove.
| Das noites sextas
não tenho grana,
não tenho rima,
não há vontades,
jardins de cima,
não tenho fome,
mas tenho sede,
metamorfadas,
voz e a parede.
| Dos passatempos
tirar a roupa,
escovar dentes,
tomar um banho,
jorrar o leite,
vestir o estanho,
sair do azeite,
coçar o saco,
alçar foguetes.
| Das destemências
aguardam sonhos,
olhos de medo,
corpo selado,
cadeado e seco,
aventurança,
é a moça nua,
que não deu mão
ao cruzar a rua.
não tenho grana,
não tenho rima,
não há vontades,
jardins de cima,
não tenho fome,
mas tenho sede,
metamorfadas,
voz e a parede.
| Dos passatempos
tirar a roupa,
escovar dentes,
tomar um banho,
jorrar o leite,
vestir o estanho,
sair do azeite,
coçar o saco,
alçar foguetes.
| Das destemências
aguardam sonhos,
olhos de medo,
corpo selado,
cadeado e seco,
aventurança,
é a moça nua,
que não deu mão
ao cruzar a rua.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Flor de Lis
De um carinho sincero, sóis e luas, e ela vinha
Poderá tirar o peixe encravado em minha espinha?
Poderá tirar o peixe encravado em minha espinha?
terça-feira, 30 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
O Corvocida - Parte 1
Naquele fim de mundo onde fui me enfiar, era raríssimo que fizesse vento pela noite (coisa de um ou dois por cento de chance), e bastava observar a formação das nuvens para detectar uma possível ventania. Sempre achei isso ótimo para um lenhador solitário como eu, pois gostava de pendurar meus bonecos de madeira debaixo da quina do telhado. Com o vento, ficavam emaranhados e vez que outra uma forca se rasgava, fazendo algum deles despencar.
Ontem, porém, percebi que foi contando com esse inimigo elemental que fiz uma enorme cagada.
Despojei-me de minha pequena casa na pacata cidade para então vir morar pouco depois da ponte do rio Karkasse - onde, ao seu redor, situa-se uma pequena vila - há aproximadamente duas semanas. Trouxe comigo todos os mantimentos necessários; ferramentas, comida suficiente até encontrar caça, madeira, roupas, higiene, foto de uma boceta (que levo sempre na parte de trás do meu Marlboro branco steel), freezer de isopor gigante, isqueiro e até minha punheteira de caça, com estojo de balas e tudo o mais. No primeiro dia de chegada, a primeira coisa que fiz - depois de montar acampamento, é claro, e também esvaziar o caminhão - foi arar o chão e começar minha horta. E é óbvio que plantei uma cacetada de milho, porque sou viciado nessa merda.
Pois bem, voltando ao ocorrido de ontem. Fui dormir feliz da vida, meu milho tava quase pipocando e eu já podia ver uma espiga se enchendo de beleza e vontade de virar sopa. Estava quase pronto pra ir dormir, quando ouvi uma barulheira danada vinda lá de cima, quase do céu. Corvos, saquei na hora. peguei minha punheteira, mas depois decidi trocar por um estilingue que eu tinha feito pra brincar de machucar pássaros. Escolhi as maiores pedras pra pegar os bichos desgraçados em cheio no crânio. Barulho excessivo lá fora, grunhidos, berros agudos e som de asas se debatendo. Abri a janela pra dar uma espiadela. Devia haver uns cem corvos espalhados por toda minha plantação. Devoravam meu milho, tanto quanto devoravam a si mesmos e uns aos outros. A palavra diabo nunca passou tão forte pela minha cabeça, e ainda por cima era noite de lua cheia. Malditos, pensei.
Saí lá pra fora equipado com o estilingue na mão e uma sacola de pedras na outra. A cada passo que eu dava, os bichos ficavam mais loucos e atiçados. Foi no que eu preparei uma pedra que um par deles voou direto na minha mão, arrancando numa sangrenta e aérea disputa minha única arma. Olhei pra onde tinham voado aquele desgraçado casal de corvos, e vi o estilingue, mas gozei mesmo quando avistei meu machado a meio caminho. Corri até ele, narrado por berros ensurdecedores vindos de todos os corvos. Não havia um sequer em silêncio, parecia que lhes dava prazer berrar enquanto destruíam minha plantação. Catei o machado, e aquilo me fez sentir como um deus romano.
Fui de encontro aos que estavam na plantação, girando o machado no ar e vez que outra atropelando uma cabeça de corvo perdido no chão. Quando me aproximei da plantação, onde os malditos, para meu desprazer, estavam concentrados em massa, pude sentir um fedor indiscritível, uma mistura de chorume com galinha podre. Fui até aquela espiga por quem me apaixonara perdidamente, aquela que estava prestes a desabrochar, e vi um maldito e gordo corvo terminando de devorá-la. Aquilo pra mim foi demais, foi a gota d'água! Puxei meu machado e fiz-me arco, soltando toda a força que pude colocar no corpo inteiro naquela machadada, mas quando acertei o chão, vi que o maldito corvo já havia se misturado na multidão, e tudo o que cortei foi a espiga, antes linda, agora, feia e devorada por um intruso fedorento.
Depois disso, não lembro muito o que aconteceu, mas sei que giramos, eu e o machado, em meio aos corvos, até que o fedor deles me desligou lá no meio. Acordei com um globo de sangue seco ocupando o lugar da unha do meu dedão direito da mão, no meio da minha plantação que agora fedia tanto quanto eu e os corvos covardes. Vingança, pensei, e voltei pra dentro de casa, e foi aí que fiz a maior merda que podia ter feito pra aguardar a próxima noite: um espantalho.
Ontem, porém, percebi que foi contando com esse inimigo elemental que fiz uma enorme cagada.
Despojei-me de minha pequena casa na pacata cidade para então vir morar pouco depois da ponte do rio Karkasse - onde, ao seu redor, situa-se uma pequena vila - há aproximadamente duas semanas. Trouxe comigo todos os mantimentos necessários; ferramentas, comida suficiente até encontrar caça, madeira, roupas, higiene, foto de uma boceta (que levo sempre na parte de trás do meu Marlboro branco steel), freezer de isopor gigante, isqueiro e até minha punheteira de caça, com estojo de balas e tudo o mais. No primeiro dia de chegada, a primeira coisa que fiz - depois de montar acampamento, é claro, e também esvaziar o caminhão - foi arar o chão e começar minha horta. E é óbvio que plantei uma cacetada de milho, porque sou viciado nessa merda.
Pois bem, voltando ao ocorrido de ontem. Fui dormir feliz da vida, meu milho tava quase pipocando e eu já podia ver uma espiga se enchendo de beleza e vontade de virar sopa. Estava quase pronto pra ir dormir, quando ouvi uma barulheira danada vinda lá de cima, quase do céu. Corvos, saquei na hora. peguei minha punheteira, mas depois decidi trocar por um estilingue que eu tinha feito pra brincar de machucar pássaros. Escolhi as maiores pedras pra pegar os bichos desgraçados em cheio no crânio. Barulho excessivo lá fora, grunhidos, berros agudos e som de asas se debatendo. Abri a janela pra dar uma espiadela. Devia haver uns cem corvos espalhados por toda minha plantação. Devoravam meu milho, tanto quanto devoravam a si mesmos e uns aos outros. A palavra diabo nunca passou tão forte pela minha cabeça, e ainda por cima era noite de lua cheia. Malditos, pensei.
Saí lá pra fora equipado com o estilingue na mão e uma sacola de pedras na outra. A cada passo que eu dava, os bichos ficavam mais loucos e atiçados. Foi no que eu preparei uma pedra que um par deles voou direto na minha mão, arrancando numa sangrenta e aérea disputa minha única arma. Olhei pra onde tinham voado aquele desgraçado casal de corvos, e vi o estilingue, mas gozei mesmo quando avistei meu machado a meio caminho. Corri até ele, narrado por berros ensurdecedores vindos de todos os corvos. Não havia um sequer em silêncio, parecia que lhes dava prazer berrar enquanto destruíam minha plantação. Catei o machado, e aquilo me fez sentir como um deus romano.
Fui de encontro aos que estavam na plantação, girando o machado no ar e vez que outra atropelando uma cabeça de corvo perdido no chão. Quando me aproximei da plantação, onde os malditos, para meu desprazer, estavam concentrados em massa, pude sentir um fedor indiscritível, uma mistura de chorume com galinha podre. Fui até aquela espiga por quem me apaixonara perdidamente, aquela que estava prestes a desabrochar, e vi um maldito e gordo corvo terminando de devorá-la. Aquilo pra mim foi demais, foi a gota d'água! Puxei meu machado e fiz-me arco, soltando toda a força que pude colocar no corpo inteiro naquela machadada, mas quando acertei o chão, vi que o maldito corvo já havia se misturado na multidão, e tudo o que cortei foi a espiga, antes linda, agora, feia e devorada por um intruso fedorento.
Depois disso, não lembro muito o que aconteceu, mas sei que giramos, eu e o machado, em meio aos corvos, até que o fedor deles me desligou lá no meio. Acordei com um globo de sangue seco ocupando o lugar da unha do meu dedão direito da mão, no meio da minha plantação que agora fedia tanto quanto eu e os corvos covardes. Vingança, pensei, e voltei pra dentro de casa, e foi aí que fiz a maior merda que podia ter feito pra aguardar a próxima noite: um espantalho.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
"Sonar"
Meu viver oscila e é feito morcego
dorme se afogando
e acorda queimando
Sonar é o mistério que me tira o medo
num rumo bem-vindo
de regresso ungido
dorme se afogando
e acorda queimando
Sonar é o mistério que me tira o medo
num rumo bem-vindo
de regresso ungido
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Tempo Rei
Que tantos mares velejei;
Que sou verso no que bem sei;
Que cem mil núpcias terei;
Mas só o tempo é rei.
Que sou verso no que bem sei;
Que cem mil núpcias terei;
Mas só o tempo é rei.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Uivo
Os ventos mudaram
uivaram de longe,
puseram respeito,
chacoalharam o monge
que habita meu peito
Eu sinto a maré
chegando mais forte
invadindo a rua
Temo em subir
pois caí da lua.
uivaram de longe,
puseram respeito,
chacoalharam o monge
que habita meu peito
Eu sinto a maré
chegando mais forte
invadindo a rua
Temo em subir
pois caí da lua.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Essa coisa de felicidade...
Essa coisa de felicidade
Isso aí é tudo bobagem
Mas a coisa é que quando acontece
O caminhão entra e sai da garagem
Não não - não se preocupe comigo
E assim não me abala o futuro
Mais insuportável o alfabeto
Cada vez que ensopo meu pão duro
Estar devendo à sociedade
É um fardo que me descobriu
Da harpa me jogaram no útero
Me mandaram à puta que pariu!
E eu tenho ficado mais velho
Bem-vindos, pêlos do nariz
Posso até cortar suas finanças
Mas jamais chegarei na matriz
Confesso que até os dezoito
Foi bacana viver nesse bundo
Daí em diante, porém
Daria tudo por um dom vagamundo
Essa coisa de felicidade...
Fez o cachorro enterrar o osso
Enquanto a gente desenterra a idade.
Isso aí é tudo bobagem
Mas a coisa é que quando acontece
O caminhão entra e sai da garagem
Não não - não se preocupe comigo
E assim não me abala o futuro
Mais insuportável o alfabeto
Cada vez que ensopo meu pão duro
Estar devendo à sociedade
É um fardo que me descobriu
Da harpa me jogaram no útero
Me mandaram à puta que pariu!
E eu tenho ficado mais velho
Bem-vindos, pêlos do nariz
Posso até cortar suas finanças
Mas jamais chegarei na matriz
Confesso que até os dezoito
Foi bacana viver nesse bundo
Daí em diante, porém
Daria tudo por um dom vagamundo
Essa coisa de felicidade...
Fez o cachorro enterrar o osso
Enquanto a gente desenterra a idade.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
Pitiful of Myself
You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well
There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful of himself
With no one to understand him
No one to share a hug
Simply no one to trust
No one to tell him why
No one to join him when
He cries
Smallest problems seem to kill
Biggest reasons give no thrill
No challenge at all
And this man will keep living
Surviving and giving
Away his time, his space
For there's no hope for passion
He just won't stop to measure
His feelings for anyone
You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well
There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful of himself
When this man turns out to be
No one else but me
I'm only pitiful of myself
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well
There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful of himself
With no one to understand him
No one to share a hug
Simply no one to trust
No one to tell him why
No one to join him when
He cries
Smallest problems seem to kill
Biggest reasons give no thrill
No challenge at all
And this man will keep living
Surviving and giving
Away his time, his space
For there's no hope for passion
He just won't stop to measure
His feelings for anyone
You might be feeling bad
And probably very sad
Well I know how it feels
Quite well
There's nothing more painful
Nothing worse
Than a man
Pitiful of himself
When this man turns out to be
No one else but me
I'm only pitiful of myself
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Hoje
Virado e em movimento;
Com sacrifício, ganho tempo;
Com vontade, construo e cresço;
Com um anjo, tanto faz o endereço;
Movimentado e me virando.
Com sacrifício, ganho tempo;
Com vontade, construo e cresço;
Com um anjo, tanto faz o endereço;
Movimentado e me virando.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Vidilipendiado
No segundo andar da varanda
Entreguei-me ao piano
E seu vilipêndio
As lindas notas do chopão
Brasaram ao furor de meu incêndio
Recostei-me em meu divã de sonho
Rebusquei a pureza feito índio
E na desmacaquês dos segundos
Soou o suor de meu miocárdio
Bradou o sino cemiterial
Coeso tão quanto infernal
Noturno feito este recital
O fim de mais uma obra
Madrigal
Poesia às escuras (literalmente) ouvindo um nocturno aleatório de Chopin
Entreguei-me ao piano
E seu vilipêndio
As lindas notas do chopão
Brasaram ao furor de meu incêndio
Recostei-me em meu divã de sonho
Rebusquei a pureza feito índio
E na desmacaquês dos segundos
Soou o suor de meu miocárdio
Bradou o sino cemiterial
Coeso tão quanto infernal
Noturno feito este recital
O fim de mais uma obra
Madrigal
Poesia às escuras (literalmente) ouvindo um nocturno aleatório de Chopin
E sou assim..
Um ser imaturo
Com capacidade de dominar o mundo
E vontades de ser músico e constituir família
Numa preguiça que provoca gozo ao ser superada
Com capacidade de dominar o mundo
E vontades de ser músico e constituir família
Numa preguiça que provoca gozo ao ser superada
terça-feira, 3 de abril de 2012
Pensei em escrever
O quê? Ah, qualquer coisa...
Acordei quinze pras oito
Com papel higiênico limpei o salão
Fui ao banheiro e fiz xixi sentado
Andei um pouco pela casa
Dei vazão às minhas memórias
Vou trabalhar em Caxias do Sul de novo
Em duas semanas me toco pra lá
Deletei o meu livroface
Me sinto mais livre
Mas acho que ainda demora minha prontidão
Pra bloquear maus instintos
Eu sempre fui é muito bicho
Arrependido depois de levar o tapa
Hoje está um dia lindo
Sinto falta de escutar música
E sentado aqui nessa cama lembrei
Que um sonho quente com ela sonhei.
O quê? Ah, qualquer coisa...
Acordei quinze pras oito
Com papel higiênico limpei o salão
Fui ao banheiro e fiz xixi sentado
Andei um pouco pela casa
Dei vazão às minhas memórias
Vou trabalhar em Caxias do Sul de novo
Em duas semanas me toco pra lá
Deletei o meu livroface
Me sinto mais livre
Mas acho que ainda demora minha prontidão
Pra bloquear maus instintos
Eu sempre fui é muito bicho
Arrependido depois de levar o tapa
Hoje está um dia lindo
Sinto falta de escutar música
E sentado aqui nessa cama lembrei
Que um sonho quente com ela sonhei.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Banho aléns.
E me questiono aonde pertenço, e cato os cabelos do ralo, fecho a ducha, seco o corpo e estou arrumado, mesmo pelado.
Você pode facilmente lavar seu corpo, mas dificilmente lavará sua mente.
Ponho minhas roupas e saio do banheiro, estendo a toalha, fico pensando no demente rumo que tragou as coisas da galáxia. Uma realidade perplexa para aqueles que não tiveram, na sua raíz, amor familiar.
Estou pronto pra outra partida de xadrez, brincar com a lógica é que me soa bem.
Tento retomar o início do meu tumor cerebral. O que houve; como ou por que fiquei assim, tão simples por fora, vendavalesco por dentro. Cérebro inchando.
No ocorrer de cada xeque aplicado, o medo de explodir. Você sabe que não agradará a todos. Não quero tratar meus amigos como simples visitas, e vice-versa.
Mate. Vontade de tomar um chimarrão mais sóbrio que o peixe mais profundo do oceano atlântico. Pegar um pôr-do-sol no Gasômetro e sentir. Apenas sentir. Não à necessidade de qualquer vida substancial.
Eu sigo.
Vá em frente, nem que antes tenha de ir pros lados ou pra trás, ou fingir de morto!
Quem sabe um dia, aproveitar os múltiplos orgasmos da sabedoria em seu sumo.
Um dia, lavar a alma para o resto dos demais.
Você pode facilmente lavar seu corpo, mas dificilmente lavará sua mente.
Ponho minhas roupas e saio do banheiro, estendo a toalha, fico pensando no demente rumo que tragou as coisas da galáxia. Uma realidade perplexa para aqueles que não tiveram, na sua raíz, amor familiar.
Estou pronto pra outra partida de xadrez, brincar com a lógica é que me soa bem.
Tento retomar o início do meu tumor cerebral. O que houve; como ou por que fiquei assim, tão simples por fora, vendavalesco por dentro. Cérebro inchando.
No ocorrer de cada xeque aplicado, o medo de explodir. Você sabe que não agradará a todos. Não quero tratar meus amigos como simples visitas, e vice-versa.
Mate. Vontade de tomar um chimarrão mais sóbrio que o peixe mais profundo do oceano atlântico. Pegar um pôr-do-sol no Gasômetro e sentir. Apenas sentir. Não à necessidade de qualquer vida substancial.
Eu sigo.
Vá em frente, nem que antes tenha de ir pros lados ou pra trás, ou fingir de morto!
Quem sabe um dia, aproveitar os múltiplos orgasmos da sabedoria em seu sumo.
Um dia, lavar a alma para o resto dos demais.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Escrita covarde.
Você é cruel.
Seu silêncio corta o estômago.
Você me deixa sem palavras.
Conhece bem o meu medo de te perder.
Me ameaça e me coloca na parede.
Você,
que é a maior das esperanças,
faz o homem chorar sem razão,
faz ele ficar sem saída,
pra te dar o prazer do desprazer,
sabe-se
lá
porque.
Você sabe ser fria,
você sabe me ter e quer me conter,
você não é digna de vingança,
por ser uma mestre da aliança
entre a dor e o prazer.
Você me ama e me fere,
me diz que vai embora
se eu errar.
Você,
que alegria trouxe,
em si mesma se perdeu,
e às bocas da dor
se concedeu,
sabe-se
lá
porque.
Seu silêncio corta o estômago.
Você me deixa sem palavras.
Conhece bem o meu medo de te perder.
Me ameaça e me coloca na parede.
Você,
que é a maior das esperanças,
faz o homem chorar sem razão,
faz ele ficar sem saída,
pra te dar o prazer do desprazer,
sabe-se
lá
porque.
Você sabe ser fria,
você sabe me ter e quer me conter,
você não é digna de vingança,
por ser uma mestre da aliança
entre a dor e o prazer.
Você me ama e me fere,
me diz que vai embora
se eu errar.
Você,
que alegria trouxe,
em si mesma se perdeu,
e às bocas da dor
se concedeu,
sabe-se
lá
porque.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
GLaSkaTChAkaS
Embuzinamento de pensamento; líquido de pus de peito; escorrimento de larvas pelo ralo; ódio de amor de necessidade; almirante ao mirar ao mar; blasfêmia fêmea plastofóbica; suor de masturbação resignada; osso de esboço no fundo do poço; cartola portadora de merda; ansiedade cleptomaníaca de felicidade; esterco antes da produção; beijo de vômito mútuo; cura pela dor de cura; meritocracia por indicação não hierárquica; poeira de tozóides mortos sem esperma; big brother banheiro; creme de espelho de elevador; pulo voluntário da vida à certeza assassina; zug-zwang passivo; reis pedófilos progenitores; mendigo sem bebida; apenas partida; eterna derrota; oito e oitenta; tiro e coma; coceira nas costas; suco de bunda em plena segunda; solidão.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Mas eu não sei.
Eu não sei se vos preciso. Muitos sei que me precisam.
Muitos vi que me degustam. Poucos sentem minhas fugas.
Muitos vi que me degustam. Poucos sentem minhas fugas.
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